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Catálogo

Crítica | Belos Sonhos – Marco Bellocchio em grande estilo

Um filme competente

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
22 de dezembro de 2016 · 3 min de leitura
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A Mostra Internacional de Cinema de SP que começa dia 20/10 terá em sua sessão de abertura o filme do diretor italiano Marco Bellocchio “Belos Sonhos” (Fai Bei Sogni, 2016). Bellocchio é um diretor acostumado a levar para o cinema histórias humanas e com situações que são um espelho da realidade. Foi assim com seu filme A Bela Que Dorme que teve como tema central a discussão da eutanásia.

Na história, baseada no livro autobiográfico de Massimo Gramellini acompanhamos um garoto de nove anos que vive seus dias de infância com sua mãe e seu pai, mas algo parece chatear sua mãe, descobrimos que ela está doente.

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Bellocchio não está preocupado em contar qual doença, nem apresentar as causas de sua morte e sim em mostrar o relacionamento do garoto com sua mãe e como ele lida com o fato de um dia acordar e não mais poder a ver, abraçar nem conversar com ela. Não haverá mais presente nem futuro e sim um passado para se sonhar.

Belos Sonhos tem como tema a superação do processo de luto. Massimo se nega o tempo todo a aceitar que sua mãe se suicida, em sua fase adulta acha que já superou essa fase, mas isso não é verdade. Ele mente para si mesmo. E é isso que o nos filme apresenta, de forma rápida como se fosse um sonho o processo de superação do garoto e seu crescimento, desde a adolescência até a fase adulta como um jornalista de sucesso cobrindo desde guerras até desfiles. Esse processo de aceitação não é fácil, já que tudo no filme lembra a perda de sua mãe.

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A mensagem é clara, aproveite o tempo com sua mãe, nunca sabemos quando pode ser a última vez que a veremos. Bellocchio trabalhou muito bem a história, ela funciona em suas mais de duas horas e não é cansativo. Talvez algumas cenas poderiam ter sido retiradas na edição final. Em algumas partes parece que as cenas foram jogadas apenas para compor a história.

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A fotografia é essencial para o andamento da produção. Sempre quando sua mãe aparece na lembrança de Massimo as cores são reais, vivas e quando volta para sua realidade – não importa em qual fase de sua vida – tudo é escuro e triste. Essa luz só muda quando ele conhece uma enfermeira e esse fato de conhecer outro amor o faz começar a sua fase de superação. A frase final do filme é emblemática quanto a isso. Ela se aproxima de seu ouvido e diz “Deixe-a ir embora”. Massimo passou muito tempo pensando na morte de sua mãe que se esqueceu de viver sua vida.

Belos Sonhos é um filme sensível e que não perde a força em nenhum momento. Parece que Marco não quis chocar ou apelar para o lado emocional do espectador. Foi a escolha certa para a abertura da mostra. Filme tem data de estréia para o dia 29 de dezembro, mas sorte de quem puder assisti-lo com antecedência na mostra.

Belos Sonhos (Fai bei sogni, Itália, 2016)
Direção: Marco Bellocchio
Roteiro: Edoardo Albinati, Marco Bellocchio, Valia Santella, Massimo Gramellini (Livro)
Elenco: Bérénice Bejo, Valerio Mastandrea, Fabrizio Gifuni, Guido Caprino, Barbara Ronchi
Gênero: Drama, Romance

Duração: 130 min.

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Tags: #Bérénice Bejo #mostra de sp
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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