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Crítica | Jogos Vorazes: Em Chamas – O melhor da série

A continuação que se justifica

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
8 de julho de 2016 · 4 min de leitura
Crítica | Jogos Vorazes: Em Chamas – O melhor da série

Ano passado, fiquei absolutamente surpreso com a qualidade de Jogos Vorazes, adaptação da obra distópica de Suzanne Collins. Lembro-me de ter apontado que uma de suas únicas falhas encontrava-se na conclusão da trama: em minha opinião teria sido perfeita a morte de seus protagonistas como desafio ao espetáculo midiático, invalidando a ideia de uma continuação. No entanto, novamente fui absolutamente surpreendido pela forma com que Collins e os realizadores conseguiram desenvolver a história com Jogos Vorazes: Em Chamas, aquela rara sequência tão boa quanto o original.

A trama se inicia um ano após os eventos do filme anterior, com a aproximação da 75ª edição dos Jogos Vorazes, que é celebrada através do chamado Massacre Quaternário – uma versão que envolve apenas os vencedores das edições passadas. Nesse cenário, encontramos Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) sofrendo violenta pressão do presidente Snow (Donald Sutherland), quando sua imagem começa a inspirar rebeliões e tumultos por toda a Capital. Além disso, ela encontra-se dividida entre suas relações forjadas com seu colega Peeta (Josh Hutcherson) e o amigo Gale (Liam Hemsworth).

“Ah não, triângulo amoroso na grande adaptação literária infato-juvenil, aí vem Crepúsculo novamente, salvem-se!” Não.

Felizmente, o roteiro de Simon Beaufoy e Michael Arndt (uma dupla de peso) toma a decisão de se concentrar nas intrigas políticas e em seu simples (mas efetivo) comentário social, deixando o triângulo amoroso entre os protagonistas no segundo plano. Não que a linha narrativa passe má desenvolvida (de certa forma, sim, já que o personagem de Hemsworth praticamente desaparece após o início dos Jogos), surge nos momentos apropriados com o tempo apropriado, resultando em uma relação estranha – algo benéfico para a trama, tornando irrelevante a necessidade de Katniss expressar sua confusão: o próprio espectador é capaz de perceber isso.

O grande mérito, no entanto, do texto da dupla oscarizada reside no eficiente tratamento fornecido às relações dos competidores, que aqui devem formar alianças durante o evento; mesmo que inevitavelmente tenham que matar uns aos outros no final. Por tal motivo, faz toda a diferença do mundo quando Haymitch (Woody Harrelson, sempre divertido) declara sua esperança de que uma das competidoras não sofra muito, pois “ela é uma mulher maravilhosa”. Afinal, são seres humanos.

Substituindo Gary Ross, o diretor Francis Lawrence (que será responsável pelos próximos dois filmes da saga) altera radicalmente a linguagem da franquia ao oferecer uma direção segura e firme. Literalmente, já que Lawrence descarta os excessos de câmera na mão de seu antecessor e opta por planos fixos e que valorizem o – agora grandioso – design de produção e as atuações de seu ótimo elenco, que conta aqui com valisosas adições.

Liderado pela talentosa Jennifer Lawrence, que continua comprovando seu carisma na trabalhada composição de Katniss (forte e até carrancuda normalmente, mas explosivamente desesperada em momentos dramáticos), Em Chamas se beneficia de interessantíssimos e multifacetados novos personagens: desde o carismático Finnick Odair de Sam Claffin, passando pela ousada Johanna de Jena Malone até o complexo Plutarch Heavensbee (da onde Collins tira esses nomes?) de Phillip Seymour Hoffman. Também fiquei surpreso em reencontrar Amanda Plummer, a Honeybunny de Pulp Fiction, em um papel relativamente grande.

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Superior ao primeiro filme em praticamente todos os aspectos, Jogos Vorazes: Em Chamas é uma sequência que desenvolve de forma inteligente os conceitos do original. Peca ao oferecer uma conclusão abrupta, em um enorme gancho que promete deixar a resolução para os próximos capítulos. Mas ao contrário de minha reação em 2012, agora estou genuinamente interessado em mais material desse fascinante universo.

Obs: Assim como o trabalho de Christopher Nolan na trilogia do Cavaleiro das Trevas, Francis Lawrence rodou E converteu diversas cenas do filme para IMAX. Se possível, assista no formato.

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Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, EUA – 2013)

Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Simon Beaufoy e Michael Arndt, baseado na obra de Suzanne Collins
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Jena Malone, Sam Claffin, Amanda Plummer, Jeffrey Wright, Lenny Kravitz, Stanley Tucci, Willow Shields
Gênero: Aventura
Duração: 146 min

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Tags: #Donald Sutherland #Francis Lawrence #Jeffrey Wright #Jena Malone #Jennifer Lawrence #Josh Hutcherson #Liam Hemsworth #Philip Seymour Hoffman #Sam Claflin #Woody Harrelson
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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