Ubisoft vai apostar cada vez mais em remakes
O sucesso de Assassin’s Creed Black Flag Resynced não está apenas rendendo à Ubisoft mais um hit nas vendas. Ele também está reforçando uma tese que a própria empresa já defendia internamente: remakes podem estar entre os projetos financeiramente mais atraentes do portfólio da publicadora. Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre do ano […]
O sucesso de Assassin’s Creed Black Flag Resynced não está apenas rendendo à Ubisoft mais um hit nas vendas. Ele também está reforçando uma tese que a própria empresa já defendia internamente: remakes podem estar entre os projetos financeiramente mais atraentes do portfólio da publicadora.
Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre do ano fiscal, o diretor financeiro da Ubisoft, Frédérick Duguet, explicou que remakes ambiciosos conseguem gerar margens mais fortes do que lançamentos totalmente novos, graças à combinação de custos de desenvolvimento menores, despesas de marketing reduzidas e o reconhecimento de marca já embutido em franquias consolidadas.
Um jogo que já pagou a própria conta
“Esperamos que esse título entregue um desempenho financeiro superior”, disse Duguet sobre Black Flag Resynced. Segundo ele, a expectativa é que a contribuição direta do remake para o resultado da empresa se torne positiva ainda durante o trimestre atual, um prazo de recuperação de investimento bem mais curto do que o normalmente visto em produções originais de grande porte.
Os números por trás do otimismo já apareceram no próprio relatório: o remake vendeu mais de 3,5 milhões de cópias em apenas 14 dias, superando a meta de vendas que a Ubisoft havia projetado para o jogo ao longo de todo o ano fiscal. O título também se tornou o Assassin’s Creed mais bem avaliado pela crítica desde o Black Flag original de 2013, com nota 84 tanto no OpenCritic quanto no Metacritic, além de bater o recorde histórico de pico simultâneo de jogadores da franquia no Steam, com cerca de 105 mil pessoas conectadas ao mesmo tempo, puxado principalmente pela demanda nos Estados Unidos e na China.
A matemática por trás da economia de um remake
Segundo Duguet, remakes se beneficiam do reaproveitamento de assets do jogo original, mesmo quando a equipe decide incluir novos sistemas de jogabilidade, recursos atualizados e tecnologia moderna. Esses acréscimos ainda exigem investimento financeiro, mas o orçamento total permanece significativamente menor do que desenvolver um título inteiramente novo do zero.
O marketing segue a mesma lógica de economia. Como os jogadores já conhecem a franquia, a Ubisoft não precisa gastar tanto para apresentar o jogo ao público. “Você também se beneficia do reconhecimento do jogo, então consegue vir com um marketing menor, mas também não tem o mesmo preço de um jogo completo”, explicou Duguet. “É realmente um perfil econômico diferente”. O CEO Yves Guillemot reforçou esse ponto durante a mesma teleconferência, lembrando que o preço de venda de Black Flag Resynced, de US$ 59,99, fica US$ 10 abaixo do valor cobrado por Assassin’s Creed Shadows, o que também altera a equação de margem entre os dois tipos de lançamento.
A estratégia que deve se repetir em breve
A Ubisoft já sinaliza que pretende aprofundar essa estratégia. Ao lado de Black Flag Resynced, a empresa confirmou recentemente Rayman Legends Retold, outro remake premium com lançamento previsto para 1º de outubro, marcando os 30 anos da franquia Rayman.
Apesar do desempenho animador, a companhia evitou afirmar que remakes vão substituir por completo o desenvolvimento de novas entradas nas maiores franquias do catálogo. Ainda assim, os resultados financeiros mais recentes sugerem que esse tipo de projeto vem se tornando uma peça cada vez mais central na estratégia de lançamentos da Ubisoft, especialmente em um momento delicado para a empresa, que já cancelou outros projetos internos neste ano, incluindo o remake de Prince of Persia: As Areias do Tempo, para concentrar recursos em apostas mais seguras dentro de suas franquias mais valiosas.