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Codiretor de Baldur’s Gate 2 recusou fazer o quarto jogo: ‘seria insanidade’

James Ohlen, codiretor de Baldur's Gate 2, revelou que recusou o convite da Hasbro para fazer Baldur's Gate 4 após o sucesso da Larian Studios.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Quando até o próprio criador foge da sombra

Baldur’s Gate 3, lançado pela Larian Studios em 2023, vendeu mais de 20 milhões de cópias e se tornou um dos jogos mais aclamados da geração atual de consoles. A Hasbro, dona da licença de Dungeons & Dragons, naturalmente queria uma sequência. O problema é que a Larian já havia deixado claro publicamente que não tinha interesse em continuar a franquia, optando por voltar ao próprio universo da empresa com o próximo Divinity, revelado no The Game Awards de 2025.

Diante da recusa da Larian, a Hasbro foi atrás de outra opção óbvia: James Ohlen, codiretor de Baldur’s Gate 2 em 2000 e uma das figuras mais respeitadas no design de RPGs ocidentais, frequentemente chamado de “padrinho do design da BioWare”. Ohlen também disse não.

O que Ohlen disse ao CEO da Hasbro

Em entrevista à PC Gamer, Ohlen revelou os bastidores da conversa. No dia em que a Hasbro confirmou que a Larian não faria o jogo, o CEO da empresa, Chris Cox, ligou diretamente para ele. “Ei James, o que você acha de fazer Baldur’s Gate 4?” Ohlen respondeu sem rodeios: “Eu não acho. Eu falharia, e aqui está o porquê eu falharia.”

A justificativa de Ohlen não foi sobre talento ou capacidade técnica. Foi sobre competir com a própria sombra de Baldur’s Gate 3. “Eu não ia querer competir contra isso. Fazer Exodus já é difícil o suficiente, mas ter que competir contra Baldur’s Gate 3? Isso seria insanidade.”

O obstáculo técnico que tornaria o projeto impossível no curto prazo

Além do peso simbólico de seguir a Larian, Ohlen apontou um problema prático considerável. Baldur’s Gate 3 foi construído sobre o Divinity Engine 4.0, tecnologia proprietária da Larian desenvolvida ao longo de anos com a série Divinity: Original Sin. Sem acesso a essa ferramenta, qualquer estúdio que assumisse Baldur’s Gate 4 precisaria construir um motor gráfico e um conjunto de ferramentas equivalentes do zero. Ohlen estimou esse processo em “pelo menos meia década de horror”.

Ele chegou a perguntar a Cox se haveria alguma chance de usar o próprio motor da Larian para o novo jogo, mas a resposta prática é que a relação entre a Hasbro e a Larian se desgastou o suficiente para tornar esse cenário improvável. Sem o Divinity Engine, qualquer nova entrada da franquia provavelmente teria que ser construída em outra tecnologia, como Unreal Engine, que é o que a própria equipe de Ohlen usa atualmente em Exodus.

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O que Ohlen está fazendo agora

Ohlen é o chefe de estúdio da Archetype Entertainment, uma das desenvolvedoras nas quais a Hasbro investiu mais de US$ 1 bilhão nos últimos anos. Exodus, o RPG de ficção científica que ele dirige ao lado do também ex-codiretor de Baldur’s Gate 2, Kevin Martens, ganhou novo trailer no The Game Awards de 2025 e promete elementos de relacionamento com NPCs no estilo Mass Effect, combinados com um sistema de dilatação temporal que reflete escolhas do jogador décadas depois.

Em dezembro de 2025, a Hasbro confirmou que Ohlen havia deixado o cargo de diretor de design em Exodus, descrevendo a saída como uma transição natural após considerar seu trabalho criativo concluído. Ele permanece como consultor da empresa em jogos de tabuleiro, mas não está mais na linha de frente do desenvolvimento de videogames. Kevin Martens, seu antigo parceiro em Baldur’s Gate 2, segue na Archetype Entertainment trabalhando em Exodus, previsto para 2027.

O futuro incerto de Baldur’s Gate 4

Por enquanto, não há estúdio oficialmente designado para desenvolver Baldur’s Gate 4. Fontes consultadas pela PC Gamer indicam que uma remasterização de Baldur’s Gate 2, e provavelmente do primeiro jogo original de 1998, está em desenvolvimento, possivelmente com o próprio Martens envolvido.

Quanto a uma sequência numerada de verdade, a aposta mais concreta da Hasbro no momento não é em videogame: é uma série de TV produzida pela HBO, com Craig Mazin, showrunner de Chernobyl e The Last of Us, à frente do projeto.

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