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Crítica | Ron Bugado – Amizade Acima de Tudo

Com bastante frequência é mostrado nas produções hollywoodianas o surgimento de novas criações tecnológicas, que servem como ponto de partida para conceber roteiros mais criativos. A Disney já apresentou Baymax em Operação Big Hero (2014), um robô que ganhava a vida e transformava a rotina de um garoto. Muito parecido com Baymax, surge agora Ron Bugado, uma animação dos estúdios Locksmith Animation e que cumpre, se não de forma eficiente, mas sim divertida, a missão de entreter o público.

Distribuído pela 20th Century Studios, Ron Bugado é muito parecido a Operação Big Hero em alguns aspectos, desde a invenção do simpático robô conhecido pelo nome de B-Bot, que também acompanha um garoto em uma jornada de descobertas, até o desenvolvimento da narrativa, com a diferença de que a produção da Disney tem um roteiro mais inteligente e organizado.

Uma Nova Tecnologia

A trama da animação é bastante simples de se assimilar e parecida com muitas outras produções do gênero que surgiram recentemente, com um protagonista solitário, com dificuldade de interagir com as pessoas, e tendo um desafio a ser vencido. Barney Pudowski (Jack Dylan Grazer) é esse jovem, ele se sente deslocado no colégio, e isso se deve ao fato de todos os colegas de sua escola terem ganhado dos pais a nova moda ultra tecnológica entre os jovens, o B-Bot, uma inovação que serve basicamente para acessar redes sociais, receber likes e compartilhar momentos, nada de diferente que um smartphone já não faça.

Porém, Barney só recebe o seu B-Bot no seu aniversário, algum tempo depois de todos os colegas da escola, mas uma versão totalmente bugada e que tem em sua composição (ou não tem) uma ausência do algoritmo de controle, algo inexplicável para uma tecnologia e que não explica como que funciona sem esse comando do controle de suas funções.

Se o propósito de uma animação é o de se fazer rir, nisso, o roteiro escrito por Peter Baynham e Sarah Smith, acerta em cheio ao dar um toque de humor necessário para uma trama complexa. É evidente que esse humor vai se desgastando ao longo da narrativa e os diretores também fazem uma escolha equivocada de tirar o pé desse lado cômico, trabalhando no terceiro ato um ar mais dramático e sensível, dando assim uma virada total do roteiro.

Criticando o Sistema

O lado positivo do longa animado é o de justamente dialogar a respeito de um tema bastante atual que é o vício de se estar sempre conectado, de querer mostrar o dia a dia de forma ininterrupta e também o de ficar preso a um mundo virtual e esquecer que existe toda uma realidade para ser vivida e amigos e familiares para que se tenha uma conexão no mundo verdadeiro.

É uma crítica acertada e ela é feita de forma inteligente, sendo que são muitas questões apresentadas nos dois primeiros atos e que constroem toda a narrativa. Desde o processo de Barney começar a interagir com os possíveis novos amigos até o seu estranho relacionamento de amizade com uma máquina, que acaba lhe trazendo desafios e apontando caminhos para seguir adiante, sem precisar ficar preso a tecnologia para se desenvolver como pessoa.

Alguns buracos vão surgindo no roteiro durante o processo em que a história se desenrola, com Barney e Ron sendo perseguidos pela empresa responsável pelo B-Bot e também pelo início da amizade com os colegas da escola. Esses buracos passam batidos pelo público, pois não são situações que saltam aos olhos, são bem trabalhadas pelos diretores para maquiar essas indefinições do roteiro.

Mais do Mesmo

A direção compartilhada entre os cineastas Jean-Philippe Vine, Sarah Smith e Octavio E. Rodriguez surte um efeito imediato, com a trama sendo contada de forma eficiente, isso em um primeiro momento, no que diz respeito ao jeito em que a trama é contada, e na maneira de se desenvolver os personagens. Porém, depois da metade do segundo ato o filme se torna desequilibrado, repetitivo e chato em alguns momentos.

É a falta de imersão nos principais assuntos que deixa o roteiro raso, até porque haviam muitas questões a serem discutidas e que não foram aprofundadas, com tanta coisa sendo jogada na tela acabou por deixar as coisas sem foco e não tendo um desenvolvimento dos principais temas. Uma abordagem inteligente e que foi bem trabalhada foi em relação a amizade entre Barney e seus futuros amigos, de resto acabou por sendo uma tentativa de se debater um tema sério e atual.

Ron Bugado cumpre sua tarefa de entreter, não apenas o público mais novo, mas também os mais velhos, que irão gostar bastante da produção, pois o tema que o longa animado se propõe a contar é universal e também muito presente em nossas rotinas, como o vício nas novas tecnologias, a prisão das redes sociais e o julgamento frequente da internet. São questões relevantes e que devem servir de alerta e também de ensinamento para todos, principalmente para os mais jovens que estão entrando em uma fase de autoconhecimento e de descobertas.

Ron Bugado (Ron’s Gone Wrong, EUA – 2021)

Direção: Sarah Smith Jean Philippe Vine Octavio E. Rodriguez
Roteiro: Peter Baynham, Sarah Smith
Elenco: Zach Galifianakis, Jack Dylan Grazer, Olivia Colman, Ed Helms, Justice Smith, Rob Delaney, Kylie Cantrall, Ricardo Hurtado
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Duração: 106 min

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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