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Crítica | Verão de 85 – Drama com toque de tragédia

Verão de 85 é uma bonita história de amor e que alcança as expectativas criadas em torno do filme.

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
3 de junho de 2021 · 5 min de leitura
Crítica | Verão de 85 – Drama com toque de tragédia

Com Alguns Spoilers

Quando iniciou sua carreira como diretor, ainda na década de 90, o francês François Ozon logo começou a despontar e a crítica especializada da época acabou o colocando como um dos jovens promissores cineastas franceses da nova geração. E não estavam errados, pois o diretor tinha realmente talento e um jeito peculiar de se fazer cinema, tanto que dele nasceram produções consagradas, como Potiche – Esposa Troféu e Dentro de Casa, que são exemplos de como Ozon trabalha histórias que tenham uma mensagem forte e que dialoguem com o mundo atual.

Ozon gosta de trabalhar com temas dramáticos e que possam surpreender ao público. É nesse cenário que surge Verão de 85, produção que apresenta muito da linguagem e estética que o cineasta tanto gosta e que tem uma abordagem social, trabalhando a trama de uma forma mais emotiva e delicada.

Seu último trabalho antes de Verão de 85 tinha sido uma produção que abordava o tema da pedofilia, Graças a Deus, e aqui o diretor novamente desfruta de temas atuais. Nesse novo filme não há nenhuma profundidade ou pensando em discutir a relação do casal entre o jovem Alexis Robin (Félix Lefebvre) com David Gorman (Benjamin Voisin).

Um Drama Simples e Eficiente

O longa conta como Alexis encontrou David e o que havia sido um simples encontro casual acaba por se tornar um relacionamento sério, além de mostrar como esse amor acaba por transformar o casal, isso até que uma tragédia ocorre.

O roteiro, que teve participação de Ozon, tentou nos passar, e conseguiu até um certo momento, a sensação de que o mais importante é viver a vida o máximo que puder e o de desfrutar os momentos ao lado de quem você gosta, mesmo que a relação seja momentânea. Aquela velha mensagem de viva intensamente o quanto puder.

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É um drama diferente, que parecia ser um romance, mas por algumas escolhas bem estruturadas que acabam por direcionar a narrativa para um drama. A tal tragédia que desde o início é mencionada, ou seja, o espectador já assiste ao filme sabendo que o pior irá acontecer, acaba sendo um elemento diferente para a trama.

A decisão de colocar uma ato trágico na história é uma decisão interessante porque acaba prendendo o público na tela para acompanhar a história e saber o que realmente aconteceu de fato.

Há dois caminhos trilhados neste drama, o da relação entre o jovem casal de se apaixonar e enfrentar conflitos na relação e o pós-tragédia, quando Alexis começa a refletir algumas de suas ações, reflexão essa que não é nitidamente expressada, mas que fica claro em algumas falas do protagonista.

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Romance Bem Estabelecido

No longa, igual ao que é apresentado em Me Chame Pelo Seu Nome (Luca Guadagnino), em que os protagonistas vivem um romance às escondidas, no conto de Ozon o casal não oficializa a relação, mas não apenas por medo do que os outros irão dizer do relacionamento, é mais uma questão de guardar um segredo, como se fosse um amor proibido. Na realidade, o roteiro não deixa claro o porque deles esconderem a relação e nem o diretor se esforça em apresentar os motivos para isso.

O objetivo de Ozon é o de mostrar como o relacionamento dos dois acaba por rapidamente desmoronar, mas não por não sentirem amor um pelo outro, e sim por ciúmes por parte de Alexis e por querer causar ciúmes pela parte de David. Isso é mostrado até o segundo ato, quando a partir da tal tragédia o longa passa a oferecer novos rumos para a trama.

É desse ponto, já no terceiro ato, que as coisas começam a ficar mais nebulosas e os conflitos de antes passam a ser ignorados. O foco é na tentativa de emocionar o público causando um choque, choque esse que não existe, já que desde o início sabemos que algo trágico irá acontecer.

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Quanto ao romance em si, ele é bem construído, dando aquele ar de amor a primeira vista e que logo se torna uma paixão ardente, transformando o que tinha tudo para ser um relacionamento água com açúcar em algo mais profundo.

Escolhas erradas

Na forma sútil em que Ozon conta sua história que nascem alguns questionamentos relacionados a suas escolhas na hora de trabalhar o roteiro, como o que realmente a trama queria passar para o público além de apenas uma história de amor? É algo que não fica evidente no jeito que a narrativa é montada e tão menos fica evidente o que o cineasta quer fazer de fato com os protagonistas.

Há um certo momento que fica a dúvida dos motivos da tragédia ter acontecido, quem era o culpado e porque ocorreu? São curiosidades que são colocadas como forma de surpreender o espectador, mas que acabam por se tornarem conclusões vazias das situações impostas. Na realidade, o diretor parece não saber para onde quer ir com sua trama, até por isso há um estranhamento no jeito que o longa é tocado a partir do segundo ato.

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Verão de 85 é uma bonita história de amor e que alcança as expectativas criadas em torno do filme. É sensível e tocante o jeito que os protagonistas se amam e também no jeito que tão logo se perdem nessa apaixonante relação que se apresenta na tela.

Verão de 85 (Eté 85, 2020 – França)

Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon, Aindan Chambers
Elenco: Félix Lefebvre, Benjamin Voisin, Philippine Velge, Valeria Bruni Tedeschi
Gênero: Drama
Duração: 90 min

Tags: #François Ozon
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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