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Apertaram o fast forward em Game of Thrones. Eventos que normalmente fechariam um episódio, agora já marcam o início dos capítulos da sétima temporada. Por essas elipses milagrosas e bem-vindas, só tenho a agradecer – a gente sabe o que passou com a enrolação da quinta temporada.

Novamente temos Mark Mylod na direção. O foco principal do roteiro foi um dos encontros mais aguardados de todo o seriado: Jon e Daenerys. Um dos detalhes principais de sua direção de acuidade estética impressionante está no jogo de encenação. Fazendo Jon caminhar pelo caminho de Pedra do Dragão, rapidamente vemos um dos dragões de Daenerys sobrevoar o grupo, como se estivesse saudando o retorno de mais um Targaryen ao lar (ainda que Snow desconheça).

Mesmo com uma atuação morna de Kit Harrington e Emilia Clarke, o encontro foi poderoso muito por conta do diálogo. Desde contrastes cômicos até passear pelo conflito de desconfianças entre duas forças poderosas.

O nível do diálogo é de alta qualidade, resgatando frases importantes que traçam a moral dos dois personagens, principalmente a de Jon. Rapidamente o conflito é estabelecido: Jon se nega a ajoelhar e pede a ajuda de Daenerys para destruir os Outros enquanto a rainha prometida de Westeros se preocupa em eliminar Cersei do jogo. Há elementos de dúvidas sobre a honestidade de Jon, mas felizmente isso é resolvido ainda nesse episódio com o voto de confiança para a extração de vidro do dragão.

Seguindo o ritmo alucinado, Daenerys descobre das baixas que sofreu pelas ações de Euron Greyjoy no episódio passado. Logo, uma nova aliança com o Norte passa a virar uma necessidade. Nisso, temos diversas conversas de Tyrion entre as duas forças representantes de uma aliança de Gelo e Fogo. Preservando o bom humor do personagem, as coisas tornam-se mais interessantes. A segunda parte do plano de Daenerys é posta em ação.

Mais uma vez, Mylod brinca com a montagem, interpolando entre a reunião do conselho de Dany para a invasão dos Imaculados em Rochedo Casterly que termina de modo imprevisto pela estratégia organizada por Tyrion. Com outra reviravolta que coloca Daenerys em revés, os Lannister removem suas tropas da região natal para concentrar fogo no Jardim de Cima, casa dos Tyrell, ex-aliados da rainha forasteiras. O diretor novamente segue tudo com bastante pressa, poupando grandes coreografias e assimilando as ações militares dos Lannister com as blitzkriegs nazistas de tão ligeiras que são.

Entregando o momento mais poderoso do episódio, temos o fim da participação de Olenna Tyrell na narrativa em uma despedida bombástica por conta da revelação da autoria do assassinato de Joffrey. Diana Rigg, ótima interprete da personagem, entrega uma de suas melhores performances para marcar essa morte tão importante no seriado. Aqui, obviamente, há o ponto mais alto do roteiro do episódio, com o diálogo entre ela e Jaime, servindo como indicação plena que os dois Lannister acabarão causando o fim um do outro.

E temos bons motivos para acreditar nisso por conta do núcleo muito mais interessante de Porto Real. Cersei está ganhando as batalhas contra Daenerys graças ao trunfo das tropas navais de Euron Greyjoy. Prometendo se casar com o capitão insano, Cersei consegue despertar os ciúmes de Jaime. O núcleo amoroso entre os dois novamente é reacendido mostrando como Cersei não tem mais o mínimo pudor ou discrição a respeito da relação incestuosa.

Mas o foco mais importante desse núcleo foi a consumação de uma aguardada vingança. Com Euron entregando não só Yara, mas Ellaria Sand e sua filha, Cersei finalmente pode vingar o assassinato de Myrcella que foi envenenada por Ellaria como forma de vingança pela morte de Oberyn. Ou seja, o ciclo de mortes finalmente se conclui já que o núcleo de Dorne praticamente foi extinto ao longo do porco tratamento às personagens no decorrer do seriado.

Ao menos, o momento da vingança vale ouro e nos relembra o quão cruel pode ser Cersei retornando com glória ao posto de vilã mais amada/odiada de Game of Thrones. Ainda aqui, uma breve passagem com um representante do Banco de Ferro praticamente enuncia o plano de Cersei em tomar riquezas de outras famílias para pagar uma dívida gigantesca acumulada em Braavos. Como visto no fim do episódio, a família dos Tyrell é a escolhida para a pilhagem – só esse diálogo já mostra a enorme quantidade de tempo que cada episódio está condensando para acelerar a narrativa.

Finalizando os poucos núcleos apresentados nesse terceiro episódio, vemos Jorah curado da escamagris graças aos esforços de Sam na Cidadela. Em Winterfell, Sansa mostra vocação para administrar o assento e castelo da família Stark. Com poucos diálogos com o Mindinho, vemos o personagem ganhar um pouco mais de influência sobre a mente de Sansa, mas uma oportuna interrupção surge.

O regresso ao lar Stark será um dos pontos culminantes da sétima temporada. Dessa vez quem voltou para a casa foi Bran, já assumindo o posto de Corvo de Três Olhos. Muito pouco é dito ou desenvolvido nesse reencontro, servindo apenas como estabelecimento de coisas que os espectadores já sabiam, mas que os personagens ainda desconhecem. Além dos méritos da escrita, destaco aqui o valor da ótima fotografia que esse episódio recebeu. Abandonando a estética profundamente sombria, pudemos ver com mais detalhes o glorioso trabalho de direção de arte e do figurino (um dos melhores de todo o seriado). Felizmente, hoje ninguém atentou contra às sopas com algum match cut bizarro, mas sempre há a esperança para a semana que vem.

Com essas reviravoltas excelentes na guerra por Westeros, a sétima temporada de Game of Thrones está se consolidando como uma das melhores. As cortinas do grande espetáculo já estão se fecham para peças importantíssimas desse tabuleiro cada vez mais sedento de sangue.

Game of Thrones – 07×03: The Queen’s Justice (EUA, 2017)

Criado por: D.B. Weiss e David Benioff, baseado na obra de George R.R. Martin
Direção: Mark Mylod
Roteiro: D.B. Weiss e David Benioff
Elenco: Peter Dinklage, Emilia Clarke, Lena Headey, Nikolaj Coster-Waldau, Sophie Turner, Maisie Williams, Kit Harington, Aidan Gillen, Gwendoline Christie, John Bradley, Jim Broadent, Liam Cunningham, Isaac Hempstead Wright, Nathalie Emmanuel, Conleth Hills, Rory McCann, Pilou Asbæk, Carice Van Houten, Diana Rigg
Emissora: HBO
Gênero: Aventura, Drama
Duração: 60 min

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