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Crítica | Aniquilação – Um Filme feito para ver nos Cinemas

A nova conquista de Alex Garland.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
12 de março de 2018 · 6 min de leitura
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Alex Garland é um nome que rapidamente vem se fincando como um dos mais interessantes na Hollywood contemporânea. Após uma carreira sólida como roteirista em longas de Danny Boyle como Extermínio, A Praia e Sunshine: Alerta Solar, Garland estreia como diretor no fantástico Ex Machina: Instinto Artificial, longa original que oferecia uma abordagem inovadora para conceitos já explorados diversas vezes no gênero – recebendo até mesmo atenção da Academia ao ser indicado e premiado com alguns Oscars. Naturalmente, as atenções do público e da indústria se voltam para Garland quando este anuncia a adaptação de Aniquilação como seu próximo projeto, já com um orçamento e elenco estelar. Com toda essa pressão, não é surpresa que o longa sophmore de Garland fique abaixo de sua estreia, mas também mantém o nível de sua execução.

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A trama adapta o primeiro livro da trilogia Southern Reach, de Jeff VanderMeer, centrando-se em um estranho fenômeno que rapidamente vai se alastrando em uma floresta americana: luzes fortes como uma aurora boreal irradiando, sem qualquer explicação, e que foi se alastrando ao longo de três anos após ter se iniciado em um faroleiro. Todas as equipes enviadas para investigar a origem de seu acontecimento simplesmente desapareceram no interior da floresta, com apenas o soldado Kane (Oscar Isaac) retornando gravemente ferido. Então, sua esposa cientista, Lena (Natalie Portman) se junta a um novo grupo, formado apenas por mulheres, para adentrar na floresta e descobrir sua origem.

Em muitas maneiras, Aniquilação parece um híbrido de diversos filmes do gênero. Traz elementos de A Ilha do Dr. Moreau no que diz respeito à mistura de diferentes DNAs, aposta na estrutura não linear e na investigação científica vista no recente A Chegada e também aposta no mesmo tipo de onírico e surreal que marcaram presença no clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço e no esquisito Sob a Pele; aliás, provocar a estranheza será algo no qual Garland será particularmente eficiente aqui. Dessa forma, o roteiro de Garland não é dos mais originais, e o fato de tomar tanto emprestado do longa de Denis Villeneuve – que tem meros dois anos de lançamento – é algo que reforça o sentimento de deja vu, seja na áurea misteriosa do governo e cientistas em torno do evento, seja pelo protagonismo feminino; aqui, louvável por ser uma equipe formada inteiramente por mulheres.

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Tal decisão garante um elenco fantástico, com a sempre excelente Natalie Portman liderando a equipe que traz ainda as ótimas Tessa Thompson, Jennifer Jason Leigh, Tuva Novotny e Gina Rodriguez – ainda que esta última acabe dando vida ao tipo de personagem que Michelle Rodriguez está acostumada a interpretar, sendo uma coincidência gigantesca que ambas as atrizes não sejam relacionadas. Porém, o roteiro de Garland tem sua parcela de problemas. Diversos diálogos pecam pela exposição exagerada e a autorreferência, como se estive dando um tapinha em suas próprias costas por trazer uma equipe feminina, quase remetendo ao reboot de Caça-Fantasmas. Acaba ficando pior quando o texto claramente subestima o espectador ao oferecer falas expositivas e clichês, como quando a cientista de Tessa Thompson atesta que aquele ambiente “tem DNA de plantas, o DNA de animais… Todos os DNAs”, apenas para que Rodriguez pergunte “do que ela está falando?” e Leigh obviamente responda com “DNA humano”.

Mesmo com esses deslizes na forma como suas personagens comunicam-se, o que jaz sob a superfície de Aniquilação, assim como o quadro gerald de sua narrativa, é algo impressionante. Estamos diante de mais um longa que vai provocar discussões e teorias sobre sua conclusão, que precisam ser discutidas detalhadamente para fazerem sentido, com espaço para análises sobre o suicídio, o casamento e uma questão ambiental.

Como diretor, a transição de Garland continua admirável. Os momentos de silêncio e estranheza de Ex Machina se preservam aqui, com o diretor agora mirando uma atmosfera pesada e incômoda, onde o medo do desconhecido toma conta da narrativa. Visualmente, novamente vemos seu apreço por cores pouco contrastadas, que facilitam o uso de efeitos visuais de apoio muito eficientes, mas que aqui soam artificiais pelo sobreuso: alguns animais e criaturas acabam parecendo falsos demais, ainda mais quando toda a violência e o gore começam a pipocar, já que elementos reais e CGI acabam por não se mesclar com verossimilhança.

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A exceção, nesse quesito, fica por conta do assustador momento em que a equipe encontra uma gravação em vídeo deixada pelo último pelotão desaparecido. É uma cena tenebrosa, e que não seria exagero de ser comparada com o famoso momento do chestburster em Alien, O Oitavo Passageiro; é o mesmo nível de tensão, terror e surpresa, com a trilha sonora apavorante de Geoff Barrow e Ben Salisbury nos agarrando pelos ouvidos e sendo bem sucedida em nos deixar gelados de pavor; algo que a performance assustada de Oscar Isaac, com um olhar que transparece o desespero de um homem em tentar registrar aquele momento, na esperança de que outros vejam o que ele está vendo, comprovando sua lucidez, também acaba merecendo grande parcela do impacto.

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É uma combinação vencedora, a de Garland e sua dupla de compositores, e que ajuda a tornar o terceiro ato de Aniquilação um dos momentos mais inspirados que a ficção científica recente já teve no cinema americano, e que faz valer a visita ao longa. Os corais sombrios da dupla lembram muito a sinistra música de O Iluminado, e a maneira como Garland apresenta a grande “solução” do mistério é muito inventiva. Assim como David Lynch fez tão bem na nova temporada de Twin Peaks, Garland aposta em conceitos visuais que parecem bregas e risíveis à primeira vista (algo refletido, novamente, nos efeitos visuais medianos), mas que vão tornando-se profundamente perturbadores e incômodos à medida em que sua câmera insiste em enquadrá-los. A psicodelia também é outra característica forte no clímax, e que também remete ao estilo de Lynch, mas aproximando-se novamente de Kubrick em 2001.

No fim, Aniquilação é um bom filme que explora conceitos fascinantes de forma inspirada, mesmo que traga diversos clichês e algumas escorregadas em sua concepção visual. Porém, em seus momentos mais gloriosos, o longa certifica que o acerto de Garland em Ex Machina não foi acidente, comprovando que é um dos nomes mais promissores do momento.

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Aniquilação (Annihilation, EUA – 2018)

Direção: Alex Garland
Roteiro: Alex Garland, baseado na obra de Jeff VanderMeer
Elenco: Natalie Portman, Jennifer Jason Leigh, Tessa Thompson, Oscar Isaac, Gina Rodriguez, Tuva Novotny, Benedict Wong
Gênero: Ficção Científica
Duração: 115 min

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Tags: #Alex Garland #Aniquilação #Benedict Wong #Gina Rodriguez #Jennifer Jason Leigh #Natalie Portman #Oscar Isaac #Tessa Thompson #Tuva Novotny
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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