Museu da Pessoa libera no YouTube masterclasses gratuitas de documentário com Eliane Caffé e Joel Zito Araújo

Masterclasses do Museu da Pessoa ensinam roteiro, pesquisa e montagem; vencedores da mostra EmVelhoSer saem em novembro.

Daniel Tanan
Daniel Tanan 3 min de leitura

Quatro nomes de peso do documentário brasileiro estão dando aula de graça, a qualquer hora, para quem quiser aprender a transformar uma história de vida em filme. O Museu da Pessoa disponibilizou no YouTube as masterclasses do Ciclo Formativo da Mostra Audiovisual EmVelhoSer, conduzidas pelos cineastas Eliane Caffé e Joel Zito Araújo, pela pesquisadora Eloá Chouzal e pela montadora Cristina Amaral.

Os encontros aconteceram às sextas-feiras de setembro, em parceria com o CultSP Pro, e agora ficam abertos a qualquer interessado, participante ou não da mostra.

Da primeira linha ao corte final

O ciclo percorre as etapas do fazer documental. Eliane Caffé abriu a série falando de criação de roteiros. Diretora de Narradores de Javé, um de seus longas mais premiados, de Era o Hotel Cambridge, docuficção sobre refugiados e pessoas em situação de rua num prédio ocupado no centro de São Paulo, e de Filhos do Mangue, de 2025, ela construiu uma carreira que cruza cinema e questões sociais.

Joel Zito Araújo contou sua trajetória no cinema. Referência do cinema negro brasileiro e doutor pela ECA-USP, ele dirigiu A Negação do Brasil, sobre a presença de personagens negros nas telenovelas, e As Filhas do Vento, vencedor de oito prêmios no Festival de Gramado de 2004.

A pesquisa em acervo ficou com a historiadora Eloá Chouzal, que soma mais de 30 anos em levantamento de imagens, personagens e arquivos, com passagens pelo Museu da Língua Portuguesa e pela coordenação de pesquisa do Museu Cais do Sertão. Fechando o ciclo, Cristina Amaral falou de montagem. Ela editou filmes de Andrea Tonacci e Carlos Reichenbach, como Serras da Desordem e Alma Corsária, e hoje trabalha também com realizadores mais jovens, como Adirley Queiroz.

Todas as aulas tiveram mediação da jornalista e crítica Joyce Pais, fundadora do Cinemascope e integrante da Abraccine e do Coletivo Elviras.

Publicidade

Quebrar a barreira da câmera

Para Karen Worcman, diretora e fundadora do Museu da Pessoa, o objetivo foi aproximar quem tem uma história para contar de quem domina a linguagem do cinema. Segundo ela, muita gente olha para uma câmera ou uma linha do tempo de edição e acredita que aquilo não é para si. O ciclo nasceu para desfazer essa impressão.

“Cada pessoa que transforma uma história em vídeo ajuda a manter essa memória viva”, afirma Karen. Por isso, explica, o museu decidiu manter as aulas disponíveis depois da mostra, para quem quiser entender como um documentário é construído.

A mostra EmVelhoSer

O Ciclo Formativo integra a Mostra Audiovisual EmVelhoSer, que convidou o público a escolher uma entre 200 histórias de vida do acervo do museu e transformá-la num vídeo de 90 segundos a 4 minutos. A pergunta que guia esta edição é como nos relacionamos com o tempo.

A mostra tem três categorias: Livre, Novos Talentos, para participantes de até 25 anos, e Criadores 60+, novidade desta edição. Dez vídeos serão premiados com R$ 4 mil cada. O anúncio dos vencedores e o lançamento da mostra estão previstos para a segunda quinzena de novembro, em São Paulo, com transmissão pelo canal do Museu da Pessoa no YouTube e exibição aberta ao público no Cine Petrobras.

Assista também

C.S.LEWIS REVIRANDO NO TÚMULO COM ESSA NARNIA DIFERENTE #shorts #narnia #cinema

Seja o primeiro a comentar ↓

Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp

Comentários 0

Sem senha nova e sem cadastro. Seu nome e sua foto aparecem no comentário; o e-mail nunca. Ao entrar, você aceita as .

Ninguém comentou ainda. Que tal abrir a conversa?

Ofensa, golpe e spam não entram no ar. Quando o filtro fica em dúvida, o comentário espera a equipe dar uma olhada.