O cinéfilo atento já deve ter tomado nota do filme Lizzie e de seu caso criminal envolvendo a protagonista Lizzie, em que foi acusada da morte de madrasta e de seu pai.. Fato é que essa história realmente ocorreu no dia 4 de agosto de 1892.

O caso de Lizzie é bastante emblemático e para saber mais sobre ele começamos falando sobre a vida da principal suspeita dos crimes. Lizzie Borden nasceu na cidade de Fall River, em Massachussets, no ano de 1860. Seu pai, Andrew Jackson Borden trabalhou desde cedo e acabou enriquecendo, vendendo caixões e móveis de madeira, entre outros bens de serviços. Andrew fazia parte da diretoria de bancos e financeiras, além de ter várias propriedades comerciais, posses que lhe davam bastante estabilidade financeira e o davam muita influência.

Lizzie tinha uma irmã mais velha, seu nome era Emma Lenora Borden (1851–1927). Ambas eram religiosas, Lizzie ensinanva crianças e imigrantes que chegavam aos EUA. Após três anos da morte de sua mãe, Sarah Anthony Borden, seu pai se casou novamente com sua futura madrasta, Abby Durfee Gray.

Na época dos assassinatos, Lizzie não conseguiu explicar para para a polícia como era sua relação com a madrasta, o que se soube apenas é que Lizzie achava que Abby estaria atrás de toda a fortuna de seu pai. Ainda quanto ao inquérito policial, a empregada da casa Borden, Bridget Sullivan, em testemunho contou que Emma e Lizzie quase nunca faziam as refeições junto com seus pais.

Um dos casos mais emblemáticos envolvendo a relação de pai e filha, ocorreu em 1892, quando Andrew entrou no pequeno celeiro no quintal e matou vários pombos de Lizzie, o motivo seria porque crianças estavam indo até o local para caçar os pássaros e ele teria feito isso para que não fossem mais lá. Lizzie obviamente ficou bastante zangada com tal ato, tanto que logo após o acontecimento se mudou para New Bedford e depois de algum tempo retornou para Fall River, isso uma semana antes dos assassinatos, mas em vez de ficar na casa dos pais ficou em outra residência da família.

Esse caso dos pombos foi apenas o estopim de uma crise que havia começado há alguns meses antes dos assassinatos, quando Andrew passou propriedades para a família de Abby, vendendo em alguns momentos por valores irrisórios e abaixo do mercado. Alguns dias antes das mortes ocorrerem, John Vinnicum Morse, o tio de Emma e Lizzie, foi fazer uma visita e ficaria alguns dias na casa para conversar sobre negócios com Andrew.

Andrew Borden e Abby Borden foram encontrados mortos dentro de casa. O que intrigou os investigadores da época foi que no momento, dentro da casa, haviam apenas a empregada doméstica e Lizzie, fato que é bem mostrado no filme de 2018. Bridget Sullivan, a empregada, estava limpando as janelas pelo lado de fora no momento que Lizzie gritou para que ela chamasse com rapidez o médico, pois seu pai havia sido assassinado.

Algum tempo depois encontraram o corpo de Abby no andar de cima da residência. Os investigadores, na época, não conseguiram determinar qual foi a arma utilizada para matar os dois, apenas sabiam que foi uma arma bastante pesada que foi usada para matar os dois a pancadas.

O que se sabe, quanto ao dia do assassinato é que no dia de sua morte, Andrew, havia ido até a cidade com o tio de Lizzie, John Morse. Andrew voltou às 10:30 e logo se deitou no sofá para tirar um cochilo. Alguns minutos depois, Lizzie disse ter encontrado o corpo de seu pai. Apenas isso se sabe com clareza sobre o caso, o resto foi formulado com base em testemunhos que entravam em conflitos e com base em boatos proferidos na época. 

Lizzie Borden foi a única pessoa julgada pelos assassinatos cometidos. Alguns fatos curiosos marcaram a investigação criminal. A primeira foi em relação a busca pela arma do crime. A polícia durante a busca na residência encontrou um machado no porão e presumiram que aquela fosse a arma usada para cometer os assassinatos. Porém, o machado estava limpo e uma parte do cabo não estava ali, e durante a investigação chegaram a conclusão que o cabo havia sido retirado porque estava cheio de sangue. O mais contraditório está por vir, sendo que o investigador do caso disse que encontrou o machado ao lado de um cabo. Até os dias de hoje é um grande mistério qual foi a arma do crime usada pelo assassino, e o machado é a arma mais popular e conhecida pelo público.

O caso do machado não é a única pista ignorada pela polícia, há também o caso do vestido queimado. Poucos dias após o crime, Lizzie havia queimado um vestido de cor azul claro, afirmando ter derramado tinta nele. No tribunal houve discussão quanto a vestimenta usada por Lizzie no dia do crime, houve divergência nos relatos das cores usadas de seu vestino no dia. Nenhuma roupa suja de sangue jamais foi descoberta pela polícia. No fim das contas Lizzie Borden foi inocentada pelo júri.

Esse crime é um dos mais discutidos, até os dias de hoje, justamente por não terem encontrado o assassino, por ninguém saber qual foi sua real motivação e por não terem encontrado a arma do crime. Há algumas teses a respeito do caso, muitas delas tentando explicar os motivos e quem seria o verdadeiro assassino.

O primeiro e mais conhecido é que Lizzie seria lésbica e estaria tendo um relacionamento com a empregada Sullivan, mas que a madrasta havia descoberto tudo. Outra tese é em relação ao testamento de Andrew, que ele teria retirado Lizzie dele, mas nenhum testamento foi divulgado mostrando isso, corroborando a tese.

Há ainda duas outras torias, uma dizendo que Lizzie, por sofrer de epilepsia, cometia os crimes enquanto estava em estado de transe por causa dos ataques e outra teoria diz que a empregada Sullivan havia matado os dois por ter que ficar limpando as janelas em dia de intenso calor e que em um momento de revolta acabou matando os dois. Porém, como dito acima, são apenas teses, mas nada de concreto se tem sobre o caso, apenas indícios que não podem confirmar com certeza que teria sido Lizzie e Sullivan as verdadeiras assassinas. 

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