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Crítica | Bacurau – Kleber Mendonça se destacando entre os cineastas nacionais

acurau é um filme cheio de simbologia. Os panos levantados pelos moradores no primeiro ato, em alusão a morte de uma senhora que deu a vida pela vila

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
4 de setembro de 2019 · 5 min de leitura
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Desde a retomada do cinema nacional, com Carlota Joaquina (1995), dirigido por Carla Camurati, muitos diretores nacionais se consagraram no cenário nacional e internacional, dentre eles Walter Salles (Central do Brasil), Fernando Meirelles (Cidade de Deus), Bruno Barreto (O Que é Isso Companheiro?), e agora podemos dizer Kleber Mendonça Filho, diretor de Bacurau e que já havia feito um trabalho competente em Aquarius e em o Som ao Redor.

Kleber Mendonça gosta de usar temas do cotidiano e que afetam as pessoas como fator principal para a trama de seus longas. Em Bacurau (que também tem direção de Juliano Dornelles) o diretor mantém seu estilo, mas vai além ao criar uma distopia poucas vezes presenciada no cinema nacional. O diretor cria uma trama que surpreende por trazer uma discussão atual no cenário político e por dar margem a várias interpretações, tudo isso sem sair do roteiro, e mantendo o foco na narrativa.

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A trama gira em torno de um vilarejo remoto chamado Bacurau, o cotidiano dos personagens é mostrado de início, até que há uma reviravolta surpreendente no roteiro, em que estrangeiros aparecem se organizando para isolar a já isolada cidade do mapa, e assim fazer uma caça esportiva, mas com os habitantes da pequena vila. Uma ideia que beira a ficção, mas que tem algo de real no que é apresentado. Fica evidente que Kleber Mendonça e Juliano Dornelles quiseram debater o tema a respeito do estrangeirismo, de que tudo que vem de fora não é tão bom assim, e de que essa invasão, em certo ponto, causa danos a população regional, que é abafada por essa onda estrangeira, e perde suas origens.

Outro fato que é mostrado na película fica em relação a população se armar parar enfrentar um mal maior, e que é uma discussão presente no país. A população se une aos traficantes (que são apresentados realmente como pessoas sem escrúpulos) para ajudar a matar os estrangeiros. Essa é uma questão mais simbólica apresentada no filme, de que o brasileiro só se tem essa noção de união nacional quando alguma coisa está ou ameaçando a sua soberania ou quando se sente ameaçado por um outro grupo.

O vilarejo de Bacurau é apresentado, desde o início, como um lugar de terra de ninguém. Uma região de difícil acesso, com vários buracos pela estrada, acidentes na rodovia, homens armados fechando vias, falta água para a população, remédios e o principal: falta um poder público que faça algo de benéfico para os cidadãos. O Prefeito populista é um elemento bastante simbólico em um Brasil em que a força política só pensa em beneficiar a si e esquece do povo, um fato bastante forte na trama é quando o Prefeito entra na cidade com um caminhão caçamba e em vez de entulho há livros dentro dele, e os joga no chão como se fossem lixo.

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O ponto forte da produção são as interpretações. Sônia Braga está fantástica como uma médica que funciona como uma salvadora da pátria, Udo Kier dá um show como  o retrato do caipira americano fã de armas e impiedoso na hora de executar as ordens que recebe. A surpresa fica a cargo de Thomas Aquino, um ator de grande futuro, e que interpreta um homem envolvido em crimes e que tenta sobreviver ao massacre que vem pela frente. Outro destaque fica com Silvero Pereira, que interpreta o traficante e que tem uma parte importante na história, seu personagem é selvagem e cruel, mas também justo, e sua interpretação ajuda a dar força na recriação desse homem que está às margens da sociedade.

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Bacurau é um filme cheio de simbologia. Os panos levantados pelos moradores no primeiro ato, em alusão a morte de uma senhora que deu a vida pela vila, e que também significa a paz, os caixões simbolizam a morte que está para visitar a região, mas que também é uma alusão ao que ocorre por todo o Brasil. E o principal e que chama bastante a atenção fica em relação ao Museu, um lugar que concentra a história das pessoas que viveram no município, e que também guarda as armas históricas, uma clara opinião de que os diretores são a favor de deixar as armas em um Museu. O longa pode não ser um retrato fiel do que é o Brasil, mas se assemelha bastante com os acontecimentos que o brasileiro vive todos os dias, por isso sua fama se expandiu tão rapidamente pelo boca a boca. Fato é que Bacurau consegue focar no assunto e não fugir dele sem se perder na trama criada, e isso é um fato raro no cinema nacional, que muitas vezes se perde durante a história contada, coisa que o filme de Kleber Mendonça Filho não faz.

Bacurau (Brasil, 2019)

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Direção: Juliano Dornelles, Kleber Mendonça Filho
Roteiro: Juliano Dornelles, Kleber Mendonça Filho
Elenco: Udo Kier, Sônia Braga, Karine Teles, Barbara Colen, Chris Doubek, Alli Willow, Johny Mars, Julia Marie Peterson, Antonio Saboia, Thomas Aquino, Brian Townes
Gênero: Ação, Aventura, Mistério
Duração: 131 min.

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Tags: #bacurau #Cinema #Cinema Nacional #Kleber Mendonça Filho #Sonia Braga
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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