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Crítica com Spoilers | Eternos – Quando a ambição e a representatividade falham

Não fede e nem cheira

Então… como é Eternos?! É ok. Aquele bom e velho resultado manufaturado que a Marvel garante para qualquer um de seus filmes. É tão interessante de se analisar quanto tão facilmente esquecível e maçante.

A única reação no final é de pura tristeza pelo que poderia ter sido em vez do que realmente é, uma concepção já bem comum com um novo filme MCU. Sendo dessa vez piorada pela mídia e pelas pessoas que tentam colocar o filme em um pedestal de discussões em torno de sua importância e resultado final que conseguem ser muito mais aborrecidas e desesperadas do que o próprio filme tentando dar sentido às suas próprias ideias e temas!

Apenas adentrando em outra onda de controvérsias que parece ter se perpetuado nessa nova fase quatro do MCU, com filmes e séries vindo em um vaivém de erros e acertos ao mesmo tempo que realmente tentando coisas novas.

Seja uma história sobre luto em Wandavision; um thriller político com temáticas raciais e terrorismo em Falcão e o Soldado Invernal; um conto existencial em uma escala “multiversal” em Loki; finalmente um filme solo para a Viúva Negra, que acabou nem sendo um filme dela; e um filme de ação/aventura de artes marciais em Shang-Chi.

Agora com Eternos você tem uma espécie de filme de super-herói da DC, que se passa na Marvel, com temas religiosos existenciais e criacionistas em volta dessas criaturas que são deuses entre humanos.

É tão bagunçado e pretensioso quanto soa! E ao trazer a recente grande vencedora do Oscar Chloé Zhao, antes mesmo dela ter conquistado duas estatuetas principais em melhor filme e direção, realmente parecia que estávamos tendo um diretor realmente trazendo o seu melhor de ambições, em busca de algo ousado.

Mas mais uma vez, a marca MCU restringe tudo que ela tenta trazer, e o resultado final é o que você obtém da mistura espremida entre a ambição da diretora e das restrições criativas.

Apostas altas, entregas baixas

Apresentar em escala expansiva o espectro Celestial dos quadrinhos da Marvel à essa altura parecia um pouco tarde, mas também razoavelmente com sentido, afinal o que poderia ser maior do que o titã Thanos e sua ameaça que traumatizou a todos com um estalar de dedos?!

Bom, os próprios Deuses da Marvel! E para expandir esse lado massivo dos quadrinhos para a telona eles apostam em mais um grupo desconhecido de heróis e apresentá-los para o público de hoje, e prontos para se tornarem novos favoritos dos fãs. Mas será que conseguiram?!

Para um grupo de 10 indivíduos principais, e tendo uma dinâmica mais séria entre eles, todos recebem o mínimo de tempo na tela para solidificar sua relevância no filme, o que é bom, e o filme leva seu tempo para apresentar cada um deles em momentos específicos da narrativa, e não fazendo com que pareça algo lotado e não se emaranhando em uma bagunça desorganizada.

Mas se você for comparar com outro filme da Marvel que introduziu um grupo totalmente novo de personagens desconhecidos e os transformou em ícones, basta olhar para os Guardiões da Galáxia que, embora tinham a vantagem de serem compostos por apenas cinco indivíduos, mas todos se apresentando extremamente dramaticamente integrantes da história de seu filme, e com você saindo amando cada um deles.

Enquanto aqui, se você conseguiu se apegar à alguns deles, bom para você, mas talvez você possa estar se forçando a isso, porque o filme não se preocupa em nada em explorar ou dar voz e escopo às suas personalidades.

O elenco é bom, como de costume, e eles claramente têm química e algumas de suas relações são doces, mas o tempo que passamos com suas interações é rasa.

Mas o filme realmente foi comparado a, ou melhor, mais parecido com o filme de Zack Snyder, seja por causa da semelhança até satirizada entre Ikaris e Superman, e o tipo de status da Liga da Justiça que os personagens carregam em sua dinâmica de deuses vivendo entre nós.

E talvez pelo um tom mais… “sério”, embora isso não faça muito sentido visto que o filme ainda é cheio das piadinhas Marvel que todo mundo já ficou cansado de esperar em ver nesses filmes. E essa comparação talvez soe apenas feita pelos motivos errados pois perde completamente a verdadeira semelhança que compartilha com a visão de Snyder sobre personagens de super-heróis.

Zhao por exemplo admitiu que ama um filme como O Homem de Aço de Snyder e a visão que ele teve para o Super-homem e a própria jornada do super-herói, aplicando uma estrutura muito semelhante da desconstrução dos heróis e seus mitos.

