Cinema

Stellan Skarsgård vence Globo de Ouro e brinca: ‘Meus 8 filhos me ensinaram a ser um pai ruim’

Stellan Skarsgård venceu o Globo de Ouro por Sentimental Value, fez piada com seus filhos famosos e defendeu a sobrevivência dos cinemas.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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A noite deste domingo (11) no Beverly Hilton não serviu apenas para celebrar os novos talentos de Hollywood, mas também para reverenciar uma das figuras mais imponentes e respeitadas do cinema europeu e mundial. O veterano ator sueco Stellan Skarsgård, conhecido tanto por sua filmografia densa quanto por ser o patriarca de uma das famílias mais talentosas da indústria, conquistou o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante em Filme. A estatueta veio por sua performance no drama norueguês Sentimental Value, dirigido por Joachim Trier.

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Skarsgård, que já havia sido premiado anteriormente pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood por seu trabalho na minissérie Chernobyl, da HBO, superou uma lista de concorrentes de peso. A categoria estava repleta de favoritos, incluindo Benicio Del Toro e Sean Penn (ambos pelo filme Uma Batalha Após a Outra), Jacob Elordi (Frankenstein), Paul Mescal (Hamnet) e Adam Sandler (Jay Kelly). Sua vitória reafirma o apreço da crítica internacional pelo cinema de autor escandinavo.

Lições de paternidade questionáveis

Ao subir ao palco para aceitar o prêmio, Stellan Skarsgård demonstrou seu característico humor seco e autodepreciativo. O ator, que na vida real é pai de oito filhos — incluindo os astros globais Alexander (Succession, A Lenda de Tarzan), Bill (It: A Coisa, Nosferatu) e Gustaf (Vikings) —, utilizou sua numerosa prole como base para seu discurso de agradecimento.

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Em Sentimental Value, ele interpreta um diretor de cinema que mantém um relacionamento fraturado e complexo com suas duas filhas, vividas pelas atrizes Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas. “Meus filhos têm sido muito educativos. Estou interpretando um pai que é um pai ruim ali. E meus filhos realmente me disseram o que é um pai ruim”, disparou o ator, mantendo a expressão séria enquanto a plateia explodia em risadas. A piada reflete a leveza com que a família lida com a fama e a dinâmica entre suas gerações de artistas.

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A defesa apaixonada das salas de cinema

Após o momento de descontração, o discurso de Skarsgård assumiu um tom de ativismo cultural. O ator aproveitou a visibilidade global da cerimônia para fazer uma defesa enfática da experiência cinematográfica tradicional, em um momento em que a indústria ainda luta para recuperar os números de bilheteria pré-pandemia de COVID-19 e enfrenta rumores sísmicos de consolidação de mercado, como a especulada aquisição da Warner Bros. pela Netflix.

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O ator destacou a natureza modesta de sua produção em comparação aos blockbusters. “É um pequeno filme norueguês, sem dinheiro para publicidade ou qualquer coisa”, explicou. Em seguida, fez um apelo ao público e aos executivos presentes: “Espero que vocês vejam em um cinema, porque eles são uma espécie em extinção agora. Em um cinema, as luzes se apagam e, eventualmente, você compartilha o pulso com outras pessoas”.

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A fala de Skarsgård ecoa uma preocupação crescente entre os cineastas autorais sobre o domínio do streaming e a perda da ritualística coletiva de assistir a um filme em uma sala escura. Ao vencer em uma categoria disputada contra produções de orçamentos milionários, Stellan Skarsgård não apenas levou um troféu para casa, mas garantiu que a voz do cinema independente europeu fosse ouvida no coração de Hollywood.

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