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Final Fantasy VII Remake: Demo – Explodindo a Shinra e a cabeça dos fãs

Assim como muitos outros que viveram a era do Playstation original, Final Fantasy VII foi um dos primeiros games da renomada franquia da Square Enix – Squaresoft na época – que tive o prazer de zerar. Ainda que não considere o melhor da série, é inegável sua importância não só para o conjunto da obra, como para os RPGs como um todo e, tendo finalizado todas as iterações da longeva franquia, posso dizer que essa ocupa um espaço especial em minhas memórias. Tivemos nessa aventura de Cloud e companhia a transição do 2D para o 3D, com o refinamento de diversos elementos de gameplay e uma história que marcaria gerações.

Agora, mais de vinte e três anos depois, estamos à beira do lançamento do remake desse marcante jogo e, de surpresa, a Square presenteou os fãs com uma demo para todos os donos do PS4, demonstração essa que consiste no primeiro capítulo (incerto se na íntegra) do game. Desde já podemos dizer que, com certas ressalvas, a espera parece ter valido a pena.

Antes de entrarmos nessas primeiras impressões de Final Fantasy VII Remake, contudo, é preciso deixar claro que a percepção dessa demo não necessariamente se aplica ao jogo quando for lançado. Afinal, esse não é o produto final, trata-se de um trecho curto e ainda não finalizado da obra. O que jogaremos no dia 10 de abril deste ano pode vir a ser algo diferente – em qual grau ainda não sabemos, claro.

De flores a explosões

Como não poderia deixar de ser, começamos na cutscene inicial clássica de Final Fantasy VII, agora repaginada com os gráficos atuais e para quem jogou o original, não há como não sentir arrepios. O game está verdadeiramente deslumbrante, com texturas palpáveis, expressões faciais e movimentos fluídos, orgânicos. É seguro dizer que estamos diante de um dos melhores gráficos da geração e a transição das apresentações para os trechos jogáveis em si são imperceptíveis.

A música, claro, como um conjunto uma das melhores da série, aparece desde cedo nessa nova versão de Opening – Bombing Mission, que assume tom crescente ao longo desses primeiros minutos da demo, com clara intensificação com a aparição de Cloud Strife, protagonista da obra.

Não muito diferente do original, o remake nos coloca em um combate já nesses primeiros instantes de gameplay. A primeira impressão do novo sistema – que abandona os turnos por tempo real, assumindo a identidade de um RPG de ação – é bastante positiva. A movimentação de Cloud é fluida e pequenas vibrações no controle, assim como animações de impacto nos fazem sentir como se realmente estivéssemos acertando alguma coisa. No meio da luta podemos pausar para escolher habilidades a serem usadas por Cloud, sejam ataques especiais com a espada, ou magias. Como era de se esperar, esses primeiros inimigos – capangas da Shinra – são derrotados com facilidade.

A demonstração progride de forma linear, seguindo fielmente a estrutura do original, ainda que com certas modificações já esperadas, fruto não apenas da maior profundidade garantida aos personagens secundários (no caso, Jesse, Wedge e Biggs – Barret por ser membro da equipe não colocaria como secundário), como da ausência de transição entre os trechos de exploração e batalha.

Por sinal, é preciso ressaltar a maneira como a Square trabalha a diferenciação entre as lutas e a exploração. Assim que entramos no alcance de um inimigo, Cloud passa a se movimentar de forma diferente e os próprios comandos são alterados. O R2, por exemplo, utilizado para correr, passa a ser uma forma de dar comandos a outros membros da equipe. A câmera, naturalmente, também passa a se comportar de forma diferente, com mira (podendo ser fixada ou não) nos inimigos.

Já falando da câmera, por mais que possamos pausar as lutas para inserir comandos de habilidades, magias, etc, é fácil ficar confuso em meio a tantos ataques e inimigos em tela. Não são muitos elementos em jogo, mas todos estão se movimentando ao mesmo tempo, facilitando que o jogador acabe se perdendo. A barra de vida, no canto inferior direito, ainda soa periférica demais e não é difícil esquecer que os personagens não são imortais. Esse último ponto, no entanto, é questão de costume.

Futuro incerto

Ainda que estejamos diante de um RPG de ação com fortes elementos táticos – desde já somos introduzidos aos conceitos de fraqueza elemental, dentre outras mecânicas, que tornam as lutas mais dinâmicas e não um simples hack n’ slash – não posso deixar de demonstrar preocupação em relação a alguns aspectos. O mais evidente deles é que Cloud utiliza sempre os mesmos combos para cada um dos seus modos de ataque (um normal, outro mais agressivo). Eles são velozes, mas podem acabar tornando-se repetitivos com o passar das horas. Sim, Cloud e o restante da equipe vão aprender novas habilidades com o passar do tempo, mas, pelo que foi apresentado aqui, temo que o jogo possa cair nessa cilada.

Outro ponto é a resistência de alguns inimigos. Já era esperado que os chefes tivessem mais vida e esse primeiro que vemos nos minutos finais da demo não é exceção. Isso não é problema, afinal, o desafio é necessário para deixar as coisas interessantes. Refiro-me a certos oponentes normais, que encontramos pelas fases, mas que parecem ser pequenas esponjas de dano. Barret, por exemplo, precisa descarregar inúmeras balas para destruir uma simples torre, enquanto que Cloud só parece dar dano de verdade em seu modo mais agressivo, quando se trata de certos inimigos. Com o passar do tempo, esse padrão pode deixar o jogo enfadonho, com combate bastante repetitivo.

Naturalmente que, como ressaltei no início do texto, trata-se apenas de uma demonstração, contemplando apenas os primeiros minutos do jogo. Muita coisa pode ter sido alterada até o produto final e a inclusão de mais membros na equipe pode (e deve) dinamizar bastante os combates. Além disso, existem árvores de habilidade no game – não presente na demo – o que pode mudar todo esse cenário.

Dito isso, como um todo, essa demo de Final Fantasy VII Remake certamente foi uma experiência bastante positiva e que, devo confessar, me deixou com olhos marejados algumas vezes ao longo de sua duração. Mesmo com as preocupações levantadas acima, revisitar Midgar tantos anos depois e rever esses icônicos personagens com gráficos atualizados é um verdadeiro deleite. Agora resta aguardar pacientemente o lançamento do game em si, torcendo para que esses certos temores não se concretizem.

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Publicado por Guilherme Coral

Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.

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