Contando suas histórias como seres poderosos como Deuses, tentando se encaixar nesta terra, até tendo a mesma estrutura de flashback de teor surreal de Homem de Aço é empregado aqui ao recontar as passagens do passado dos Eternos que os marcaram e construíram quem eles são, e usados para pontuais efeitos dramáticos ao longo da narrativa ao longo dos milênios em que eles viveram entre os humanos e interferindo na história.

Até o paralelo cristão construído ao redor deles, visualizando os Eternos como anjos caídos tendo que zelar por uma ordem divina que os precede – desde o primeiro momento que os vemos sendo criados e ganhando vida é quase como se estivéssemos assistindo o jardim do Éden dos aliens robôs, tendo suas próprias figuras de Adão e Eva representados em Ikaris (Richard Madden) e Sersi (Gemma Chan).

Conforme o filme avança, vemos como a sua própria existência sucinta essas reflexões, de Deus em várias formas, Deus em vários nomes, sua presença através de séculos criando mitos diferentes, guiando nosso desenvolvimento cultural e influenciando no progresso tecnológico e intelectual da raça humana.

Ao longo que eles testemunham nossos avanços, e o bem e o mal que somos capazes de fazer, eles se questionam sobre o custo do livre arbítrio da humanidade. Sem ele, somos meros escravos pacíficos, mas incapazes de progredir, mas com ele, somos livres para cometer todas as atrocidades e genocídios que se perpetuaram em nossa história. O que se leva aos fatores questionadores sobre: se Deus/Eternos é onipotente onisciente e onipresente.

É uma de algumas reflexões impactantes quando você toma noção do que a história sugere e implica na reformulação da história da realidade por detrás do MCU. Mas novamente… elas vem tardiamente e não ficam contigo como o filme e Zhao talvez gostariam que ficasse.

Pela sensação monumental criada ao redor deles, com os personagens sendo apresentados como maiores do que a própria existência, na escala de suas implicações no papel que eles carregam na criação do próprio mundo, mas não passam um terço dessa impressão do divino.

A grandiosidade do seu lore, repetidas vezes citadas no filme, parece retida, com medo de dar aquele passo além em mistificar suas figuras e tenta desesperadamente humanizá-las com traços vazios de relacionamentos amorosos tediosos e de zero química zero, e o bom e velho alívio cômico intrusivo.

Enquanto que seus efeitos, ações e presença nesse universo não se sintam nada de impactante, seu extraordinário é restrito ao ordinário, e sua jornada parece mais uma aventura vazia rumo à cumprir uma missão e preparar terreno para uma continuação que pode nunca acontecer.

O filme como um todo foi sem dúvidas outra das grandes apostas da Marvel, e o filme tenta se vender com sua suposta diferença particular dentre tantos outros filmes do MCU. Seja em sua narrativa mais (supostamente) introspectiva e reflexiva, tom mais dramaticamente focado, um ritmo mais lento, etc.

Enquanto que o filme, embora cercado de boas ideias e uma legítima boa direção em momentos específicos, soa apenas artificial e banal. Sacrificando seus grandes temas para fazer tudo ser apenas mais um capítulo na grande saga MCU.

Embora, nos questionamentos mais cerebrais que o filme tenta levantar, sobre a filosofia, mitologia e a natureza humana, ele encontre seus pontos mais interessantes e que causam sim um palpável diferencial!

Os Deuses da Marvel

Todo o debate interno que se solidifica em volta dos Eternos se encontra exatamente em cima de teorias como a de Epicuro que formulou o problema do mal: se Deus é onipotente, onisciente e benevolente, por que o mal existe – se os Eternos existem e são capazes de por fim ao mal, porque eles não agem?! A desculpa deles é agir apenas quando os Deviants estiverem envolvidos, mas a que custo humano?! Pois recebem ordens para não interferir na ordem natural humana.

Ou Santo Agostinho quando ele diz que: ‘Deus soberanamente bom, não permitiria de modo algum a existência de qualquer mal em suas obras, se não fosse poderoso e bom a tal ponto de poder fazer o bem a partir do próprio mal’ – O que de certa forma se relaciona ao arco dos Eternos em saberem agir conforme o que seu coração lhes diz.

Não só deixando uma ordem natural das coisas moldas as ações humanas, mas as deles também, certo ou erradas, onde até do mal e da perda, pode se dar fruto ao bem. – Se Ikaris em sua arrogância fanática não tivesse matado Ajak, os Eternos poderiam nunca ter se juntado novamente e evitado o surgimento do Celestial que teria destruído a Terra!

