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Lojas boicotam GTA 6 físico sem disco e exigem edição com mídia real

Video Games Plus e Loot Box Gaming anunciaram que não venderão GTA 6 enquanto a Rockstar não lançar uma edição física com disco real.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Uma decisão que virou declaração de princípio

Poucas horas depois da Rockstar confirmar que a versão física de Grand Theft Auto VI não terá disco, dois varejistas especializados anunciaram que não venderão o jogo. A Video Games Plus, loja canadense com quase 40 anos de operação e foco em mídia física, publicou um comunicado formal no X deixando claro que sua política proíbe a venda de produtos físicos que entregam apenas códigos digitais. A Loot Box Gaming, varejista americana menor mas com base fiel de clientes colecionadores, seguiu o mesmo caminho poucas horas depois.

Nenhuma das duas representa uma fatia significativa das vendas globais de GTA 6. Mas juntas, elas colocaram nome e rosto na frustração que boa parte da comunidade estava sentindo desde o anúncio.

O que cada loja disse

A Video Games Plus foi direta. Em quase quatro décadas de operação, a loja construiu sua reputação em torno da preservação da mídia física e do valor de possuir um jogo de verdade. O comunicado não mirou a Rockstar nem o título diretamente, e a loja desejou sucesso ao lançamento de novembro. A condição para reverter a decisão é uma só: uma edição física com disco real chegar ao mercado em algum momento.

A Loot Box Gaming trouxe o argumento mais emocional. A loja disse ter sido fundada “por amor à nossa forma favorita de mídia” e que não faz sentido vender aos seus clientes um produto que não honra o dinheiro que eles gastaram. A empresa deixou em aberto a possibilidade de reconsiderar se a Rockstar mudar de posição, mas por enquanto a resposta é não.

A reação da comunidade e o paradoxo do boicote

As respostas aos comunicados das duas lojas foram amplamente positivas. Fãs de mídia física de todo o mundo usaram os posts como ponto de encontro para expressar a própria insatisfação com a direção que a indústria vem tomando. O apoio foi genuíno o suficiente para tornar os dois varejistas, relativamente pequenos no contexto global, em símbolos de uma causa maior.

Mat Piscatella, da Circana, sintetizou bem o paradoxo da situação num post no Bluesky: “Sempre que você ouve a palavra ‘boicote’ em relação a um videogame, é hora de aumentar a previsão de vendas.” A lógica é simples. As lojas que estão recusando o produto são especializadas em mídia física. A clientela delas é composta exatamente pelo público que mais vai querer GTA 6 em formato de colecionador. Ao recusar a venda, elas estão forçando esses compradores a ir para o digital ou para redes maiores como Target e Walmart, que até agora não se pronunciaram sobre o assunto.

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O silêncio de quem mais importa

A GameStop, maior rede de varejo de games do mundo e empresa cujo modelo de negócio depende diretamente da revenda de jogos físicos, ficou em silêncio. Para uma empresa que perderia completamente o mercado de segunda mão de GTA 6 com a ausência do disco, a ausência de qualquer posicionamento público é, no mínimo, curiosa. Seja por contrato com a Rockstar, por receio de perder o estoque ou por outra razão, a rede ainda não disse nada.

O contexto da decisão da Rockstar é o mesmo que já foi amplamente discutido: a empresa tem um histórico doloroso de vazamentos, o mais grave em setembro de 2022, quando mais de 90 vídeos do desenvolvimento de GTA VI foram vazados por um hacker. Resident Evil Requiem, Forza Horizon 6 e LEGO Batman: A Cavaleiro das Trevas tiveram problemas semelhantes de cópias físicas chegando cedo ao mercado nos últimos ciclos. Com um jogo da magnitude de GTA 6, qualquer disco circulando antes de 19 de novembro seria uma catástrofe em câmera lenta.

O que fica depois da polêmica

O boicote de duas lojas especializadas não vai mover um milímetro as projeções de vendas de GTA 6. A Circana registrou a maior intenção de compra da história de seus rastreamentos para o título, e analistas estimam que o jogo pode bater recordes históricos de faturamento já na primeira semana. O que Video Games Plus e Loot Box Gaming fizeram não foi uma ameaça comercial real à Rockstar. Foi um gesto simbólico num debate que a indústria está travando há anos e que GTA 6, pelo seu tamanho, trouxe para o centro da conversa de uma vez por todas.

A pergunta que fica sem resposta por enquanto é se a Rockstar vai lançar uma versão com disco em algum momento de 2027, como o site polonês PPE havia reportado em janeiro. Se isso acontecer, a Video Games Plus prometeu que estará lá para vender.

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