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Crítica | Convenção das Bruxas – Um remake sem alma nem grandes pretensões

Na realidade, Convenção das Bruxas foi feito para novos espectadores que não cresceram assistindo ao clássico da década de 90,

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
20 de novembro de 2020 · 5 min de leitura
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Convenção das Bruxas é um clássico dos anos 90, dirigido pelo cineasta Nicolas Roeg e que vinha da direção de filmes dos mais variados gêneros na década de 70, um deles é o terror Inverno de Sangue em Veneza (1973). Em The Witches (nome original do filme) o diretor conseguiu criar uma obra que assustou inúmeras crianças na época (e assusta até hoje), com elementos simples do terror, com o suspense de quem são as bruxas, o horror que elas praticam às crianças, e o próprio aspecto físico em si das bruxas. Sempre se falou sobre um remake de Convenção das Bruxas e ela foi feita, mas essa nova versão perde muito da alma de que tinha o longa original.

A produção original é uma adaptação do livro de Roald Dahl, o autor já teve obras adaptadas para o cinema como O Fantástico Sr. Raposo (2009) e O Bom Gigante Amigo (2016).  Obviamente que o novo filme de Convenção das Bruxas traz algumas diferenças na história em relação a trama original, mas o problema nem é isso em si, pois mudanças sempre são bem vindas, até porque há alguns problemas de roteiro que o longa original deixa bastante a desejar que poderiam ser modificados na nova versão ou até mesmo melhorados, mas na realidade o que aconteceu foi bastante diferente.

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Com direção de Robert Zemeckis, cineasta responsável por filmes clássicos como Contato (1997) e Náufrago (2000), o que se esperava era que o filme, pelo menos, mantivesse os alicerces que fizeram desta produção o grande sucesso que foi no passado, mas o diretor realizou várias modificações no roteiro que irão saltar aos olhos dos fãs. Algumas delas já no primeiro ato e que dão outro andamento para a narrativa, não há mais a garotinha presa dentro do quadro, um elemento de terror no longa de 1990 e que valia a pena adaptar para a nova versão, mas que foi deixada de lado. Outra mudança se dá pelo fato do jeito que a avó Grandma (Octavia Spencer) conta a história para seu neto (Jahzir Bruno), não há mais a emoção nem os elementos de tensão  e medo quando são mencionadas as bruxas para o garoto pela primeira vez, algo que se via no original e que aqui parece tudo muito artificial. Tudo isso se perdeu por que o diretor quis fantasiar demais e não soube como recontar a história.

É natural que o roteiro traga muitas mudanças e elas são bem-vindas no sentido que acabam por tapar certos buracos deixados pela versão anterior, só que o longa deixa outras lacunas e esquece a que veio de fato. O filme tenta trazer novas situações que acabam por não dialogar com o público da maneira certa. o próprio ato final é uma perda de tempo sem tamanha, havia uma grande expectativa se as crianças continuariam transformadas em ratos para sempre e o diretor as frustra de forma banal, faz isso apenas para fazer um final diferente e possivelmente pensando em uma sequência.

Zemeckis vem realizando entre seus últimos trabalhos obras que não vem agradando muito o público e a crítica casos de Bem-vindos à Marwen (2018) e Aliados (2016), e em Convenção das Bruxas ele co-assina o roteiro ao lado de outros roteiristas conhecidos, como Kenya Barris (Um Príncipe em Nova York 2) e Guillermo del Toro (A Forma da Água). O diretor não faz um trabalho tão surpreendente desde Náufrago, apenas algumas produções competentes, caso de A Travessia (2015), mas falta algo para o diretor voltar a se reinventar ou retornar com um filme impactante.

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A direção de Zemeckis é competente e mesmo derrapando no roteiro utiliza de elementos visuais que ajudam ao espectador a interpretar a narrativa. O visual das bruxas está menos grotesco e não se utilizou muito de atrizes anciãs para os papeis das personagens, isso para acabar com o estereótipo de que bruxas não são necessariamente idosas. O que faltou mesmo foram mais cenas de suspense. Houve muitas oportunidades em que o diretor poderia ter trabalhado esse cenário, mas preferiu ir pelo lado aventuresco da história.

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Na realidade, Convenção das Bruxas foi feito para novos espectadores que não cresceram assistindo ao clássico da década de 90, e a ideia de realizá-lo era justamente de construir um novo público e meio que ignorando o antigo que cultuava a versão mais conhecida. O filme de Zemeckis não tem grandes atrativos, é fraco de novas idéias e não tem pretensão alguma de ser um filme fantástico, algo que fará com que muitas crianças e adolescentes de outras gerações passem a não adorar a produção com o tempo, na verdade é bem provável que o longa se torne esquecível com o passar dos anos.

Convenção das Bruxas (The Witches, EUA – 2020)

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Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis, Kenya Barris, Guillermo del Toro, Roald Dahl (livro)
Elenco: Chris Rock, Jahzir Bruno, Octavia Spencer, Anne Hathaway, Stanley Tucci, Brian Bovell, Miranda Sarfo Peprah, Orla O’Rourke
Gênero: Aventura, Comédia, Família
Duração: 106 min.

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Tags: #Anne Hathaway #Chris Rock #Convenção das Bruxas #Octavia Spencer #Robert Zemeckis
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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