Quando Narcos estreou na Netflix, a maioria dos brasileiros ficaram muito ansiosos pela série por ter José Padilha como produtor executivo e diretor de alguns episódio e Wagner Moura como o protagonista, o traficante Pablo Escobar. A expectativa valeu a pena e mesmo com problemas de estrutura, a primeira temporada deu uma boa impressão quanto a série.

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Essa primeira temporada mostra toda a evolução de Escobar, que vai de um pequeno traficante ao o rei do narcotráfico e um terrorista ameaçador. Isso tudo é contado pelos olhos de Steve Murphy (Boyd Holbrock), um agente do DEA que vai até a Colômbia para capturar Escobar. Murphy contará com a ajuda de Javier Peña (Pedro Pascal), um agente local que vai explicando ao americano como funciona a justiça na Colômbia, já que prender Escobar não será uma tarefa fácil por ele se tornar uma pessoa cada vez mais poderosa.

No piloto, que é dirigido por Padilha, a série deixa claro que o seu estilo de narrativa é muito semelhante ao de Tropa de Elite. Além de ter uma narração em off – no caso, a de Murphy – toda a encenação lembra um pouco o estilo documental, com a câmera na mão sempre acompanhando de perto os atores. A série acerta ao colocar imagens de arquivo durante as narrações, que servem para que temos uma noção histórica de como foi o período, já que além da parte histórica, sue foco se mostra o período política também.

Além de Padilha, outros três diretores comandam os dez episódios da temporada: o colombiano Andi Baiz; o mexicano Guillermo Navarro; e o brasileiro Fernando Coimbra. Baiz – que continuou como um dos diretores da série durante as duas próximas temporadas – se sai relativamente bem, principalmente nos últimos dois episódios da temporada. Já Navarro se mostra o ponto mais frágil dos diretores, seus dois episódios (3 e 4) se mostram chatos e enrolados, não tendo a tensão que se tem durante toda a série. Os brasileiros não fazem feio, pois Padilha dá toda a gramática visual e narrativa da série, além de críticas diretas ao governo americano que são traços reconhecíveis do diretor. Já Coimbra faz dois episódios muito bons, com direito a uma ótima sequencia de perseguição. Em geral a direção da primeira temporada é bem eficiente, apesar de alguns erros aqui e ali.

O roteiro se mostra concreto narrativamente, mas com fragilidades na estrutura. A maioria dos episódios são escritos por Chris Brancato, que é showrunner junto com Carlo Bernard e Doug Miro, acertam em contar de maneira envolvente a ascensão de Pablo e toda a situação política e social da Colômbia. O próprio Escobar se mostra um personagem muito interessante, pois ao mesmo tempo que é uma pessoa capaz de fazer atos terríveis, se mostra um pai de família amoroso e um homem preocupado com o seu povo. Todo o seu desenvolvimento é muito bem feito, que mescla entre momentos que o personagem demonstra inteligência, amor e ódio. O melhor personagem dessa temporada é a bussola moral de Pablo, o seu primo Gustavo (Juan Pablo Rasa). É um personagem riquíssimo, que sempre lembra Pablo qual é a sua posição na sociedade, como um bandido. Além de trazer a Escobar a sua ética, questionando sobre os seus atos terroristas que matavam vários reféns.

Mas o protagonista não é Pablo, é Murphy, certo? Então, essa se torna um dos principais problemas dessa temporada, pois todo o núcleo do americano é chato. O personagem é desinteressante e seus arcos dramáticos só servem como encheção de lingüiça, como o sua esposa Connie (Joanna Cristie) que é completamente inútil para a trama. Parece que a série fica na dúvida sobre quem merece ser o protagonista, porque ela mesma parece que não se interessa por Murphy. O bom é que desse núcleo há personagens muito bons, como Peña e o coronel Carrillo (Maurice Compte), esse último sendo tão ameaçador e em alguns momentos tão cruel quanto Pablo.

O elenco se mostra muito bem, com destaque a Pedro Pascall que deixa o seu personagem o mais envolvente do núcleo policial, como um personagem que realmente entende que nessa realidade precisa sujar um pouco as mãos e como o guia de Murphy na justiça colombiana. Já Boyd Hoolbrook se mostra confiante com o seu personagem, mas o ator não pode ir muito por conta das limitações de Murphy como personagem. Mas Wagner Moura é o dono da temporada. O ator consegue segurar muito bem todas as suas cenas e sua composição física mostra o quanto o personagem é ameaçador. Os momentos mais fortes d atuação de Moura são os momentos que o seu personagem vai explodindo pouco a pouco, mostrando o seu lado violento. É um trabalho admirável, de um ator admirável.

Enfim, por mais que a primeira temporada tenha problemas de ritmo e estrutura, ela consegue ser bem eficiente. Apresenta bem o estilo da série e qual será o seu foco. O bom é que não fica só na promessa.

Narcos – 1ª Temporada (Idem – Season 1, EUA/Colômbia – 2015)  

Showrunner: Chris Brancato, Carlo Bernard e Doug Miro
Direção: José Padilha, Andi Baiz, Fernando Coimbra e Gillermo Navarro
Roteiro: Chris Brancato, Carlo Bernard, Doug Miro, Dana Calvo, Andy Black, Dana Ledoux Miller, Zach Calig, Allison Abner e Nick Schenk
Elenco: Wagner Moura, Boyd Holbrook, Pedro Pascal, Joanna Christie, Juan Pablo Raba, Maurce Compte, Jorge A. Jimenez, Paulina Gaitán, Stephanie Sigman, Bruno Bichir, Rául Méndez, Manolo Cardona e Cristina Umana
Emissora: Netflix
Episódios: 10
Gênero: Drama, Policial
Duração: 50 min

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