Críticas

Review | Assassin’s Creed Shadows no Switch 2 é um marco técnico que sofre no modo portátil

Assassin’s Creed Shadows é uma novidade profundamente agradável para a série, oferecendo um dos mundos mais cativantes

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
9 min de leitura
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A Ubisoft é conhecida por ser a maior apoiadora third-party da Nintendo, uma parceria que se solidificou desde a era do Wii. O lançamento de Assassin’s Creed Shadows no Switch 2 em dezembro marca a chegada do primeiro AAA da franquia na nova era do console. A expectativa era alta, pois o jogo, que caiu nas graças dos fãs ao finalmente trazer a saga para o Japão, veio com um grande preço técnico, dada a ambição do seu mundo aberto. E, de fato, ele veio.

Após horas de jogo e comparação direta com as versões de ponta, a conclusão é clara: o port é um feito colossal de engenharia, digno de ser comparado ao triunfo de Star Wars Outlaws no Switch 2, e prova que o console é capaz de rodar os lançamentos mais ambiciosos da atual geração, desde que sejam aplicadas concessões cirúrgicas. 

Contudo, essa portabilidade vem com ressalvas significativas, especialmente para quem prefere jogar on the go e exige fidelidade visual. É um port de respeito que merece ser aplaudido pelo esforço de otimização, mas que é comprometido no que tange à performance e clareza no modo portátil, o que levanta questões sobre os limites da otimização em jogos cross-gen ambiciosos.

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A chegada de Shadows ao console da Nintendo é historicamente relevante. A série Assassin’s Creed tem um passado irregular nas plataformas da Nintendo: houve ports funcionais, como Black Flag no Wii U, e depois a franquia se distanciou, deixando títulos como Origins e Odyssey como serviços de cloud gaming apenas no Japão. Shadows é um retorno definitivo e um teste de fogo. Ele marca a chegada da era RPG da franquia ao ecossistema Nintendo, permitindo que os fãs finalmente experimentem a fórmula atual, cheia de loot, árvores de habilidades e vastos mapas.

O dualismo da vingança: Naoe e Yasuke em Ezo

Assassin’s Creed Shadows não é apenas um jogo; é uma reinvenção da estrutura da série, ancorada em dois protagonistas mecanicamente distintos, que injetam variedade tática no gameplay

A história, embora seja o clássico conto de vingança do órfão (a shinobi Naoe caça o clã que assassinou seu pai) entrelaçada com a jornada de auto-descoberta do samurai negro Yasuke, funciona como a espinha dorsal de um mundo fascinante. A brutalidade e a sujeira da Era Shogun são exibidas sem filtros, o que é um ponto de distinção notável em relação à abordagem “pintada” e serena de Ghost of Tsushima ou Ghost of Yotei

A grande sacada de Shadows é o dualismo de gameplay, que oferece uma versatilidade tática inédita na franquia, mas que pode ser burocrática.. Naoe é a assassina clássica, ideal para a abordagem furtiva: atlética, ágil, ela usa o gancho para escalar edifícios rapidamente, move-se pelas sombras (que podem ser extintas para melhorar o stealth) e elimina inimigos com o estilo tradicional da série. Seu kit de ferramentas, que inclui uma vasta gama de projéteis e armas de longo alcance, a torna a mestre da misdirection. 

Já Yasuke é o oposto: um “tijolo andante” blindado, que domina o combate direto, esmagando portões e grupos de inimigos com ataques poderosos. Seu gameplay se assemelha a um brawler com elementos de RPG, e sua presença impõe o caos, já que ele mal consegue se esgueirar.

A alternância entre os dois personagens injeta uma variedade e escolha tática superior a outros jogos da série com múltiplos protagonistas. O jogador precisa constantemente avaliar o posto inimigo e decidir a melhor rota: usar a furtividade e as ferramentas de Naoe (como a Kusarigama e a hidden blade) para um ataque cirúrgico, ou optar pela abordagem de “um homem só” com o combate satisfatório de Yasuke. 

Essa versatilidade mantém o gameplay fresco, mesmo diante do vasto conteúdo Ubisoft que preenche o mapa e das centenas de missões secundárias que o jogo oferece. Essa é uma melhoria significativa no ritmo da franquia, evitando a fadiga do grinding com um só estilo de combate. Entretanto, os carregamentos para alternar os personagens são significativos e sentidos.

O jogo é uma ode ao sandbox moderno da Ubisoft, mas que convida o jogador a se perder livremente em vez de seguir uma lista de tarefas rígidas. O mundo é um dos mais envolventes que a série já criou, com o Kansai japonês fielmente renderizado e cheio de segredos. A história principal, que pode facilmente levar 80 a 100 horas para os completistas, é acompanhada por atividades que vão desde a construção de bases até minijogos. 

A experiência é densa, mas a constante alternância entre os estilos de jogo de Naoe e Yasuke impede que a repetição se instale tão rapidamente quanto em títulos como Valhalla ou Odyssey. É um mundo que te convida a se perder sem a sensação esmagadora de uma lista de afazeres.

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Ubisoft

O portátil comprometido

Apesar da excelência do jogo base e da promessa de portabilidade, o port para o Switch 2 é um caso de “quase lá”. A Ubisoft foi transparente ao admitir que seriam necessárias concessões para levar um título tão exigente para o console. 

