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Crítica | A Noiva de Frankenstein (1935)

A peça de resistência de James Whale.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
8 de junho de 2017 · 4 min de leitura
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Crítica | A Noiva de Frankenstein (1935)

Quando se fala nos monstros da Universal, falamos de atores que foram importantes por deixar essas figuras icônicas: Boris Karloff, Bela Lugosi, Lon Chaney Jr,etc.. Mas uma das grandes mentes por trás dessa fase é o diretor inglês James Whale que fez quatro filmes desse período. Começou com o grande sucesso Frankenstein de 1931, com Karloff interpretando o Monstro. Em 1932, Whale retorna sua parceria com o ator em A Casa Sinistra e em 33 cria outro monstro clássico da Universal, O Homem Invisível, baseado na obra de H.G. Wells. Dois anos depois, o diretor volta a revisitar o universo de Mary Shelley em A Noiva de Frankenstein (Bride of Frankenstein). O mais interessante dessa obra é que ele funciona até hoje, mostrando como James Whale merece crédito como um dos principais artistas dessa época.

A história se passa logos após os acontecimentos do primeiro filme, quando Mary Shelley (Elsa Lanchester) conta em uma festa que sua história não tinha sido finalizada. Conta que Henry Frankesntein (Colin Clive) e seu Monstro (Boris Karloff) sobreviveram ao incêndio. Enquanto o Monstro escapa e descobre o pior da humanidade, Henry reencontra Pretorius (Ernst Thesiger), um antigo colega de faculdade, que diz que Henry deve continuar os seus experimentos, já que os seus também tem demonstrado resultados interessantes.

O roteiro de William Hurlbut já se mostra bem econômico na sua abertura, deixando claro quem são os personagens para quem não viu o filme original. Outro ponto que o texto desenvolve muito bem são os personagens e seu subtexto. Enquanto há no núcleo de Frankenstein e Pretorius toda a discussão de criação e arrogância ao brincar de Deus, o do Monstro se mostra o mais emocionante. Por mais que ele mate pessoas inocentes, criamos uma empatia com ele por conta de seu drama: ele é uma criatura que só viu o lado perverso do ser humano, sendo que nunca aprendeu como utilizar os seus sentimentos. Isso é muito latente na emocionante sequência em que ele aprende mais sobre humanidade quando encontra um velho cego. Essas discussões, já presentes na obra de Shelley, enriquecem muito o filme e mostra como os realizadores entenderam o seu significado.

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A direção de James Whale é ótima. Além da elegância e do classicismo, o diretor utiliza muito bem elementos do expressionismo alemão. Já fica claro na direção de arte, que os cenários lembram – em termos visuais, não de conceito – um pouco dos vistos em filme como Metrópolis e Nosferatu. A iluminação dos atores com o rosto coberto por sombras marcadas é a que chama mais atenção. Whale junto com o seu diretor de fotografia John J. Mescall utilizam essa técnica só em momentos propícios, principalmente para demonstrar a loucura de Pretorius. Notem que a maioria das vezes que aparece, o cientista está iluminado de cima para baixo ou com metade do rosto não aparecendo, já mostrando que o personagem não é confiável. A dupla também se mostra muito feliz nos movimentos de câmera, que são muito precisos e só utilizados nos momentos corretos. Mostrando como Whale sabia como utilizar a linguagem cinematográfica ao seu favor.

Outro ponto que merece destaque é o uso de efeitos especiais. Ao evitar utilizar stop motion e só criando efeitos práticos, evitam que A Noiva de Frankenstein fique datado. Só notar no uso dos raios ou na excelente cena em que Pretorius mostra os seus experimentos que continuam muito bem feitas. Se hoje ainda chamam a atenção, imagine na época em que foi lançado.

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O elenco do filme se mostra muito bem, mas o grande destaque fica por conta de Boris Karloff. O ator utiliza a sua voz grossa e sua altura para ter uma presença ameaçadora, mas mostra vai pouco a pouco mostrando a partir dos seus gestos corporais que tem dentro dele uma humanidade genuína. É um trabalho muito rico de Karloff. Ernst Thesiger também merece destaque por evitar a caricatura e não mostrar Protorius apena como um louco, mas sim um homem cuja arrogância e ambição são mais assustadoras as do Dr. Frankenstein.

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Enfim, A Noiva de Frankenstein é um filme que não pode faltar para os fãs de terror. É um filme que mostra que James Whale é um nome que merece ser respeitado.

A Noiva de Frankenstein (The Bride of Frankenstein, EUA – 1935)

Direção: James Whale
Roteiro: William Hulrbut, baseado na obra de Mary Shelley
Elenco: Boris Karloff, Colin Clive, Valerie Hobson, Ernest Thesiger e Elsa Lanchester.
Gênero: Terror

Duração: 77 min

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Tags: #A Noiva de Frankenstein #Boris Karloff #Clássico #Expressionismo Alemão #Gótico #James Whale #Mary Shelley #Monstros Universal #Terror
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