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O multiverso nerd é pautado por discussões intermináveis e, geralmente, extremamente redundantes. Mas com toda a certeza a gente adora aquela treta cósmica para provar que um lado é melhor que o outro – mesmo que o único convencido na discussão seja você mesmo. Analisando essa treta tão peculiar, decidimos trazer um pouco desse espírito “saudável” de discussão para o nosso site.

Sejam bem-vindos ao Cine Vinil! Calma, antes de soltar os cães nos comentários, entenda nossa proposta. Os discos de vinil foram um dos itens mais amados para reprodução de arquivos sonoros. Sua grande peculiaridade eram os lados A e B. O lado A era utilizado para gravar os hits comerciais das bandas, músicas mais populares. Enquanto o Lado B era mais voltado para canções experimentais ou mais autorais.

No caso, nos inspiramos pelos lados opostos do mesmo “disco” – de uma mesma obra. Serão dois artigos: o Lado A, que contém a opinião positiva, e o Lado B, com a versão negativa. Os autores, obviamente, serão distintos, e escolherão 5 pontos específicos da obra para justificar seus argumentos.

Em mais um número de nossa Limited Edition proporcionaremos um debate diferente. 

Explicado o conceito, nós lhes desejamos aquela ótima discussão para defender o seu lado favorito! Quem ganhou? Lado A ou Lado B? Que a treta perfeita comece!

Atenção aos spoilers.

LADO B

por Henrique Artuni

In Nolan We Trust

Tomando como referência Interestelar (sua bomba maior), Nolan mostra que a sua dita ordem, passada a limpo, na verdade é uma bagunça perfumada. Além de ser um filme mal produzido, inchado, inspira enorme preguiça intelectual. Isso porque Nolan toma as rédeas de seus filmes e dirige a carruagem pelos caminhos que convém para excluir a contribuição do espectador – ora em atalhos, ora em volteios. Nolan inventa as regras do jogo, monta ele mesmo o quebra cabeça e o público não assiste o filme, mas ao filme.

As regras do jogo

Na filmografia de Nolan, quando não há uma extensa lista de explicações concentradas em vários pedaços (A Origem e Interestelar), aflora uma pretensa complexidade amparada em grandes temas ou reviravoltas (caso de O Cavaleiro das Trevas). Com seus roteiros muito expositivos e, muitas vezes, uma decupagem infeliz, tudo fica muito “fechadinho”, “projetadinho”. Costuma faltar respiro, pausa. É na base dessa tensão interminável que Nolan pega o espectador pelo colarinho e balbucia sua didática de universitário empolgado.

 

Outras formas da mesma forma

Amnésia seria bem mais interessante se suas sutilezas não se degradassem tanto ao longo do filme. Obcecado pela explicação, ao invés de clarear, o roteiro só caminha para uma direção única, como se Nolan tivesse medo de que o espectador comprasse uma ideia diferente daquele que ele vende. Sim, vende parece o verbo correto, no seu pior sentido. Cineastas se repetem, mas devem sempre repensar criticamente seu estilo, seus caminhos – coisa que a secura do cinema de Nolan parece estar longe de permitir.

 

Onde é que estou?

Ao usar muitos planos fechados e cortes que omitem certos deslocamentos, a “coesão” de Nolan sai pela culatra. Dessa forma, o espectador não consegue acompanhar os passos dos personagens, seus gestos em cena, e muitas vezes, só percebe o início e o fim. O miolo é uma massa amorfa e turva. Isso é muito prejudicial, especialmente, quando se tenta trazer uma sensação mais elevada, expansiva para os filmes, ou apenas construir eficientes cenas de ação.

 

Executar sentimentos.exe

O regime tecnocrata das narrativas parece alastrar-se pelos personagens e seus dramas, potencializado pelas fracas atuações – seja da famosa cena de Marion Cotillard, na choradeira de Matthew McConaughey que virou meme, ou até em todo A Origem. Simplesmente, fica difícil encontrar emoção no meio da papelada sobre a qual o diretor faz seus filmes. O pior é que isso parece ter se alastrado para outras grandes produções recentes…

Clique AQUI para ler o LADO A.

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