CEO diz que discos ‘não fazem sentido’ e explica lógica por trás de GTA 6 sem disco
Strauss Zelnick explica por que discos físicos "não fazem sentido" e defende a decisão de GTA 6 vir sem disco.
Strauss Zelnick decidiu finalmente detalhar publicamente o raciocínio por trás de uma das decisões mais criticadas do ano na indústria de games: a ausência de disco físico na edição “física” de GTA 6. Durante a teleconferência de resultados trimestrais da Take-Two, um investidor perguntou diretamente ao CEO sobre o que ele achava da decisão da Sony de encerrar a fabricação de discos de PlayStation, e Zelnick aproveitou para expor a própria visão sobre o assunto.
“Nosso negócio já é mais de 90% distribuído digitalmente”, respondeu o executivo, evitando comentar diretamente a decisão da concorrente. “Então, em certos casos, especialmente se for um jogo grande, discos, note que eu disse discos, simplesmente não fazem muito sentido para o consumidor”.
O argumento por trás da tese: você já precisa estar online mesmo
O ponto central da defesa de Zelnick não é puramente comercial. Segundo ele, como a maioria dos jogos já exige conexão à internet para funcionar, mesmo em versão física, a distinção entre comprar um disco físico e simplesmente baixar o jogo perde relevância prática. “Se você já está conectado, quem se importa se você baixa digitalmente? É tudo a mesma coisa, e é muito mais conveniente”, argumentou, resumindo que essa é a direção para onde o mercado caminha, na opinião dele e, segundo avalia, também na da própria Sony.
Esse raciocínio ajuda a explicar por que a versão física de GTA 6, anunciada com preço de US$ 79,99, chega às lojas apenas como uma caixa contendo um código de resgate digital, sem qualquer mídia física de fato, decisão que gerou reação forte entre colecionadores e defensores da preservação de jogos.
Nem tudo está descartado, segundo o próprio Zelnick
Apesar do tom pouco entusiasmado em relação a discos, o executivo fez questão de não fechar totalmente a porta para lançamentos físicos pontuais no futuro. Ele comparou a situação à indústria fonográfica, onde o vinil sobrevive como nicho mesmo décadas depois da migração majoritária para o streaming. “Isso não significa que não teremos edições físicas de vez em quando. Tenho certeza que teremos, do mesmo jeito que ainda existe vinil no mercado de música gravada. Mas em outras situações, simplesmente não vai fazer sentido”, completou.
Um coro que cresce entre as grandes publicadoras
A fala de Zelnick se soma a um padrão que já vem se repetindo entre outras gigantes do setor. A Capcom já havia declarado, em teleconferência própria, não temer o encolhimento do mercado físico justamente porque 90% de suas vendas unitárias também já são digitais. Já Naoki Hamaguchi, diretor de Final Fantasy VII Revelation, adotou postura oposta: mesmo reconhecendo a tendência do mercado, ele revelou estar lutando internamente por algum tipo de edição física para o jogo, alegando valor cultural e afetivo na experiência de colecionar cópias físicas.
Enquanto publicadoras em geral reagem ao tema com relativa indiferença, movimentos como o Stop Killing Games seguem pressionando para que as questões de propriedade ligadas ao formato digital não sejam simplesmente varridas para debaixo do tapete.