Infiltrado na Klan, assim como qualquer filme que se inspirou em fatos para realizar sua trama, acaba por ter que mudar alguma coisa em relação a história original. Algo feito, muitas vezes, para dar maior dramaticidade ou envolvimento para a história. Nesse artigo explicamos o que aconteceu ou não de verdade quanto ao que é relatado pelo verdadeiro Ron Stallworth e é mostrado no filme.

Ron Stallworth se tornou o primeiro policial negro de Colorado Springs?

Isso realmente é verdade. Ron Stallworth (John David Washington), nos anos 1970, se tornou o primeiro policial negro a fazer parte da equipe de detetives do Departamento de Polícia de Colorado Springs. Começou a trabalhar ali como cadete no dia 13 de novembro de 1972, e logo depois, em 1974, se tornou oficial. Também é verdade que sua primeira missão policial foi ir à uma boate ouvir o que Stokely Carmichael iria falar no local. Os policiais estavam com medo de que Carmichael pudesse, em algum momento de seu discurso, inflamar a violência. 


Infiltrado na Klan

Outro fato que aconteceu e é mostrado de forma correta no longa. Em outubro de 1978, Ron Stallworth se infiltrou na sede local da Ku Klux Klan. Assim como foi relatado no livro, Infiltrado na Klan, Stallworth realmente começou o contato com a KKK ao responder a um anúncio de jornal. Ele pegou o endereço do local e enviou uma carta com seu número de telefone. Esse é um fato que foi mostrado de outra forma no filme, pois o anúncio aparece já com um número de telefone e não com um endereço postal.

Diferente do que foi mostrado no longa, na vida real, um integrante da KKK ligou para ele ao receber a carta com o telefone. Somente depois desse primeiro contato por telefone é que passaram a se comunicar pelo meio de comunicação. Quando foi chamado para participar das reuniões acabou enviando o agente secreto que é interpretado por Adam Driver no filme.

Ron Stallworth falou a verdade quando mencionou sua irmã como motivo para entrar na KKK?

Isso também aconteceu. Stallworth já havia usado seu nome verdadeiro na carta que havia enviado para a Klu Klux Klan (não foi por telefone como mostrado no filme), mas ainda precisava de uma motivação que fizesse com que ele fosse aceito. Ron Stallworth contou realmente a história de sua irmã estar namorando um homem negro. Na conversa também falou mau de várias minorias para ser aceito.

Patrice Dumas

Patrice Dumas (Laura Harrier) não existiu na vida real. Em Infiltrado na Klan, Patrice é uma ativista que faz par romântico com Ron Stallworth. Spike Lee a colocou no longa para que ela representasse as mulheres que faziam parte do movimento Black Power. Como dito logo acima, Stallworth realmente participou de uma investigação secreta, mas diferente do que foi apresentado no filme ele não encontrou nenhuma mulher com que fosse se apaixonar no futuro. 

O parceiro de Ron Stallworth existiu e era judeu?

Sim, esse agente secreto que era parceiro de Ron Stallworth existiu. Não se sabe quem é esse agente na vida real, pois seu nome não foi revelado. No livro ele era chamado de Chuck e no filme o agente recebe o nome de Flip Zimmerman, portanto, houve uma mudança de nomes em relação a livro e filme, mas esse nome não é real, pois como dito não se sabe o nome dele.

O personagem de Adam Driver existiu, mas não era judeu como foi relatado no longa. Há em diversas passagens do filme acusações de um integrante da KKK que Flip fosse judeu. O agente secreto não era judeu, e portanto não passou pelo teste de detector de mentiras que é mostrado no filme. No livro não há menção se ele era judeu.


Ron Stallworth líder local da KKK

Isso não é verdade. No filme, há uma cena em que Stallworth aparece sendo nomeado para a KKK. Na vida real isso não aconteceu por pouco, porque quando houve o convite para participar do grupo o chefe do departamento acabou por encerrar a investigação. Stallworth acredita que isso tenha acontecido por causa que o chefe estaria preocupado com a imagem pública do departamento, pois seria no mínimo estranho se a opinião pública descobrisse que havia policiais como membros da KKK.

O encontro de Ron Stallworth com David Duke

Ron Stallworth conversou por telefone com David Duke, pois ao não receber respostas após fazer sua inscrição decidiu ligar para o líder da Klu Klux Klan. Algum tempo depois da conversa, por telefone, recebeu o certificado de cidadão concedido a ele e que foi assinado pelo próprio Duke. Segundo Ron Stallworth ele continuou conversando com Duke após esse primeiro contato. Ron Stallworth não conversou pessoalmente com nenhum membro da KKK enquanto estava na operação. 

Em 1979 David Duke foi até a cidade de Colorado Springs realizar uma visita e o policial designado para o proteger foi Ron Stallworth, Duke aceitou o policial como seu protetor. Portanto, os dois acabaram conversando pessoalmente, e a visita de Duke foi em uma churrascaria e não uma cerimônia da KKK como é mostrado no filme. O agente secreto que fingia ser Stallworth estava nessa churrascaria como infiltrado. 

O sucesso da investigação

O caso durou cerca de nove meses, enquanto Ron Stallworth e seu parceiro trabalharam reunindo várias informações do grupo. Ganharam com o tempo a confiança do pessoal da KKK, entre eles David Duke. Com a investigação evitaram queimadas de cruz, identificaram alguns membros do grupo, alguns deles faziam parte das forças armadas.

Há relatos feitos por Stallworth em relação a planos feitos pela Klu Klux Klan para explodir os dois bares gays da cidade, assim como um plano organizado para roubar armas de Fort Carson.

Apesar de nenhum membro da KKK ter sido preso, a investigação que durou nove meses foi considerada um sucesso. No livro, Stallworth escreveu: “Como resultado de nosso esforço combinado, nenhum pai ou mãe com um filho negro ou de outra minoria teve que explicar por que uma cruz de 18 pés foi vista queimando.”

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