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Crítica | Blade II – O Caçador de Vampiros – O Poder de Uma Boa Direção

O melhor filme da trilogia.

Guilherme Coral
Guilherme Coral Redação
25 de janeiro de 2018 · 4 min de leitura
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A estreia de Blade nas telonas, apesar das críticas negativas, foi bem-sucedida comercialmente – o filme contava com inúmeros problemas, desde a direção, até atuações dramáticas e coreografias simplesmente terríveis. É claro que o dinheiro fala mais alto e o filme ganhou uma sequência quatro anos depois. Mas Blade II, felizmente, consegue se distanciar do primeiro, nos entregando não só a melhor entrada da trilogia, como um ótimo filme de ação. Evidente que o mérito vai para ninguém menos que Guillermo Del Toro. O diretor, ainda no início de sua carreira, já se destacara através de Cronos, e, portanto, já tinha certa experiência em obras sobre vampiros.

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Alguns anos após os eventos do primeiro Blade, o caçador de vampiros está em busca de seu mentor, Whistler (Kris Kristofferson), que, ao contrário do que acreditávamos, não morreu no longa anterior – ele fora capturado pelas criaturas da noite e movido de país em país, forçando Blade (Wesley Snipes) a entrar em uma caçada de gato e rato, ao lado de seu novo assistente, Scud (Norman Reedus, o Daryl de The Walking Dead). Não demora muito, porém, para o protagonista ser contactado pelos vampiros, que agora se preocupam com uma nova ameaça em comum, uma criatura que se alimenta tanto do sangue dos humanos, quanto dos outros sugadores de sangue. Dito isso, Blade passa a liderar uma equipe formada pelas criaturas que por tanto tempo ele caçara, a fim de encontrar esse novo ser.

Através da introdução desse novo vilão, o roteiro de David S. Goyer já se diferencia essencialmente do filme anterior. Forçando o personagem principal a se relacionar com um grupo de vampiros, a mitologia da franquia ganha novos ares e o texto aproveita para nos trazer alguns alívios cômicos através do personagem de Ron Perlman, que iniciara sua parceria com Del Toro no primeiro longa-metragem do diretor. O mais interessante de se observar na criação desse novo antagonista, contudo, é como seu visual fortemente inspirou a obra posterior de Guillermo, Noturno (The Strain), que inclusive ganhara uma adaptação para as telinhas mais recentemente. Com essa frágil aliança formada, a narrativa automaticamente se enche de tensão, visto que esperamos alguma traição de um dos lados a qualquer momento.

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Goyer ainda insere um bem construído plot twist nos momentos finais da obra, que, de forma curiosa, nos faz passar a torcer pelo vilão, Nomak (Luke Goss), por alguns instantes. Era de se esperar que algo assim aconteceria e, obviamente, Blade já sabia de tudo desde o início, mas através dessa inserção, a narrativa se renova, não se permitindo cair na ociosidade e mantém nossa atenção fixada na tela. É importante ressaltar que, embora não tão profundo, o antagonista demonstra uma maior construção e conseguimos nos relacionar mais com ele – ainda estamos falando de um vilão de filme de ação, mas, ao menos, entendemos o porquê de sua ira em relação aos vampiros.

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O verdadeiro mérito de Blade II, todavia, está em sua direção. Del Toro nos traz ótimas sequências mais agitadas, os enquadramentos favorecem os efeitos especiais e a iluminação permite com que eles se mesclem ao cenário, permitindo um bom envelhecimento do filme. Alguns trechos em CGI são, sim, perceptíveis, mas nada que consiga estragar nossa visão sobre a obra. O diretor consegue mesclar bem esses trechos, encadeando a computação gráfica com as coreografias, que, enfim, recebem o cuidado que merecem e nos entregam emblemáticas sequências de ação, cada uma bem diferenciada da anterior, ao ponto que não nos cansamos do filme em qualquer momento.

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Dito isso, o texto conta com alguns clichês, como a paixão do protagonista por Nyssa (Leonor Varela), o típico cenário de Romeu e Julieta, mas, felizmente, esses momentos são bem encaixados dentro da trama principal, não permitindo um devaneio maior do que realmente importa. Além disso, alguns maneirismos de Snipes continuam aqui, com movimentos excessivamente teatrais, que prejudicam nossa imersão. Ao menos, esses são consideravelmente menos presentes que no primeiro filme, permitindo que nos entreguemos mais naturalmente à narrativa.

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Através da direção de Guillermo del Toro, Blade II prova ser um longa-metragem muito superior ao original. Ele ainda traz alguns pequenos problemas, mas a diferença entre ambos chega a ser brutal. Temos aqui um ótimo filme de ação que envelheceu bastante bem, apesar de seu uso da computação gráfica. O personagem da Marvel Comics, enfim, recebe a adaptação que merece em um claro exemplo da diferença que um diretor faz para uma franquia.

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Blade II – O Caçador de Vampiros (Blade II – EUA/ Alemanha, 2002)
Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: David S. Goyer
Elenco: Wesley Snipes, Kris Kristofferson, Ron Perlman, Leonor Varela, Norman Reedus, Thomas Kretschmann, Luke Goss, Matt Schulze
Gênero: Ação

Duração: 117 min.

Tags: #Blade 2 #David S. Goyer #Guillermo Del Toro #Kris Kristofferson #Luke Goss #Norman Reedus #Ron Perlman #Thomas Kretschmann #Wesley Snipes
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Guilherme Coral
Escrito por

Guilherme Coral

Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.

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