em , ,

Crítica | Escape Room 2: Tensão Máxima – Diversão Macabra

Os jogos fazem parte da civilização humana há muito tempo. Os mais conhecidos jogos da antiguidade foram aqueles que aconteceram no Coliseu, na Itália – Sim, aquilo era considerado um jogo – e desde aquele período até os dias atuais estamos cercados por diversos tipos de games. Jogos para videogames, esportes em geral e as famosas salas de escape room compões os jogos modernos, sendo que o escape room é um jogo bastante popular por colocar pessoas em uma sala temática com a finalidade de descobrir os seus desafios e assim sair do local o mais rápido possível. A s salas são muito atraentes, o que faz com que seja uma diversão de primeira.

Não à toa surgiu um filme com o nome desse game, que recebe uma sequência tão interessante quanto o primeiro. Escape Room 2: Tensão Máxima (Adam Robitel), é uma continuação básica, pensada para criar uma possível franquia nos cinemas e que segue o modelo e a estrutura narrativa do longa anterior, mantendo a pegada e acrescentando novos atrativos ao roteiro, como métodos diferentes de matar os participantes, acrescentando armadilhas fatais e produzindo um espetáculo sinistro para os fãs do gênero.

O Jogo Continua

Pelo jeito que terminou a versão anterior era bastante óbvio que teria uma continuação, que até demorou para sair do papel levando em conta o sucesso que foi o primeiro longa. Retornam para a sequência o diretor Adam Robitel (Sobrenatural: A Última Chave) e a dupla de protagonistas interpretados por Taylor Russell e Logan Miller. O mais interessante é que o cineasta não tentou inventar uma nova trama com protagonistas diferentes, continuou a história do primeiro, dando uma encorpada boa no roteiro, fazendo com que os personagens Zoey Davis e Ben Miller procurassem os responsáveis por criar esses jogos cruéis pelo mundo. De início essa ideia funciona bem, pois diferente de outras continuações feitas por Hollywood, em que pensam primeiro em mostrar alguma morte impactante para prender a atenção do espectador, há uma narrativa por trás que movimenta o filme para a frente.

Mesmo sendo praticamente igual ao anterior, Escape Room 2 tem um roteiro que funciona bem. O roteiro trabalha com eficiência a ideia de existir uma organização maquiavélica que pensa em fazer uma espécie de jogos mortais apenas por divertimento. É verdade que a ideia por trás de Escape Room lembra bastante a de um clássico do gênero, que é Cubo (1997), em que pessoas acordavam dentro de um cubo e precisavam encontrar um jeito de sair do local, com a diferença de que Cubo tinha uma premissa interessante, mas que os produtores não souberam fazer continuações atraentes e inteligentes, algo que Escape Room 2 conseguiu fazer muito bem.

Seria difícil assistir a essa sequência sem que o roteiro pelo menos mostrar um pouco mais sobre os organizadores desses jogos. O público espera por respostas e torcia para que elas viessem nesta continuação, algo que não acontece. Primeiro que se mostra os protagonistas fazendo uma investigação particular e depois a esperança de que as respostas viriam acabam sumido, pois logo que começam os jogos se esquece de esclarecer o que essa organização quer com esses jogadores (além da diversão) e quem está por trás destes games. São muitas perguntas e que ao terminar o longa acabam ficando sem uma solução, dando assim um gancho para outra sequência.

Franquia de Futuro

É notável que os produtores estejam transformando esta produção em uma franquia que deve se tornar um grande sucesso com o passar do tempo, isso se mantiver a pegada da trama original e não se desviar do foco central que inspirou toda a narrativa. Já no final de Escape Room 2 há um direcionamento para uma futura continuação e ela ocorre de um jeito estranho. Ficou claro que o diretor quis forçar a barra para dar um gancho que puxe a próxima história. Havia a possibilidade de terminar o longa de um jeito bem interessante e intrigante, mas o cineasta vai lá e apresenta outro plot twist bastante desnecessário e que ocorre no apagar das luzes.

Pensando na produção como uma futura franquia, fica a torcida para que em nenhum momento se cometam os erros de outra franquia de sucesso no cinema e que acabou se perdendo ao longo das inúmeras continuações, que é Jogos Mortais. O primeiro filme dirigido por James Wan é um clássico, o que se seguiu depois do primeiro longa foi apenas decepção, e Escape Room conseguiu, pelo menos nesta continuação, manter o nível e com a mesma estrutura de roteiro do primeiro e acrescentando certas mudanças que podem dar um direcionamento para a saga.

O diretor, mesmo errando a mão em não contar nada de novo e deixando a trama mais vazia do que já era, tem uma boa visão para filmar. Pelo menos os enquadramentos e o jeito que conta a história são feitos de um jeito que torna suportável acompanhar a aventura dos campeões, além de conseguir passar um suspense que serve para prender na frente da tela quem está assistindo, criando cenários bem elaborados e com mortes e armadilhas cruéis e criativas.

Escape Room 2: Tensão Máxima é entretenimento que funciona ao atingir seu público-alvo ávido por ver justamente o que o longa apresenta: mortes, suspense e aventura. Há um trabalho nesta sequência em querer destravar mais a história, mas acaba não andando para a frente ao não responder os vários mistérios que rondam a narrativa. É basicamente um repeteco com a mesma mensagem, de que no mundo há pessoas que pagam para ver outras pessoas morrerem, algo parecido com o que acontecia no show bizarro de O Albergue (2005), mas com a diferença de que em Escape Room quem assiste a esse show bizarro é o espectador, que acaba assistindo a essa diversão macabra e se entusiasmando com o resultado.

Escape Room 2: Tensão Máxima (Escape Room: Tournament of Champions, EUA, África do Sul – 2021)

Direção: Adam Robitel
Roteiro: Will Honley, Maria Melnik, Daniel Tuch, Oren Uziel
Elenco: Taylor Russell, Logan Miller, Deborah Ann Woll, Thomas Cocquerel, Holland Roden, Indya Moore, Carlito Olivero, Jamie-Lee Money, Tyler Labine, Isabelle Fuhrman
Gênero: Aventura, Horror, Mistério
Duração: 88 min

O que você achou desta publicação?

Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Crítica | What If…? – 01×06: O que aconteceria se… Killmonger tivesse resgatado Tony Stark?

HBO Max cancela série LGBTQ+ após uma temporada