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Crítica | King’s Man: A Origem – Enterrando a Franquia

Quando Kingsman: Serviço Secreto estreou logo foi aclamado pelo público e pela crítica e não foi para menos, pois a produção dirigida por Matthew Vaughn trazia todos os elementos que um bom filme de ação necessitava ter, tinha reviravoltas, era violento, trazia um bom roteiro, bons personagens e um vilão carismático, algo que não ocorreu […]

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
23 de dezembro de 2021 · 5 min de leitura
Crítica | King’s Man: A Origem – Enterrando a Franquia

Quando Kingsman: Serviço Secreto estreou logo foi aclamado pelo público e pela crítica e não foi para menos, pois a produção dirigida por Matthew Vaughn trazia todos os elementos que um bom filme de ação necessitava ter, tinha reviravoltas, era violento, trazia um bom roteiro, bons personagens e um vilão carismático, algo que não ocorreu com sua fraquíssima sequência e que volta a não ocorrer no confuso King’s Man: A Origem.

O problema do longa que conta a origem da organização secreta de espionagem fica bastante claro, está em seu roteiro fraco, na sua direção sem vocação nenhuma em prender a atenção do espectador, e em uma montagem desarrumada, isso além dos vários personagens caricatos, principalmente os vilões que são completamente forçados e descartados facilmente.

Se a ideia era a de contar a origem da organização conhecida pelo nome de Kingsman, o tiro meio que saiu pela culatra, até porque o ideal da Kingsman no primeiro filme se mostra um e neste filme sua origem se mostra outra, ou seja, o roteiro não tem a mínima ideia do porque a própria organização foi criada.

Ao se trabalhar uma origem de algo é de se pensar que irá trabalhar os principais elementos que levaram aquilo ou aquele acontecimento ao desfecho que está acontecendo e não é isso que se vê em Kingsman: A Origem. Tudo o que é apresentado no longa é bagunçado, desde a história até os personagens e isso acaba espirrando no péssimo final que é a criação da organização.

O pior de tudo foi colocar como protagonista o personagem de Orlando Oxford (Ralph Fiennes), um homem que é pacifista e que trabalhou no passado para a Cruz Vermelha, e que terá a ideia de criar a Kingsman, meio aleatório e jogada a ideia, e o roteiro faz isso apenas para justificar como a organização foi criada, meio ridículo e feito às pressas, sem nenhum trabalho de desenvolvimento.

O roteiro continua trabalhando em cima de uma mensagem que já havia sido proposta em Kingsman: O Círculo Dourado, que é uma questão armamentista, e que volta à tona neste prólogo, com o personagem de Orlando Oxford. Fica claro a mensagem contra as armas e também contra a guerra, já que há um conflito evidente entre o protagonista e seu filho em não o deixar ir para o front guerrear em uma batalha sem sentido. A mensagem existe, mas novamente vai contra a mensagem proposta no primeiro filme.

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Ao assistir a este terceiro episódio de Kingsman, uma coisa ficou muito clara. Há um problema bastante evidente em relação a sua montagem, ou isso ou o filme foi muito mal estruturado enquanto foi concebido na hora que era roteirizado, porque até o segundo ato é um filme diferente, no terceiro ato volta a se tornar outra coisa. Totalmente confuso, não sabendo para onde vai, não tendo a mínima ideia de qual caminho seguir e nem qual fim que irá ter.

Depois dos acontecimentos envolvendo o personagem Galahad (Colin Firth) em Kingsman: Serviço Secreto, ficou óbvio que Matthew Vaughn não tinha um personagem de estimação e isso volta a acontecer novamente com outra reviravolta ao ser retirado de cena um dos possíveis protagonistas neste novo capítulo, algo que pode até soar banal, mas que não é surpreendente. Por falar em personagens mal utilizados, Rasputin foi um dos personagens que foram jogados fora neste novo filme, foi pessimamente mal utilizado, mesmo com a ótima atuação de Rhys Ifans, o vilão surge em um breve período do longa e desaparece rapidamente, é atrapalhado pelo péssimo roteiro e montagem, uma pena!

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Matthew Vaughn não é um diretor ruim, pelo contrário, tem bons trabalhos em seu currículo, como Kick-Ass: Quebrando Tudo e X-Men: Primeira Classe, mas não dá para entender o que o diretor vem fazendo com a franquia Kingsman, em um primeiro filme maravilhoso e que tinha tudo para ter ótimas sequências, mas que desperdiçou muito do seu ideal em uma continuação abaixo da média e que aqui chega praticamente a um caminho sem retorno, com uma origem patética.

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King’s Man: A Origem é uma tentativa falha de contar a origem da organização secreta e restabelecer um universo inserindo os maiores vilões da Terra em uma fictícia fantasia que não cola, colocando Lênin, Hitler e outros elementos malignos que possam ser usados em uma possível sequência. Fica a torcida para que essa continuação não aconteça, porque do jeito que a franquia caminha, está indo à passos largos para o fundo do poço.

King’s Man: A Origem (The King’s Man, UK, EUA – 2021)

Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Matthew Vaughn, Karl Gajdusek, baseado na hq de Mark Millar, Dave Gibbons
Elenco: Ralph Fiennes, Djimon Hounsou, Rhys Ifans, Daniel Brühl, Gemma Arterton, Harris Dickinson, Charles Dance, Matthew Goode, Alexandra Maria Lara, Bevan Viljoen, Valerie Pachner
Gênero: Aventura, Drama, Família, Fantasia
Duração: 131 min

Tags: #Djimon Hounsou #Gemma Arterton #Harris Dickinson #King's Man: A Origem #Matthew Vaughn #Ralph Fiennes #Rhys Ifans
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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