E também se encaixam em uma das provas de Tomás de Aquino, principalmente no: “Ser Necessário e Ser Contingente” – pois existem seres que podem ser ou não ser, chamados de contingentes, cuja existência não é indispensável e que podem existir e depois deixar de existir. Exatamente o que forma o fator constituinte de vida dos Eternos.

Ou melhor, é sobre sua luta de assim se tornarem, ao buscarem ser contingentes de fato e não ter sua existência fundamentada em nenhum outro ser acima deles – os Celestiais. É uma reflexão impactante quando você toma noção do que a história sugere, e não é algo surpreendente?! Um filme MCU que realmente faz você pensar sobre o que ele tenta discutir e explorar. Pelo menos por um tempo…

O filme tenta disfarçar seus diálogos expositivos de todo o lore mística por detrás do contexto dos Eternos e suas origens criados pelos Celestiais, como as (supostas) reflexões filosóficas, sendo tratados com verborragia pesada e contínua em questionamentos que lança no público, sobre criacionismo, o custo da sobrevivência de uma espécie, o verdadeiro valor de criação e exterminação frente à um universo cuja magnitude nos visualiza apenas como mera partículas, e qual será o valor real dessa partícula se manter viva. E o conflito que se desperta entre eles sobre o Celestial que está para despertar, que precisa consumir vida inteligente para nascer, e procriar com novas criações de novas estrelas e galáxias perpetuando a vida no universo.

Tudo acaba girando em torno do que realmente significa ser humano e do valor da própria vida diante dos parâmetros que definem a existência mística e religiosa, e a fé em símbolos que regem cegamente nosso destino e pregada ao fanatismo. O confronto definitivo dos Eternos é chegar a um ponto onde eles desafiam o destino e a fé ao confrontar a vontade de Deus!

Se Ikarus acredita em Arishem – o principal governante celestial, como uma entidade divina racional, exato e indiscutível que deve ser obedecido, não importa o que, Sersi é alguém que questiona essa ideia e tenta experimentar o divino, o valor de sua missão astral através do sentimento e da vida entre os humanos com quem ela partilha pelo puro sentir.

Dois lados distintos de perceber Deus e seu poder tangível em nossa existência, o crer e o sentir. Novamente, tudo isso é EXCELENTE material, e algo que vem diretamente dos quadrinhos originais de Jack Kirby de maneira bastante fiel, mas nunca faz uso pleno dessa dicotomia de maneira realmente desafiadora e com peso dramático adequado.

Apenas mas sustentados pelo talento de seus atores que trazem peso e emoções ao material e aos personagens que lhes são dados, apesar de alguns que se sentem apenas entregar uma nota, nada notável, presos a arquétipos particulares, que se estendem desde: o líder sábio e figura paterna/materna em Ajak de Salma Hayek (completamente subutilizada); a que sofre de trauma – Thena de Angelina Jolie; aquele que carrega uma crise existencial e de identidade – Sprite de Lia McHugh. Não que haja algo de errado em agirem em torno disso, mas é a própria forma de expressarem todo o conflito e os sentimentos envolvidos verbalmente, mas quase nunca demonstrá-los!

Até funciona em alguns casos como o alivio cômico em Kingo, de Kumail Nanjiani, que além de ser instantaneamente engraçado, também se mostra dividido entre sua vida de mortal, mas também não querendo interferir nos desígnios dos Celestiais (na vontade de Deus). E suas interações metalinguísticas com seu mordomo/assistente Karun (Harish Patel) enquanto eles filmam um documentário sobre os Eternos, e literalmente em uma cena depois de tantas tensões dramáticas ele diz: “precisamos de algumas cenas de ação” e bum, ela começa! E Zhao vindo de uma carreira de documentários, parece até um meta-comentário sobre o que ela está fazendo aqui, enquadrando os heróis em uma ótima mais intimista e documental (ou pelo menos tentando).

Ainda temos o personagem brutamontes, mas com um coração mole em um muito breve Ma Dong-seok como Gilgamesh, mas que novamente ganha alguns pontos positivos em sua performance bem sincera em suas cenas com Thena de Jolie, embora seja outro do elenco que se sente um pouco desperdiçado; o ranzinza misterioso de Barry Keoghan como Druig que na verdade esconde um bom coração e intenções por detrás de algumas de suas ações um tanto obscuras em seu controle mental sob humanos; e o pacifista em Brian Tyree Henry como Phastos, que ama a humanidade porque vê o que há de bom nela através de sua família – e facilmente sendo os quatro personagens mais interessantes de todo o filme (além de Karun, é claro)! E ainda tem a Makkari (Lauren Ridloff) que é veloz e muda (eles nem se importaram em dar a ela qualquer complexidade relevante fora de alguma pureza e simpatia).

