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Crítica | Expresso do Amanhã – Uma viagem criativa e empolgante

Uma ficção científica subestimada.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
8 de julho de 2016 · 3 min de leitura
Crítica | Expresso do Amanhã – Uma viagem criativa e empolgante

Alguns filmes lançados recentemente parecem ter sido feitos com um espírito dos anos 80, como se seus realizadores fossem apaixonados pelos divertidos e cults daquele período glorioso. Mad Max: Estrada da Fúria é um belíssimo exemplo visto este ano, assim como a pérola infinitamente adiada e mantida mofando na geladeira da Playarte Pictures: O Expresso do Amanhã, uma obra forte, empolgante e reflexiva.

A trama é adaptada da graphic novel francesa Perfura-Neve, de Jaques Lob, Benjamin Legrand e Jean -Marc Rochette, onde a Terra é condenada a uma segunda era do gelo após uma tentativa frustrada do governo em acabar com o aquecimento global. Nessa distopia congelante, os sobreviventes vivem num grande trem que roda toda a superfície do planeta: o Snowpiercer. Dentro, a luta de classes começa a incitar uma rebelião, liderada pelo idealista Curtis (Chris Evans).

É uma ideia fantástica que só fica melhor com a presença do diretor sul-coreano (que nação, que nação…) Joon-ho Bong, que já nos presenteou com Mother – A Busca pela Verdade e O Hospedeiro, agora embarcando em seu primeiro filme de língua inglesa. Bong também assina o roteiro ao lado de Kelly Masterson, tecendo uma narrativa intensa e fortemente baseada na sátira política, especialmente quanto à luta de classes que já se estabelece na divisão dos vagões do Snowpiercer: os pobres e operários viajam no último, enquanto os mais ricos e importantes vão habitando os dianteiros.

Dessa forma, Expresso do Amanhã é um filme completamente dependente do excepcional design de produção de Odrej Nekvasil, que fornece a cada compartimento do grande trem uma personalidade distinta, que também se reflete em cores, fotografia e arquitetura: o vagão dos operários é sujo e obscuro, enquanto a “escolinha” é colorida e vibrante, passando também por uma balada e um grande aquário. Visualmente, é maravilhoso, e revoltante que Nekvasil tenha sido completamente ignorado pela Academia.

Chris Evans também se sai muito bem no protagonismo da trama, criando um sujeito visionário e de intenções nobres, mas nem por isso menos violento e sanguinário; o confronto entre o grupo de Curtis e a segurança do trem num apertado corredor sombrio é memorável. Tilda Swinton surge irreconhecível como a burocrata Mason, abusando de cartunescos dentes falsos e perucas exageradas para criar uma debochada representante da alta classe, cujo figurino também contrasta radicalmente com o grupo de Curtis. Estruturalmente, o silencioso personagem de Kang-ho Song rende uma subtrama não muito envolvente  quanto a principal, mas que revela-se decisiva para o surpreendente clímax.

Expresso do Amanhã é uma empolgante e inteligente sátira política, digna de algumas das melhores distopias já apresentadas no cinema, com um forte espírito dos anos 80.

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Expresso do Amanhã (Snowpiercer, EUA/Coréia do Sul – 2013)

Direção: Joon-ho Bong
Roteiro: Joon-ho Bong e Kelly Masterson, baseado na obra de Jaques Lob, Benjamin Legrand e Jean -Marc Rochette
Elenco: Chris Evans, Jamie Bell, Tilda Swinton, Kang-ho Song, Octavia Spencer, Ed Harris, Ewen Bremner, John Hurt, Ko Asung, Allison Pill
Gênero: Ação, Ficção Científica
Duração: 126 min

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Tags: #Chris Evans #Jamie Bell #Tilda Swinton
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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