Games

Sony quebra o silêncio sobre fim dos discos no PlayStation, mas não recua da decisão

CFO da Sony reconhece publicamente a revolta dos fãs sobre o fim dos discos de PS5, mas confirma que a decisão será mantida.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Um mês depois de anunciar o fim da produção de discos físicos para PlayStation a partir de 2028, a Sony finalmente respondeu diretamente à revolta que a decisão gerou entre os jogadores. Durante sessão de perguntas e respostas após a divulgação dos resultados financeiros do primeiro trimestre, nesta quinta-feira (31), a diretora financeira da empresa, Lin Tao, confirmou que a companhia não pretende voltar atrás.

Segundo Tao, a decisão não foi tomada de forma precipitada. “Anunciamos que, a partir de janeiro de 2028, não vamos mais fabricar discos de jogos. Ou seja, fizemos esse anúncio com um ano e meio de antecedência”, disse a executiva, por meio de intérprete. Segundo ela, o principal motivo por trás da mudança é a digitalização geral de conteúdo, um movimento que a Sony observa em toda a indústria de entretenimento, não apenas nos games.

Um reconhecimento direto da revolta dos fãs

Pela primeira vez desde o anúncio original, a executiva reconheceu publicamente o tamanho da reação negativa nas redes sociais. Segundo Tao, a empresa está ciente das opiniões fortes expressas pela comunidade de jogadores e entende o peso emocional por trás delas.

“Jogos são amados por muitas pessoas, é uma forma de entretenimento querida, e está conectada a boas memórias em muitos casos, então entendemos essas emoções”, afirmou a CFO. Segundo ela, a Sony vai considerar esse sentimento ao pensar em como manter os jogadores engajados dentro de um futuro ecossistema totalmente digital, mesmo mantendo o plano original de descontinuar os discos.

Uma reação que já foi além dos comentários nas redes

O desconforto gerado pelo anúncio ultrapassou muito as críticas pontuais em publicações oficiais. Nas últimas semanas, jogadores organizaram boicote à assinatura do PS Plus, moveram ações judiciais em diferentes países, promoveram uma semana inteira de silêncio coordenado nas redes sociais como forma de protesto, e uma petição contrária à decisão já ultrapassa centenas de milhares de assinaturas.

Publicidade

Mesmo desenvolvedores se posicionaram publicamente contra a mudança. Guillaume Broche, CFO do estúdio francês Sandfall Interactive, responsável por Clair Obscur: Expedition 33, descreveu a decisão como triste, destacando o valor artístico e afetivo de possuir fisicamente uma coleção de jogos, mesmo reconhecendo que, do ponto de vista puramente comercial, a lógica da Sony faz sentido.

O que muda na prática para quem quer algo físico

Apesar do fim dos discos tradicionais, a Sony confirmou que varejistas seguirão podendo vender versões físicas no modelo já adotado por GTA 6, com uma caixa contendo apenas um código de resgate digital, sem qualquer mídia física de fato. Segundo Tao, essa continua sendo, na visão da empresa, uma forma válida de manter presença nas prateleiras físicas mesmo sem a fabricação de discos.

A executiva também abordou, na mesma teleconferência, o impacto do recente terremoto em Kumamoto, no Japão, região onde a Sony mantém instalações de semicondutores, reforçando que a companhia segue avaliando os efeitos do evento sobre a cadeia de produção ao longo do ano fiscal.

Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp