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O maior rival de GTA 6 pode ser o próprio GTA 5, diz analista

Para Rhys Elliott, da Alinea Analytics, o GTA Online atual e o público sensível a preço são os maiores riscos para o sucesso de GTA 6.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

O inimigo que veio de dentro

Grand Theft Auto VI chega em 19 de novembro com tudo que seria necessário para um lançamento histórico: o maior orçamento de produção da indústria, a franquia mais vendida da história dos videogames e uma janela estratégica fora dos meses mais competitivos do ano. Rhys Elliott, chefe da Alinea Analytics e um dos analistas mais consultados pelo mercado de games, acredita que esses fatores são suficientes para garantir um lançamento monumental. Mas ele também identifica dois riscos reais que a Rockstar Games precisa gerenciar, e nenhum deles vem de um concorrente externo.

O primeiro é o próprio GTA 5.

225 milhões de cópias que não vão a lugar nenhum

Grand Theft Auto V vendeu mais de 225 milhões de unidades ao longo de 13 anos. Mais relevante do que o número histórico acumulado é o fato de que o jogo ainda vende e, mais importante, ainda é jogado ativamente. O GTA Online atual movimenta mais de um milhão de jogadores diários e gerou mais de US$ 5 bilhões em receita desde 2013. Elliott aponta que esse ecossistema estabelecido representa um obstáculo real para a versão nova do jogo, porque parte do público simplesmente pode preferir continuar onde já está.

A lógica é de economia de atenção. Segundo o analista, jogos live service operam num ambiente de soma zero: cada hora gasta num jogo é uma hora que não foi gasta em outro. Nesse cenário, GTA 6 não compete apenas com outros lançamentos de 2026. Compete com o TikTok, com a Netflix e com seu próprio predecessor, que já tem anos de conteúdo acumulado, uma comunidade estabelecida e um preço de entrada muito mais acessível do que R$ 450.

O grupo que mais importa e mais sente o preço

O segundo risco identificado por Elliott é mais específico. Ele descarta a preocupação com quem ainda joga em PS4 ou Xbox One: esse público está satisfeito com o hardware antigo e não vai migrar independentemente do preço de GTA 6. O grupo que a Rockstar realmente precisa converter é diferente.

São os jogadores que já têm PS5 ou Xbox Series X/S, mas precisam controlar os gastos. Pessoas com o hardware certo, com vontade de jogar o título, mas que sentem o peso de R$ 450 na versão padrão ou R$ 550 na Ultimate Edition. Elliott foi direto ao definir esse segmento como “o grupo que você mais quer converter, e o grupo que mais é punido por um preço mais alto.” No Brasil, onde o salário mínimo é de R$ 1.518, R$ 550 representa mais de um terço da renda mensal de uma parcela significativa do público gamer.

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Por que a estratégia de preços ainda faz sentido

Apesar de apontar os riscos, Elliott defende que a Take-Two fez a escolha certa. Cobrar US$ 100 como preço base, algo que investidores chegaram a pressionar internamente, teria sido o que ele chamou de “penny-wise and pound-foolish”: ganhar um pouco mais por unidade enquanto limita desnecessariamente o tamanho da audiência que vai alimentar o GTA Online por uma década.

A estrutura de preços em dois níveis, US$ 80 para a edição padrão e US$ 100 para a Ultimate Edition, resolve parte do problema. Quem tem mais dinheiro e quer a experiência completa paga o valor premium. Quem precisa economizar entra pelo caminho mais barato com a possibilidade de comprar o upgrade depois. Nenhum segmento é deixado completamente de fora, e o funil que leva ao GTA Online, a verdadeira fonte de receita de longo prazo da franquia, permanece o mais amplo possível.

Elliott projeta algo em torno de 30 milhões de cópias vendidas na primeira semana, chegando a 50 milhões antes do fim de 2026. Para contexto, GTA 5 vendeu entre 11 e 15 milhões de unidades na primeira semana de 2013, numa base de consoles muito menor. Com 90 milhões de PS5 instalados antes mesmo de contar o Xbox Series, dobrar esse número não é considerado improvável pelo analista. O desafio não é vender. É convencer quem poderia ficar onde já está.

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