O modo docked (na TV) se sai muito melhor, entregando uma experiência em 1440p no upscale com framerate que busca os 30 FPS e visuais surpreendentemente agradáveis. No entanto, o modo portátil, que é o principal atrativo do Switch, é onde a performance sofre. A resolução cai significativamente para 540p, o que se torna flagrante ao comparar com a nitidez da versão docked. A imagem no handheld é dominada por um constante nível de desfoque horroroso que acaba incomodando e afastando o jogador do modo portátil.

A performance também é instável. O jogo utiliza DLSS para upscaling e VRR (Taxa de Atualização Variável) no modo portátil para manter a estabilidade, mas em áreas densas como centros populacionais (Osaka, por exemplo) ou em combates com muitos inimigos e efeitos, o framerate pode cair de forma notável, lutando para manter os 30 FPS. Quedas de quadros e pequenos engasgos são evidentes ao correr por vilarejos populosos, uma característica que a Ubisoft buscou mitigar ao reduzir o número de NPCs nas cidades e ajustar a densidade ambiental com uso liberal de névoa. O tempo de carregamento dos menus também é notório, levando alguns segundos para transitar entre as abas, algo que também incomoda.

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O escopo de Shadows é muito maior do que o de Star Wars Outlaws, o que explica as concessões mais agressivas. Contudo, essa falta de fidelidade visual no handheld é uma pena, já que a beleza da paleta de cores e o design artístico se perdem sob o filtro de desfoque. O jogador precisa ponderar: vale a pena a portabilidade para jogar um dos melhores mundos abertos da série com essa perda de qualidade visual? A resposta é sim, se você não tiver outros sistemas disponíveis e priorizar a conveniência de jogar on the go sobre a fidelidade gráfica. É a eterna balança do Switch: funcionalidade versus fidelidade.

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Ubisoft

Triunfo técnico e o valor agregado da Ubisoft Connect

Apesar dos problemas no modo portátil, o trabalho da Ubisoft e seus estúdios parceiros é um colossal feito de engenharia. O fato de um jogo AAA de ponta, que rivaliza em ambição técnica com Cyberpunk 2077 ou Death Stranding 2, estar rodando de forma nativa no Switch 2 é um marco que demonstra a capacidade do novo hardware da Nintendo. O desempenho em combate com múltiplos inimigos se mantém admirável, especialmente nas sequências caóticas de Yasuke, onde a tela é preenchida por explosões e efeitos de fumaça, provando que o motor está bem ajustado para os momentos críticos de ação.

A Ubisoft Connect é o grande trunfo do port, elevando o valor da experiência para os jogadores multiplataforma. A funcionalidade de cross-save é instantânea e perfeita, permitindo que jogadores do PS5, Xbox ou PC carreguem seu save para o Switch 2 em segundos. Essa transição fluida, sem a necessidade de reiniciar a aventura, é uma “mão na roda” e um enorme incentivo para a dupla compra, algo que a Ubisoft tem acertado desde Star Wars Outlaws. Para quem busca um console para viagens ou para levar o jogo para a cama, essa funcionalidade transforma o Switch 2 em um excelente “companheiro de jogo”. Não é apenas sobre jogar em qualquer lugar, é sobre continuar a experiência, sem fricção.

O port também faz uso de algumas funções únicas do console, como o touch screen para navegar nos menus e no mapa, tornando o uso mais intuitivo. No entanto, o conteúdo não é totalmente completo: o jogo chega com todas as atualizações gratuitas das outras plataformas, mas a expansão Claws of Awaji (Garras de Awaji) não está inclusa no pacote de lançamento e será vendida separadamente em fevereiro. Isso pode ser um ponto de frustração, pois jogadores que já tinham a expansão em outra plataforma verão um pop-up avisando sobre a indisponibilidade dos itens ao carregar o save.

Assassin’s Creed Shadows no Switch 2 é, portanto, a oportunidade perfeita para a vasta base de jogadores da Nintendo que não tiveram contato com a era RPG da franquia (iniciada em Origins e Odyssey e ausente no Switch) finalmente experienciar a fórmula atual. É um port que faz o console suar, mas mantém a jogabilidade e a essência do gameplay intactas, confirmando que o Switch 2 é uma plataforma viável para os grandes títulos da atual geração, mesmo que exija compromissos visuais no handheld. A confiança da Ubisoft no hardware é palpável e a rapidez em trazer o jogo para o novo console, no mesmo ano de lançamento, estabelece um novo e ambicioso padrão de suporte third-party.

Um novo padrão de suporte third-party

Assassin’s Creed Shadows é uma novidade profundamente agradável para a série, oferecendo um dos mundos mais cativantes e dois estilos de jogo distintos. Sua transição para o Nintendo Switch 2, embora marcada por concessões visuais gritantes no modo portátil, é um colossal feito de otimização.

O Switch 2 recebe um port que é funcional, divertido e que carrega o save da sua versão next-gen. Para os fãs da série e para aqueles que apreciam a conveniência de jogar open-world on the go (como Skyrim ou The Witcher), Shadows se alinha perfeitamente às expectativas. É mais um vencedor para a Ubisoft no console da Nintendo, estabelecendo um novo padrão de suporte third-party para jogos AAA contemporâneos. 

Entretanto, é importante destacar que comprar o jogo novamente não fará sentido visto que a versão no modo móvel do console será medíocre. Se você já tem o jogo para um console de mesa ou PC, já estará feliz com a versão que possui uma resolução maior e taxa de quadros mais estável.

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Agradecemos à Ubisoft pela cópia gentilmente cedida para a realização desta análise.

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