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O vício pelas drogas é um tema bastante recorrente nas produções cinematográficas hollywoodianas, tanto em séries quanto em filmes. Histórias de pessoas viciadas já foram apresentadas dos mais diversos pontos de vista, sendo quase sempre mostrando como as drogas acabam com o circulo familiar dos envolvidos nesse drama ou como a dependência química acaba levando a pessoa para uma caminho sem volta.

É justamente este o caso de Querido Menino (Felix van Groeningen), em que um pai (Steve Carell) sofre o dilema de ter que lidar com a situação de ajudar o filho Nic (Timothée Chalamet) na luta diária contra o vício em anfetaminas. Um tema bastante sério e atual, tratado por Felix de uma maneira simples e dramática e que evoca o quão doloroso é a luta contra as drogas, e que não apenas o dependente químico sofre, mas também todos da família.

Praticamente toda a trama gira em torno da relação entre pai e filho e vai contando, em flashbacks, como era a relação dos dois antes do momento atual em que os dois se encontram, e depois corta para algum tempo mais a frente para dar uma dimensão de quão danoso foi o vício para o jovem Nic e para o pai. O jeito que essa relação é construída e desenvolvida é o que deixa o longa mais cativante e faz prender a atenção do público.

É um acerto o jeito com que o diretor trata essa relação entre pai e filho, nos mostrando o vínculo que os dois têm para depois nos contar como tudo vai mudando até chegar ao pior momento da relação, a ponto de não ser mais possível a interação entre os dois.  Tudo é apresentado de uma forma muito ágil dando um tom dramático nos momentos que se pedia essa abordagem e trabalhando de uma forma sensível os diálogos, e assim construindo ainda mais a idéia inicial de bom relacionamento, para depois jogar que tudo se desmanchou por causa do uso em anfetaminas de Nic. 

Outro acerto é contar a história quase que exclusivamente pela ótica do pai, acompanhando sua busca por entender o que são as drogas, quais as portas de entrada para esse mundo, além de mostrar suas várias tentativas em ajudar o filho. David Sheff, que é interpretado por Steve Carell, é um homem com um ótimo relacionamento com o filho, faz tudo por ele, tentando o ajudar das mais diversas formas. Isso é algo bastante interessante quanto a narrativa que foge do que estamos acostumados a ver em outras produções. Nico, o garoto, não é alguém que passou por uma infância traumática e que entra no mundo das drogas como válvula de escape. Aqui o diretor apresenta os fatos que levaram Nic ao seu estado atual. A mensagem do longa é a de ninguém está livre do vício das drogas, qualquer um pode entrar nele e depois para encontrar uma porta de saída é a coisa mais complicada de se conseguir. 

Por ser uma produção em que o drama é uma constante, há um trabalho significativo em não deixá-lo com uma carga triste o tempo todo. A idéia não é a de fazer o telespectador chorar e sim o de informar e mostrar a situação pela qual Nic e David passaram juntos. Ajuda bastante o fato do filme ser inspirado em uma história verdadeira, o que dá margem para sustentar a trama em fatos. O filme lembra bastante a produção Boy Erased, não em relação ao tema abordado, mas sim em como esse tema é passado para o telespectador.

Steve Carell (A Melhor Escolha) e Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome) estão ótimos como pai e filho. Tamanha é a sintonia entre os dois e tão bem desenvolvida que é apenas um ponto a mais em um filme com grandes acertos. Os dois personagens da trama não se perdem na interpretação em nenhum momento, pelo contrário, apenas acrescentam algo a mais ao filme. Steve Carell está melhor do que nunca como o pai que faz de tudo para ajudar o filho e Timothée, com uma de suas melhores performances, se sai com excelência no papel de filho que luta contra o vício.

Querido Menino não foca na violência física e brutal das drogas e sim na violência psicológica pela qual os familiares passam. Há algumas cenas que dão foco no que o garoto está passando, mas apenas para mostrar em como as drogas mudam uma pessoa para pior, isso em relação ao roubo, que geralmente, começam com pequenos atos criminais e depois passam para algo maior. A violência física não é necessária no longa, seria uma saída fácil para o diretor por dar mais ação e agilidade a trama, mas aí iria sair do foco real da história.

É uma boa produção que não apenas pensa em discutir o relacionamento dos pais quando presenciam a situação de ter um filho como dependente químico e qual a solução a ser encontrada para poder confrontar esse drama. Seu andamento, quanto a narrativa, é um pouco maçante em alguns momentos, mas isso não atrapalha em nada seu desenvolvimento. É uma boa história e que deve ser assistida e acompanhada por todos que curtem bons filmes.

Querido Menino (Beautiful Boy, EUA – 2018)

Direção: Felix van Groeningen
Roteiro: Felix van Groeningen, Luke Davies, David Sheff, Nic Sheff
Elenco: Steve Carell, Maura Tierney, Timothée Chalamet, Amy Aquino, Jack Dylan Grazer
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 111

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