PS6 só deve chegar em 2028 e sem leitor de disco, apontam analistas
Analistas da Ampere Analysis afirmam que o fim dos discos físicos na PlayStation "praticamente garante" que o PS6 só chegará no final de 2028
Uma decisão que revela mais do que parece
O anúncio da Sony de que vai encerrar a produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028 não veio acompanhado de nenhuma menção oficial ao PlayStation 6. Mas para Piers Harding-Rolls, analista sênior da Ampere Analysis, a data escolhida entrega informação suficiente para reconstruir boa parte da estratégia da Sony para a próxima geração. “Acho que isso nos diz bastante coisa sobre o PS6”, escreveu o analista no X. “Praticamente garante que o PS6 não vai chegar antes de 2028. A expectativa atual da Ampere é de lançamento no final de 2028.”
A lógica por trás da conclusão é simples: seria estranho, do ponto de vista de marca e de operação, a Sony lançar um console novo com jogos em disco físico apenas para encerrar essa produção poucos meses depois. Faz mais sentido a transição para o all-digital coincidir com o início de uma nova geração de hardware, não acontecer no meio do ciclo de vida do console atual.
O que isso significa para o hardware do PS6
Harding-Rolls foi além da estimativa de data e previu uma característica técnica específica do próximo console: “no mínimo, a versão padrão do PS6 não vai incluir um leitor de mídia física.” Segundo ele, a Sony vai buscar todas as formas possíveis de reduzir o custo do próximo console, e eliminar o leitor de disco é uma vitória fácil nesse sentido. Discos físicos individualmente não são caros, mas carregam custos adicionais, incluindo taxas de licenciamento para capacidade de leitura de Blu-ray.
O analista não descarta a possibilidade de a Sony vender um leitor de disco separado como acessório opcional, no mesmo modelo que já pratica com o PS5 Pro atual, que não vem com leitor por padrão, mas aceita um módulo removível. Isso permitiria que jogadores que já têm coleções físicas de PS4 e PS5 continuassem acessando essas mídias no novo console, mesmo sem suporte nativo de fábrica.
O que acontece com quem tem coleção física
Uma das preocupações mais imediatas levantadas por Harding-Rolls é o que acontece com jogadores que possuem coleções extensas de jogos físicos e querem continuar acessando esse conteúdo em hardware futuro. Ele sugeriu que a Sony poderia implementar algum processo de transferência de mídia física para licença digital, permitindo que o dono de um disco físico o usasse para desbloquear a versão digital do mesmo jogo. “Pode ser impraticável ou complexo demais, mas algum processo desse tipo poderia aliviar parte dessas preocupações”, disse o analista.
Até o momento, a Sony não confirmou nenhum plano nesse sentido.
Os números que sustentam a decisão
Segundo dados da própria Ampere, a fatia digital das vendas de jogos completos da Sony passou de aproximadamente 13% em 2013, ano de lançamento do PS4, para 80% em 2025. É uma inversão completa de padrão de consumo ao longo de pouco mais de uma década. Mat Piscatella, analista sênior da Circana, contextualizou a decisão de forma mais sóbria num post no Bluesky: “A mídia física em videogames vai durar apenas até onde os fabricantes de console permitirem.
Estamos agora um passo mais perto de sua morte. É um dia triste no mundo dos videogames.” Segundo dados da própria Circana, os consumidores ainda gastaram US$ 1,6 bilhão em jogos físicos novos no período de doze meses encerrado em maio, um número em queda em relação a picos anteriores, mas longe de ser irrelevante.
Daniel Ahmad, analista da Niko Partners, descreveu a decisão como “inteiramente uma decisão liderada pela plataforma, desenhada para cortar custos da Sony, eliminar o mercado de revenda e usados, e direcionar 100% da receita através da PlayStation Store.”
Um efeito cascata que também atinge a Xbox
A implicação não se limita à Sony. Segundo declaração anterior da própria Microsoft, o Project Helix, codinome do próximo console Xbox, está previsto para chegar no final de 2027, um ano antes da estimativa da Ampere para o PS6. Se essas previsões se confirmarem, será a primeira vez em mais de vinte anos que PlayStation e Xbox não lançam suas novas gerações de hardware de forma sincronizada, quebrando um padrão que remonta à era PS3 e Xbox 360, quando as gerações também saíram de forma escalonada.
Piscatella apontou que a Nintendo segue como exceção nesse cenário, mantendo produção de cartuchos físicos para o Switch 2 pelo menos até o fim do ciclo de vida do console atual, o que a coloca, pela primeira vez em décadas, na posição de única grande fabricante ainda comprometida com mídia física tradicional.
O que a Sony ganha com a mudança
Para Harding-Rolls, o benefício não se limita ao custo de fabricação do console em si. A transição para o all-digital elimina a necessidade de gerenciar estoque físico de discos, reduz o risco financeiro que publishers assumem ao pagar antecipadamente pela produção e distribuição de cópias físicas antes de qualquer venda se concretizar, e permite rastreamento de vendas muito mais preciso. “Isso vai ajudar a compensar pressões sobre margens vindas de outras direções, como custos de desenvolvimento e de equipe”, disse o analista, numa referência indireta à crise de custos que já atinge a indústria através da escassez de memória.