Resident Evil bate recorde de bilheteria com estreia de US$ 60 milhões nos EUA
Resident Evil supera toda a franquia e consolida 2026 como o segundo melhor ano da história para o terror nos cinemas americanos.
Resident Evil estreou nos cinemas americanos com 60 milhões de dólares em três dias, o melhor resultado de abertura de toda a história da franquia baseada nos games da Capcom e também o maior número já alcançado pelo diretor Zach Cregger em sua carreira. O valor por si só já supera a arrecadação total ao longo de toda a exibição do antigo recordista da série, Resident Evil: Retribution, que fechou em 2010 com 60,1 milhões de dólares somando semanas inteiras nos cinemas, impulsionado na época pela febre do formato 3D.
O desempenho também se refletiu na crítica especializada. A nota de 96% no Rotten Tomatoes é a mais alta já obtida por Cregger em sua carreira, superando até mesmo Weapons, seu filme anterior, e faz de Resident Evil o longa de terror mais bem avaliado de 2026 até o momento.
A trajetória de Cregger até o comando de uma franquia de games
Antes de se tornar um dos nomes mais cotados do terror hollywoodiano, Zach Cregger construiu carreira na comédia, cofundando em 2000 o grupo de humor The Whitest Kids U’Know, vencedor do prêmio de melhor grupo de esquetes no festival de comédia da HBO em 2006. Ele também atuou em séries como Friends with Benefits e Wrecked antes de migrar definitivamente para a direção com Barbarian, de 2022, e consolidar sua reputação com Weapons, indicado a prêmios de melhor roteiro original.
A escalação de Cregger para dirigir Resident Evil, anunciada ainda em 2025, surpreendeu parte do mercado justamente por vir de um cineasta habituado a roteiros originais assumindo uma adaptação de videogame, mas o resultado nas bilheterias parece validar a aposta da Sony e da Constantin Film na parceria.
Um fim de semana sem concorrência séria
A ausência de contraprogramação de peso ajudou a consolidar a boa largada do filme. A rede de cinemas americana viu poucas estreias relevantes na mesma janela, com títulos adultos como The Weight e Daniel and the Fiery Furnace disputando espaço sem grande apelo de bilheteria. Segundo fontes ligadas à distribuição, a Sony escolheu deliberadamente evitar o primeiro fim de semana da temporada da NFL, que já havia consumido a atenção do público na semana anterior, além de priorizar o acesso a salas Imax e PLF, formatos premium que costumam impulsionar a arrecadação inicial de grandes lançamentos.
A estratégia de meados de setembro já havia funcionado para o estúdio um ano antes, quando Demon Slayer: Infinity Castle estreou com 70,6 milhões de dólares, hoje a sexta maior abertura do mês na história recente. Resident Evil ficou em sétimo lugar nesse mesmo recorte, à frente de A Freira, que havia aberto com 53,8 milhões de dólares.
Gamers lotam as salas e mudam o perfil do público
Um dos temores antes da estreia era que a nova abordagem do filme, mais afastada da mitologia direta dos games, afastasse o público gamer mais fiel. Os números desmentiram essa hipótese: jogadores frequentes representaram 36% da audiência geral, chegando a 47% entre homens com menos de 25 anos. A comparação com o filme anterior da franquia estrelado por Milla Jovovich, Resident Evil: O Capítulo Final, de 2016, é reveladora, já que aquela produção reuniu apenas 14% de gamers pesados no público geral e 19% entre o público masculino.
O perfil geral de quem foi ao cinema também mudou. Resident Evil atraiu 66% de homens contra 34% de mulheres, com destaque para os 44% de homens acima de 25 anos, enquanto O Capítulo Final tinha uma proporção mais equilibrada, de 60% para 40%. Fãs declarados do trabalho autoral de Cregger somaram 37% do público, e entusiastas da franquia como um todo chegaram a 46%, sinal de que o filme conseguiu unir dois públicos historicamente distintos.
Ação de marketing reuniu mais de 300 criadores de conteúdo
Parte do sucesso também passa por uma campanha de marketing robusta voltada especificamente a gamers e criadores de conteúdo. Uma experiência promocional batizada de NRG Resident Evil reuniu mais de 300 influenciadores e formadores de opinião de países como México, Reino Unido, Coreia do Sul e Itália, somando mais de 200 milhões de seguidores combinados entre nichos de games, terror e entretenimento. A ativação gerou mais de 450 publicações únicas nas redes sociais e cerca de 3,5 milhões de impressões estimadas.
O evento recriou cenários icônicos do filme, como uma estrada nevada, uma fazenda, túneis de esgoto e um berçário ensanguentado, além de atividades interativas inspiradas no universo do game. A Sony também firmou parceria com a empresa de entrega por robôs Coco, personalizando unidades com a identidade visual do filme para circular como se estivessem em Raccoon City.
O terror vive seu segundo melhor ano da história nos cinemas
Com o resultado de Resident Evil, o gênero de terror já acumula cerca de 1,166 bilhão de dólares em bilheteria doméstica em 2026, superando o total de 1,163 bilhão registrado em todo o ano de 2017, até então o primeiro ano do gênero a ultrapassar a marca de um bilhão de dólares. O patamar atual representa aproximadamente 82% do recorde histórico do terror, estabelecido em 2025 com 1,426 bilhão de dólares somados ao longo do ano inteiro.
O fim de semana como um todo somou 110,2 milhões de dólares em bilheteria doméstica considerando todos os filmes em cartaz, alta de 28% em relação à semana anterior e de 44% na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o acumulado de 2026 já soma 7,6 bilhões de dólares, 18% acima do registrado no mesmo intervalo de 2025.