Mas aí tentar construir dois protagonistas centrais em volta desse tipo de personalidades de uma nota só, complica muito. Como a líder altruísta de Sersi  e o personagem arquétipo de Superman/Homelander todo poderoso de Ikaris, cujos únicos traços de personalidade e caracterização que eles recebem para se construir algum mínimo de nuance ou complexidade, gira em torno de seu relacionamento amoroso que parece quase vazio em química.

Enquanto Ikaris até acaba confrontando um conflito com sua própria relação com os humanos, onde ele vê sua importância e bondade através de seu amor verdadeiro por Sersi, o que leva à sua virada redentora no clímax; Sersi por outro lado se sente completamente vazia e sem qualquer substância, tanto que a única coisa que você acaba sabendo sobre ela no filme é que ela é viciada no celular e namora o Jon Snow (Kit Harrington) cujo nome verdadeiro você nem se lembra e só está no filme para definir futuras aparições em filmes MCU.

Mais do velho mesmo

O mesmo pode facilmente ser dito do filme como um todo, com as mesmas velhas características de qualquer filme anterior da Marvel, especialmente os minions em CGI da vez, os Deviantes, que se você pensou que já teriam se desgastado por agora, eles voltam com força total aqui. E novamente cumprindo seu papel de serem buchas de canhão para os heróis saírem batendo, com um design tão feio e genérico que dói, e o filme ainda tem a coragem de cumprir a tendência mais velha e ultrapassada por essa altura da indústria de meter a maioria das cenas com as criaturas em sequências noturnas só para esconder o quão limitado os efeitos são, e o quanto eles são antagonistas impalpáveis e sem peso.

O filme até tenta encaixar um propósito trágico para eles em relação à sua criação pelas mãos dos Celestiais, assim como os Eternos, monstros Demônios caídos na terra tentando se consumir dos humanos, mas apenas tentando sobreviver como espécie, mas nunca vão a lugar nenhum com isso. E apenas fazendo com que o filme pareça mais do mesmo comum, coordenando tudo rumo a mais um evento do fim do mundo e uma abundância de humor explosivo.

Zhao até tenta trazer umas cenas de ação que seguem um estilo Dragonball Z nível de deuses lutando que são até legais, mas é também onde o CGI vai além dos seus limites e o que fica visível na tela é apenas um bando de bonequinhos de borracha coloridos batendo uns nos outros dentre movimentos frenéticos de câmera.

Enquanto a narrativa segue tentando disfarçar o mesmo bom e velho filme da Marvel com novas e “ousadas” ideias, fazendo membros da equipe de fato morrerem pra valer; há traições com motivações dramaticamente para sustentá-las; conflitos pessoais tangíveis postos em um confronto em grande escala.

Onde no final não há um vilão no centro de tudo, apenas conflito de interesses e perspectivas em face de sua crença e obediência à força divina acima deles. Parece novo e um tanto inventivo, mas no final, todas as traições, mortes e conflitos dramáticos que tenta vender um grande resultado catártico emocional no clímax, valem pra nada e são rapidamente esquecidas no final, já que o filme carece de todo o coração para sustentar as emoções que ele quer extrair!

Apesar dos personagens até serem bem pensados e atuados, alguns deles poderiam facilmente ser cortados do filme e não fariam falta alguma. O filme segue tanto essa lógica que não só descarta prematuramente alguns personagens ao longo do filme, seja ou os matando, ou completamente os descartando do clímax. Mas disfarça isso ao dizer que todos são de extrema importância e relevância para o plano dar certo. E você como público só acaba se sentindo mais traído e tratado como estúpido como se não fosse notar as incongruências que o próprio filme cria para si, e a bagunça cai por terra!

Políticas e Representação

Mas tudo piora quando vamos para o outro ponto de foco do filme… sua política. Bem, não a política tratada no filme, porque basicamente não há nada fora de seus paralelos e discussões religiosas, que basicamente resume sua complexidade à quase um discurso ateu sobre aprender a acreditar no palpável e não no misticismo fanático.

