Antigo diretor de The Witcher 3 quer jogar Songs of the Past como fã
The Witcher 3 volta com Songs of the Past, e Konrad Tomaszkiewicz torce para expansão honrar o RPG.
Konrad Tomaszkiewicz, diretor de The Witcher 3: Wild Hunt, tem um pedido simples para a nova expansão do RPG: que a CD Projekt Red faça um bom trabalho. A fala chama atenção porque, desta vez, ele não acompanhará o projeto como desenvolvedor, mas como jogador.
A CD Projekt Red anunciou Songs of the Past como a terceira expansão de The Witcher 3, com lançamento previsto para 2027 em PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. O conteúdo será codesenvolvido com a Fool’s Theory, estúdio formado por veteranos que trabalharam no próprio RPG de 2015.
Diretor de The Witcher 3 quer viver expansão como jogador
Tomaszkiewicz comentou a nova expansão durante entrevista ao GamesRadar+ na Summer Game Fest. Hoje, ele atua como CEO da Rebel Wolves, estúdio formado por ex-desenvolvedores da CD Projekt Red e responsável pelo RPG de vampiros The Blood of Dawnwalker.
A relação dele com The Witcher é diferente da relação de qualquer fã comum. O desenvolvedor trabalhou no primeiro jogo da série, em The Witcher 2, em The Witcher 3 e também nas expansões Hearts of Stone e Blood and Wine.
Por isso, Tomaszkiewicz afirma que nunca conseguiu jogar The Witcher apenas como jogador. Para ele, a experiência sempre esteve ligada ao processo de desenvolvimento, testes, ajustes e repetição de cenas, sistemas e missões.
“Eu nunca joguei os jogos de The Witcher como jogador”, disse o desenvolvedor. Segundo ele, depois de trabalhar em tantos capítulos da franquia, ficou difícil voltar ao RPG sem enxergar o projeto por dentro.
Songs of the Past muda essa relação
Com Songs of the Past, a situação será diferente. Tomaszkiewicz não trabalhou na nova expansão, o que permite ao ex-diretor se aproximar do conteúdo com o mesmo tipo de expectativa que move os fãs.
“Eu vou jogar pela primeira vez como jogador. E só tenho um pedido… como dizer isso educadamente… que façam bem feito”, afirmou.
A frase resume o sentimento de boa parte da comunidade. The Witcher 3 se consolidou como um dos RPGs mais importantes de sua geração, e suas duas expansões anteriores elevaram ainda mais a reputação do jogo.
Hearts of Stone entregou uma história mais sombria e concentrada, enquanto Blood and Wine levou Geralt de Rívia para Toussaint em uma aventura grande o suficiente para parecer quase um novo jogo. Por isso, qualquer retorno ao universo de The Witcher 3 chega cercado de expectativa.
Nova expansão chega mais de uma década depois
Songs of the Past terá um peso incomum. Quando chegar em 2027, a expansão será lançada mais de dez anos depois de Blood and Wine, que estreou em 2016 e virou uma das adições mais elogiadas da história recente dos RPGs.
A CD Projekt Red também fez questão de chamar o novo conteúdo de expansão, não apenas DLC. A diferença importa porque o estúdio costuma reservar o termo para pacotes maiores, com narrativa, personagens e várias horas de gameplay.
Até agora, a empresa ainda não revelou detalhes de trama, ambientação ou tamanho exato. O que se sabe é que os jogadores voltarão ao papel de Geralt de Rívia em uma aventura inédita, desenvolvida para plataformas da atual geração e PC.
A participação da Fool’s Theory aumenta a curiosidade. O estúdio trabalha também no remake do primeiro The Witcher e conta com profissionais que conhecem o DNA da franquia, algo importante para uma expansão que precisa respeitar um legado muito querido.
Expectativa é alta porque The Witcher 3 virou referência
Lançado em 2015, The Witcher 3: Wild Hunt virou um marco dos RPGs de mundo aberto. O jogo combinou escolhas morais, narrativa adulta, missões secundárias memoráveis e um mundo que parecia vivo mesmo fora da história principal.
A força do jogo não veio apenas do tamanho do mapa. O impacto nasceu da forma como cada contrato, vila, personagem e decisão parecia carregar alguma consequência emocional ou ética.
Por isso, o retorno de Geralt em Songs of the Past precisa lidar com uma cobrança rara. A expansão não será vista como um simples conteúdo extra, mas como um novo capítulo de um clássico que muitos jogadores ainda tratam como referência máxima do gênero.
Tomaszkiewicz entende esse peso melhor do que quase qualquer pessoa. Ao pedir apenas que o conteúdo seja bem feito, o ex-diretor coloca em palavras a ansiedade de uma comunidade que quer voltar ao Continente, mas não quer ver esse retorno desperdiçado.
CD Projekt Red tenta revisitar o passado sem perder o futuro
A nova expansão também chega em um momento estratégico para a CD Projekt Red. O estúdio trabalha em The Witcher 4, que abrirá uma nova fase da franquia com Ciri no centro da história, mas ainda decidiu voltar ao jogo que consolidou sua reputação mundial.
Esse movimento tem risco e recompensa. Por um lado, Songs of the Past pode reacender o interesse por The Witcher 3 antes da nova saga. Por outro, mexer em um clássico sempre aumenta a chance de comparação com o auge da série.
A fala de Tomaszkiewicz funciona justamente porque não parece uma provocação. Ela soa como o desejo de alguém que ajudou a construir aquele universo e agora poderá, enfim, descobri-lo por fora.
Se Songs of the Past conseguir honrar o peso de Hearts of Stone e Blood and Wine, a CD Projekt Red terá feito algo raro: voltar a um dos maiores RPGs da história sem parecer presa apenas à nostalgia.