Dois brasileiros morreram no terremoto na Venezuela; número de mortos chega a 589
Balanço atualizado do terremoto na Venezuela aponta 589 mortos e 2.980 feridos. O Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros em desabamentos distintos.
O número que continua crescendo
Dois dias após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que sacudiram o norte da Venezuela na noite de quarta-feira, 24 de junho, o balanço oficial chegou a 589 mortos e 2.980 feridos. As autoridades reconhecem que esses números devem continuar subindo à medida que as equipes de resgate alcançam novas áreas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que o total de mortos pode ultrapassar 10 mil pessoas, considerando a força dos abalos, a densidade populacional das regiões atingidas e a extensão da destruição.
As operações de busca e salvamento estão na janela crítica das primeiras 72 horas após o desastre, o período em que as chances de encontrar sobreviventes com vida são maiores. Paralelamente, plataformas criadas por voluntários e organizações da sociedade civil acumulam entre 30 mil e 40 mil pedidos de localização, sinalizando que o número de desaparecidos é muito maior do que o registrado oficialmente.
Dois brasileiros mortos, governo envia missão
O Ministério das Relações Exteriores confirmou nesta sexta-feira a morte de dois brasileiros em consequência dos terremotos. Segundo o Itamaraty, as vítimas, um homem e uma mulher, não pertenciam à mesma família e morreram em desabamentos distintos. O governo brasileiro informou que está prestando assistência consular aos familiares.
A resposta humanitária brasileira foi além do suporte consular. O Brasil enviou uma missão composta por bombeiros, especialistas da Defesa Civil e da Agência Nacional de Telecomunicações, além de toneladas de equipamentos para operações de busca e salvamento. O presidente Lula anunciou pessoalmente o envio da missão e classificou o desastre como uma “tragédia de proporções imensas”.
Os terremotos foram suficientemente intensos para serem sentidos em estados do norte do Brasil. Moradores do Amazonas, Pará, Roraima e Amapá relataram tremores. Em Macapá e Belém, prédios foram evacuados preventivamente, sem registro de feridos ou estruturas destruídas no país.
A destruição em Caracas e La Guaira
O epicentro dos abalos foi registrado na região de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas, mas a baixa profundidade dos tremores amplificou o impacto nas áreas urbanas. Em Caracas, um prédio de 22 andares desabou completamente no bairro de Chacao. Em La Guaira, região costeira declarada zona de desastre, dezenas de edificações foram destruídas ou gravemente danificadas. O aeroporto internacional Simón Bolívar, principal ponto de entrada do país, sofreu danos estruturais e precisou ser fechado.
A presidente interina Delcy Rodríguez determinou a militarização do estado e decretou estado de emergência nacional. Cortes de energia elétrica, escassez de água e interrupções no fornecimento de gás afetam diversas regiões. Aulas, transporte público e atividades não essenciais foram suspensos. Vinte tremores secundários foram registrados após os abalos principais, dificultando as operações de resgate e aumentando a instabilidade das estruturas já danificadas.
Ajuda de 20 países chegando ao país
Além do Brasil, pelo menos outros 20 países disponibilizaram equipes e recursos para a Venezuela. Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Suíça, México, Cuba, Holanda, República Dominicana, Equador, El Salvador e Ucrânia estão entre os que confirmaram envio de apoio. O secretário de Estado americano Marco Rubio anunciou o envio imediato de equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária. A presidente Rodríguez confirmou ter conversado por telefone com Rubio, que expressou solidariedade ao povo venezuelano.
Os terremotos de quarta-feira são considerados os mais devastadores na Venezuela em mais de um século. O país já enfrentava uma crise humanitária severa antes do desastre, com infraestrutura debilitada e capacidade de resposta emergencial limitada. A combinação desses fatores torna a escala da tragédia ainda mais difícil de dimensionar nas próximas horas.