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Análise | Resident Evil: Resistance – O caótico experimento da Capcom

Anunciado antes mesmo do remake de Resident Evil 3Resident EvilResistance acabou sendo incluído como parte de um único pacote, servindo como o modo multiplayer enquanto que a fuga de Jill de Raccoon City serve como o singleplayer. Infelizmente a qualidade do game para um jogador não se aplica a esse ‘experimento’ da Capcom, que, na realidade, foi desenvolvido pela NeoBards Entertainment. O título multiplayer acaba servindo mais para confundir o jogador em suas partidas, do que efetivamente entregar algum tipo de entretenimento. 

Em essência, Resistance segue o estilo de jogos como Dead by Daylight: quatro jogadores, controlando sobreviventes, devem sobreviver às artimanhas de um mastermind, cujo objetivo é atacar os sobreviventes até que o tempo acabe, impedindo que eles escapem. A diferença aqui é que o mastermind pode posicionar inimigos clássicos de Resident Evil (desde zumbis, até lickers) no caminho dos quatro adversários – na teoria, um jogo extremamente divertido. Na prática, contudo, alguns detalhes acabam sendo pedras nos nossos sapatos, impedindo que aproveitemos essa nova proposta em sua plenitude.

O que está acontecendo?

Vamos começar pelo lado dos sobreviventes. Podemos escolher dentre seis personagens, cada um com habilidades únicas, focadas em determinada função. Uma serve como curandeira, enquanto que outra foca mais no ataque com armas de fogo, por exemplo. Dito isso, é evidente que a Capcom almeja que os jogadores trabalhem em conjunto e não simplesmente saiam a esmo pelas fases – justamente o que acaba acontecendo quando jogamos com pessoas aleatórias, evidentemente.  

Com a equipe formada, somos jogados em um ambiente fechado e bastante labiríntico e devemos encontrar itens-chave que possibilitam abrir a porta para escapar – tudo isso enquanto o tempo corre. Quando tomamos dano (ou morremos) perdemos tempo; quando matamos um inimigo ou conseguimos uma chave, ganhamos mais tempo. Após uma série de portas abertas, o time de sobreviventes, enfim, consegue escapar, ganhando o jogo. 

O grande problema é que tais itens-chave são posicionados aleatoriamente nas fases, o que impede que memorizemos seus locais, garantindo a sensação de novidade a cada jogada, mas aumentando o teor de caos nesse multiplayer. Com isso, na maior parte do tempo, a sensação é de simplesmente estar correndo de um lado para o outro, à esmo, torcendo pelo melhor. Há habilidades de área que revelam o local dessas chaves, mas nem sempre elas estão ativas. A coordenação de equipe, portanto, se faz essencial e com jogadores aleatórios (na maioria das vezes sem microfones) isso se torna bastante frustrante. Não ajuda o fato de não existir um minimapa à nossa disposição, somente um mapa que pode ser ativado e desativado, ocupando a tela inteira (dificultando consideravelmente nossa visão).  

A diversão acaba sendo sugada pelo ralo e qualquer façanha acaba parecendo mais fruto da sorte, especialmente dentro de um tempo pré-definido que parece ser muito curto. Mesmo acabar com as criaturas não prova ser tão divertido quanto em Resident Evil 3 ou no remake do 2, visto que os inimigos praticamente não reagem aos nossos golpes, exceto quando são derrubados ou morrem.

Mais trabalho que diversão 

Do lado do mastermind, por sua vez, acreditei que o cenário pudesse melhorar. Afinal, com uma visão mais ampla do cenário ficar confuso seria mais difícil. Infelizmente um diferente caos se aplica sobre o gameplay desse lado. Podendo enxergar o cenário através de câmeras, o mastermind – que pode ser escolhido dentre quatro icônicos vilões da franquia (Annette Birkin, Daniel Fabron, Alex Wesker e Earl Spencer) – acaba tendo uma missão tão difícil quanto dos sobreviventes.  

Posicionar os inimigos no cenário é algo bem intuitivo e a fim de balancear o jogo, ganhamos consecutivos decks com cartas dos inimigos, cada uma delas com seu custo de pontos, que vão se acumulando com o passar dos segundos. O grande problema está justamente na visão das câmeras, que, na adrenalina de cada partida, acaba se tornando complicado de pular de uma para a outra. Evidente que, quando passamos a conhecer melhor as fases, se torna mais fácil saber o que está acontecendo. Mas como os sobreviventes vão correndo de um lugar para o outro, não é nada fácil escolher a câmera certa e posicionar os inimigos a tempo. No fim, a experiência parece ser mais um trabalho do que uma diversão, de fato – algo que poderia ser corrigido com uma câmera aérea ou uma visão mais ampla de cada um dos dispositivos. 

Poder controlar as diferentes criaturas de Resident Evil, incluindo o ameaçador Mr. X ou William Birkin, porém, é algo realmente prazeroso. Em termos de balanceamento, a Capcom acertou em cheio aqui. Jamais nos sentimos mais poderosos do que deveríamos ser, mas ainda assim os monstros ‘especiais’ são notáveis ameaças, com frequência de aparição menor, também na medida certa.

Potencial adormecido

Após diversas partidas, fica bastante claro que Resident EvilResistance conta com bastante potencial. A proposta é bastante atrativa, o cuidado com os gráficos não deve nada aos recentes games singleplayer da Capcom e a jogabilidade em si é basicamente a mesma dos remakes mais recentes. São alguns detalhes, como já dito antes, que prejudicam consideravelmente nossa experiência. A troca de itens-chave com locais randômicos para locais definidos, por exemplo, melhoraria substancialmente o lado dos sobreviventes, assim como a presença de um minimapa. Já câmeras com visões mais panorâmicas ou uma visão aérea facilitaria o lado do mastermind. O aumento do tempo, também, melhoraria as partidas como um todo. 

Dito isso, Resident EvilResistance, como está no momento de seu lançamento, parece ser mais uma empreitada do que um jogo para se divertir. Felizmente, seus problemas podem ser solucionados com atualizações. Por se tratar de uma nova experiência dentro do universo de Resident Evil, era de se esperar algo falho. Resta aguardar para saber se tais falhas serão corrigidas nos próximos meses – preferencialmente antes que os jogadores abandonem o game.

Resident Evil: Resistance

Gênero: Survival horror
Plataformas: Xbox One, PS4, PC
Estúdio: Capcom

Agradecemos à Capcom pelo envio da cópia do game.

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Publicado por Guilherme Coral

Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.

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