Até encaixa discussões abordando as consequências da superpopulação no mundo; genocídio histórico do colonialismo marcado na história da humanidade, mais especificamente pondo em contas já muito bem marretadas e estabelecidas na sétima arte, nunca fugindo muito da linha de raciocínio mais clássica: afinal é Ikaris o grande vilão da história.

Ótimo, mas fazer escolhas progressistas é o verdadeiro problema de Eternos?! Ou melhor, por fazer essa escolha de realizar um filme com mais diversidade representativa, desencadeou o fandom e o público tóxicos, e essa é a única razão pela qual o filme está indo mal de críticas?!

De fato é impressionante, porque parece que só agora os grandes portais de crítica e notícia notaram que as produções da Marvel Disney seguem a mesma estrutura pasteurizada que os filmes da Marvel seguem, de ritmo picotado,  humor galhofa para cortar tensão e se auto satirizar, escrever os mínimos elementos narrativos de drama para surtir um efeito de emoção momentâneo e soar para o público como algo extremamente profundo mas que logo são esquecidos na saída do cinema.

Será que a fórmula finalmente já se desgastou?! Não, ainda há quem defenda e analise a relevância sociocultural que esses filmes podem trazer com seus fortes elementos de representatividade progressista sendo que se trata de algo bastante difundido que não causa mais o mesmo impacto que causaria no começo dos anos 2010.

E não, NÃO, a má recepção do filme é tudo menos porque o filme é dirigido por uma mulher como muitos afirma. Viúva Negra há menos de três meses e é um filme terrível, mas foi aclamado nos mesmos sites que todos agora decidiram jogar no lixo e questionar a legitimidade!

No mínimo, o filme falha porque Zhao não teve nenhum controle criativo real sobre a história e o filme em geral. Isso é o que um diretor sempre tem que enfrentar enquanto tem que trabalhar em frente a um comitê de produtores executivos liderados por Kevin Feige que organiza esses filmes antes de qualquer diretor que tenha algo a dizer ou fazer em sua visão, apenas tendo que trabalhar como um supervisor técnico dentro de um algoritmo corporativo.

Se as pessoas realmente tivessem assistido à filmes da diretora, como The Rider ou Nomadland, e viram como seu estilo busca orbitar o íntimo da existência dos personagens, documentando uma realidade e extraindo a poesia do banal. A coisa mais próxima que Eternos chega disso é em como… bem, o filme tem sim aquele aspecto seco e acinzentado de um documentário tentando evocar uma contemplação visual com um toque meio Terrence Malick, mas recheado de efeitos CGI e raios amarelos atirando pra todos os lugares.

Preocupação Fajuta

Eternos tem temas e personagens interessantes e é bem entretido com todos os elementos que estão aqui para fazer algo muito mais grandioso do que é, e a sensação que deixa para a maioria do público é de um ótimo filme, mas talvez ótimo pelo que poderia ser, e não pelo que realmente é. Em última análise, é insípido e inconsequente, mas não muito vazio por causa das performances sólidas, escala ambiciosa, ideias intrigantes e personagens interessantes, que tornam o filme até um pouco atraente, mas, no final das contas, muito falho!

Nem mesmo sendo um filme especial de fato para criar toda essa confusão em torno dele. Com absoluta certeza não é ruim quanto muitos estão dizendo, mas muito menos tão mal compreendido e brilhante como os outros afirmam.

É apenas tonalmente confuso, que pula variando entre drama pesado e humor galhofa, e tentando lidar com romance, rivalidade, amizades, segredos, traições, dilemas morais, eventos históricos, comédia, camaradagem, traumas emocionais; mas fazer com que cada um desses elementos se sinta palpável e emocionalmente envolvente, não é o caso.

Eternos (Eternals, EUA – 2021)

Direção: Chloé Zhao
Roteiro: Chloé Zhao, Patrick Burleigh, Ryan Firpo, Kaz Firpo
Elenco: Gemma Chan, Richard Madden, Angelina Jolie, Salma Hayek, Kumail Nanjiani, Brian Tyree Henry, Richard Madden, Lia McHugh, Lauren Ridloff, Barry Keoghan, Ma Dong-seok, Bill Skarsgard
Gênero: Aventura
Duração: 154 min

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Publicado por Raphael Klopper

Estudante de Jornalismo e amante de filmes desde o berço, que evoluiu ao longo dos anos para ser também um possível nerd amante de quadrinhos, games, livros, de todos os gêneros e tipos possíveis. E devido a isso, não tem um gosto particular, apenas busca apreciar todas as grandes qualidades que as obras que tanto admira.

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