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Crítica | O Motorista de Taxi – A Força do Cinema Sul-Coreano

Enfim, mesmo não sendo perfeito, O Motorista de Táxi é um belo exemplo da força do cinema sul-coreano.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
20 de outubro de 2017 · 3 min de leitura
Crítica | O Motorista de Taxi – A Força do Cinema Sul-Coreano

*Este filme foi visto na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

O cinema sul-coreano é facilmente um dos mais ricos da atualidade. Além de entregar filmes virtuosos dos pontos de vista técnico e narrativo, é um cinema que trabalha com os gêneros cinematográficos. E isso não é diferente em O Motorista de Táxi, que mostra como até mesmo um filme menor produzido pelo país é melhor que a maioria.

Baseada em fatos reais, a história se passa na capital Seoul em 1980, quando o taxista Kim (Kang-ho Soon) consegue, por meio de malandragem, a missão de levar um repórter alemão (Thomas Kretchman) à cidade de Gwangju para que filme a revolta feita pelo povo – principalmente por jovens – e a resposta violenta dos militares. Durante a experiência, além de Kim desenvolver uma amizade com o repórter, ele aprenderá a importância de uma luta pela democracia.

O primeiro ponto que merece destaque no filme é como ele muda de maneira natural de gêneros. No começo é uma comédia simples e leve sobre um egoísta que vive de malandragem e vai se tornando um drama realista e muitas vezes comovente sobre uma terrível realidade. Isso sem que o filme caia para armadilhas óbvias como maniqueísmo, pois todo o arco narrativo de Kim é muito bem construído pelo roteiro, evitando que o repórter seja visto como um grande herói e como o agente motivador para a mudança do comportamento do protagonista. Os personagens são muito bem construídos, pena que em alguns momentos o filme crie vilões para a trama, sendo que só mostrando as crueldades dos militares estava de bom tamanho.

A direção de Hun Jang também se revela acertada por essa mudança de gêneros e pela maneira crua com que retrata a violência da ação. O diretor se mostra muito competente em criar bons momentos de tensão e reflexão, tirando ótimas atuações do seu elenco. Mas exagera por criar três clímax no terceiro ato que acabam alongando demasiadamente o filme. Mas no geral é um trabalho muito competente e é preciso destacar como o diretor, junto com a fotografia naturalista, consegue criar momentos evocativos, em que há luzes nas cenas internas – algo muito inteligente.

Como já foi dito, o elenco está ótimo, com destaque especial a Kang-ho Soon, que rouba o filme em todas as cenas que está em tela. O ator demonstra uma ótima presença, grande carisma e é muito expressivo. Tanto nas cenas mais cômicas quanto nas mais intensas, Soon se mostra em pleno controle e oferece uma das atuações masculinas mais ricas do ano. Thomas Kretschmann também não faz feio, mostrando que tem um olhar muito poderoso e uma ótima química com Soon. Dos coadjuvantes, o jovem Jun-yeol Ryu, que interpreta o agente catalisador para as mudanças de ideais de Kim, se destaca não só pela presença e pelo carisma, mas pela juventude que representa e como expressa com integridade os seus ideais.

Enfim, mesmo não sendo perfeito, O Motorista de Táxi é um belo exemplo da força do cinema sul-coreano. Além de mostrar como o Cinema serve para que histórias envolventes e fortes como essa possam ser contadas e vista para uma nova geração.

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O Motorista de Táxi (Taeksi Woonjunsa – Coreia do Sul, 2017)

Direção: Hun Jang
Roteiro: Yu-na Eom
Elenco: Kang-ho Soon, Thomas Kretschmannn, Hae-jin Yoo, Jun-yeol Ryu e Hyuk-kwon Park
Gênero: Drama
Duração: 137 minutos

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Trailer:

Tags: #Anos 80 #Cinema Sul-Coreano #Ditadura #História #Mostra de São Paulo #Oscar #Thomas Kretschmann
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