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Crítica | The Square – O mundo da arte contemporânea

The Square talvez não seja o melhor filme do ano até o momento, mas, sem sombra de dúvida, é o longa cujo tema

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
25 de outubro de 2017 · 3 min de leitura
Crítica | The Square – O mundo da arte contemporânea

*Este filme foi visto na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

The Square talvez não seja o melhor filme do ano até o momento, mas, sem sombra de dúvida, é o longa cujo tema é o mais relevante. Vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, a obra do diretor Ruben Östlund, ao retratar os bastidores do mundo da arte contemporânea e a realidade social da Suécia, o seu país de origem, não só contou uma história de proporções universais, como também realizou um diagnóstico preciso do alarmante processo de desumanização pelo qual a humanidade vem passando nos últimos anos. 

Concebida como uma mistura de A Doce Vida e Depois De Horas, a narrativa propõe ao espectador uma viagem surreal pelos dois polos extremos da economia sueca: a aristocracia ao redor da realeza e os moradores de rua que apodrecem nas calçadas. Quem nos guia por essa estranha viagem é Christian (Claes Bang), o curador-chefe do Museu de Arte Moderna. É através dos seus olhos e da sua trajetória – caracterizada, inicialmente, pela total indiferença em relação ao próximo – que conhecemos um pouco do sistema político e das hipocrisias da nação escandinava.

Ousado, The Square é o filme político por excelência: ao mesmo tempo que apresenta a visão de ambos os lados, nunca esquece de deixar claro qual é posição que defende. Na sua sátira feroz, nada é deixado para trás. O Estado de Bem-Estar Social, tão elogiado internacionalmente, é completamente destruído pelos flagras que a câmera faz dos inúmeros mendigos que habitam as ruas e pelos registros dos assaltos e das comunidades periféricas presentes na trama; assim como ideia por trás dessa política – que é a do auxílio social provido pelo Estado -, também desmantelada pela constante transposição de culpa e responsabilidade por parte do protagonista; e a “arte contemporânea”, juntamente com a sua falta de limites éticos, é ridicularizada violentamente, a ponto de ter uma cena (a do jantar) que ficará na mente do público por muito tempo.

No entanto, isso não é mostrado a partir da subjetividade de alguém que olha de fora, e sim da de um sujeito que é membro ativo desse mundo. Se fosse feito de uma maneira contrária, Östlund incorreria no erro de enxergar a situação com o mesmo preconceito daqueles que denuncia. Mas, ao nos dar a possibilidade de conhecer o outro lado e descobrir que, por trás da aparência arrogante, dos gestos calculados e da aparente indiferença humana, está escondido um pai capaz de sentir empatia, se arrepender e de se preocupar com os outros, nos revela que o personagem é apenas a vítima de uma engrenagem muito maior. Além disso, nos fornece a chave para uma possível conciliação. O diretor sabe que esta não se dá em razão da raiva e do cinismo, mas da compreensão e da aceitação.

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Deste modo, acabou por realizar um filme que, repleto de momentos impactantes, imagens inesquecíveis e uma alternância bem-sucedida entre comédia e drama, é profundamente humano. Uma narrativa que, nos revelando o pior de nós, nos lembra também de todas as ações bondosas de que somos capazes. E a mensagem de que, se tivermos a coragem de reconhecer o estado moralmente precário em que nos encontramos, talvez tenhamos a coragem de fazer o que é preciso para alterá-lo completamente.

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The Square (Idem, Suécia – 2017)

Direção: Ruben Östlund
Roteiro: Ruben Östlund
Elenco: Claes Bang, Elisabeth Moss, Dominic West, Terry Notary, Marina Schiptjenko, Elijandro Edouard
Gênero: Drama, Comédia
Duração: 220 minutos

Tags: #41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo #Cinema #crítica #Dominic West #Elisabeth Moss #Festival de Cannes #Filme
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