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Diretor de Resident Evil 2 sonha com Leon aposentado plantando hortaliças

Hideki Kamiya, diretor de Resident Evil 2, imaginou um spin-off cozy da franquia com Leon Kennedy aposentado cuidando de horta

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Do horror visceral à horta caseira

Hideki Kamiya dirigiu Resident Evil 2 em 1998 e ajudou a moldar a identidade de uma das franquias de terror mais influentes da indústria. Décadas depois, com a saga celebrando 30 anos em 2026 e investindo pesado em remakes cada vez mais sombrios como Resident Evil: Veronica, Kamiya está puxando a conversa na direção exatamente oposta.

Em vídeos publicados nas redes da Clovers, o estúdio que fundou após deixar a PlatinumGames, ele defende há tempos que a Capcom deveria criar um modo “não assustador” para os jogos da franquia. Sem zumbis pulando de armários, sem jump scares, apenas os quebra-cabeças e o combate que ele afirma genuinamente apreciar.

Nesta semana, provocado por um fã, Kamiya foi além e detalhou como seria o spin-off dos sonhos: Leon Kennedy aposentado.

A vida que Kamiya imagina para Leon

Numa resposta publicada no X, Kamiya descreveu a fantasia com detalhes específicos o suficiente para parecer um pitch de jogo real. Leon, aposentado, pescaria no interior, colheria vegetais silvestres, assaria pão, passearia com o cachorro e cuidaria de uma horta em casa. Ele dirigiria 50 quilômetros até o mercado para comprar suprimentos, convidaria velhos amigos para um churrasco, consertaria o forno da vizinha idosa a pedido dela e venderia limonada caseira no festival local.

“Se eu fizesse, viraria um jogo onde o Leon aposentado vai pescar no interior”, escreveu Kamiya, encerrando com a pergunta retórica que resume o tom de toda a ideia: “mas seria legal, né?”

A proposta se encaixa perfeitamente na tendência de jogos cozy que dominou parte do mercado independente nos últimos anos, com títulos como Stardew Valley e Animal Crossing provando que existe demanda real por experiências relaxantes de gestão de vida simples. Aplicar essa fórmula a um personagem icônico de terror, carregado de trauma psicológico acumulado em décadas de surtos zumbis, é a piada interna que torna a ideia divertida sem deixar de ser, no fundo, genuinamente interessante.

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O contexto da relação de Kamiya com a Capcom

Kamiya retornou a trabalhar com a Capcom através da Clovers, estúdio autofinanciado que está desenvolvendo a sequência de Okami, jogo de aventura de 2006 que ele também dirigiu. Em entrevista ao VGC no ano passado, ele expressou esperança de retribuir a confiança da Capcom entregando um trabalho que aprofunde ainda mais a parceria entre as duas empresas. Segundo ele, no estágio atual da Clovers, Okami 2 é o que a equipe consegue lidar, mas conforme o estúdio crescer, ele não descarta trabalhar em outras propriedades da Capcom no futuro, incluindo possivelmente a própria Resident Evil.

O timing da brincadeira de Kamiya é interessante. A Capcom está num dos momentos mais intensos de produção da franquia, com Resident Evil: Veronica anunciado no Summer Game Fest deste mês e a confirmação recente de que não há planos imediatos para remakes de Resident Evil 5 e 6.

Num momento em que a série segue investindo pesado na linha de horror puro que a consagrou, a ideia de Kamiya funciona como contraponto bem-humorado, mas também como lembrete de que ele, um dos nomes mais respeitados por trás da identidade original de Resident Evil, sente falta de espaço para experimentar fora do gênero que ajudou a criar.

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