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Review | The Elder Scrolls V: Skyrim – Anniversary Edition no Switch 2 é bom, mas poderia ser melhor

The Elders Scrolls V: Skyrim no Switch 2 é visualmente incrível, mas sofre com lag e 30fps. Confira a análise completa.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
11 min de leitura
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Há certas constantes universais que aprendemos a aceitar com o passar dos anos na indústria dos videogames: o sol nascerá no leste, a gravidade nos manterá no chão e a Bethesda encontrará uma maneira de vender The Elder Scrolls V: Skyrim para qualquer dispositivo que possua uma tela e um processador, por mais modesto que seja. 

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Com o advento do Nintendo Switch 2, a editora não perdeu tempo em marcar território na nova plataforma híbrida, trazendo o lendário Dragonborn para uma nova geração de portabilidade. O lançamento de uma versão nativa, projetada especificamente para aproveitar o poderio do novo hardware, prometia ser o capítulo final e definitivo da saga em formato portátil. 

No entanto, após dezenas de horas explorando as tundras geladas, as florestas densas de Falkreath e as ruínas subterrâneas, a conclusão é agridoce e complexa. Skyrim no Switch 2 é um paradoxo técnico: visualmente, é a versão portátil mais deslumbrante já criada, aproximando-se perigosamente da fidelidade dos consoles de mesa da geração passada; mecanicamente, porém, é uma experiência que tropeça nos próprios cadarços, limitada por decisões de design desconcertantes e problemas de otimização que fazem com que um jogo de 2011 pareça mais pesado e lento do que títulos lançados em 2026.

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DLSS, Iluminação e a Miragem da Alta Definição

A primeira impressão ao iniciar o jogo no novo console é inegavelmente sedutora. Para aqueles que vêm da versão do Nintendo Switch original, lançada em 2017, o salto visual é comparável a colocar óculos de grau pela primeira vez e ver o mundo com nitidez. A Bethesda implementou o uso da tecnologia NVIDIA DLSS (Deep Learning Super Sampling) para realizar o upscaling da imagem e o tratamento de anti-aliasing

O resultado é uma apresentação em 1080p, tanto no modo docked quanto no portátil, que exibe uma nitidez cristalina. As bordas serrilhadas que transformavam a vegetação em uma sopa de pixels na versão anterior desapareceram completamente, substituídas por folhas, grama e galhos definidos que reagem de forma convincente à iluminação dinâmica.

A draw distance recebeu uma atenção especial e merece elogios. Agora é possível estar no topo da Garganta do Mundo e observar as planícies de Whiterun com uma clareza impressionante, sem aquele nevoeiro cinza artificial que servia para esconder as limitações de renderização do hardware antigo. A iluminação volumétrica, especialmente durante o amanhecer ou em florestas densas onde os raios de sol filtram através das copas das árvores, adiciona uma camada de atmosfera e imersão que, até então, era exclusiva das edições de PC modificado e consoles mais potentes. 

No entanto, essa beleza visual vem acompanhada de falhas técnicas que variam do incômodo ao inaceitável. O problema visual mais notório e difícil de ignorar reside na renderização da água. Existe um bug persistente onde a superfície de rios e córregos apresenta uma falha de renderização, fazendo com que a imagem pareça se “partir” ou deslocar levemente enquanto a água flui. Pode parecer um detalhe menor na teoria, mas na prática, em um mundo repleto de cursos d’água, torna-se uma distração visual constante que quebra a imersão e lembra ao jogador que o produto ainda carece de polimento final.

Além disso, embora o DLSS faça um trabalho hercúleo na limpeza da imagem e na manutenção da resolução, ele não é perfeito. Em movimentos rápidos de câmera, é possível notar pequenos artefatos visuais e fantasmas em torno de objetos em movimento, um preço pequeno a se pagar pela clareza geral, mas ainda assim presente.

Texturas de rochas e paredes, embora melhoradas em relação ao Switch original, ainda apresentam momentos de baixa resolução que contrastam duramente com os novos modelos de iluminação, criando uma dissonância visual que lembra ao jogador que, por baixo da maquiagem moderna e do upscaling por inteligência artificial, bate o coração de um motor gráfico com mais de uma década de idade.

O Fantasma dos 30 Quadros

Se a parte visual é um misto de deslumbramento e pequenas falhas, a performance é onde Skyrim no Switch 2 realmente testa a paciência do jogador e falha em justificar a existência de um novo hardware. Em um movimento que só pode ser descrito como desconcertante e conservador, a Bethesda optou por travar o jogo a 30 quadros por segundo no lançamento. Para um título de 2011 rodando em um hardware de 2026 capaz de executar jogos pesados e modernos como Star Wars Outlaws de forma competente, a ausência de um modo de 60 fps é indefensável.

Títulos contemporâneos no mesmo console, como o port de Red Dead Redemption, conseguem atingir a marca dos 60 quadros, o que torna a limitação de Skyrim ainda mais flagrante e decepcionante para os entusiastas de performance. 

A situação se torna ainda mais confusa com as atualizações pós-lançamento. Um patch recente tentou remediar a situação desbloqueando a taxa de quadros, mas o resultado foi uma instabilidade nauseante. O jogo flutua erraticamente entre 30 e 40 fps no mundo aberto, atingindo 60 fps apenas em interiores pequenos e cavernas. 

Essa falta de consistência cria uma experiência visualmente trêmula que é, em muitos aspectos, pior do que um 30 fps sólido e bem ritmado. A ausência de uma opção no menu para escolher entre um “Modo Fidelidade” travado e um “Modo Performance” com resolução dinâmica é uma omissão básica em padrões modernos de desenvolvimento, deixando o jogador refém de uma otimização inconsistente. A sensação é de que a Bethesda não soube extrair o potencial da CPU do Switch 2, limitando-se a um port desleixado em termos de fluidez e constância estável de frametime.

Input Lag e Inovações Falhas

Mas o pecado capital desta versão não é a taxa de quadros, e sim o input lag. Existe um atraso perceptível e “pesado” entre o momento em que você move o analógico ou pressiona um botão e a resposta do personagem na tela. Inicialmente, esse atraso era tão severo que tornava o combate corpo a corpo quase impraticável, com o jogador tendo que “prever” os movimentos inimigos com uma antecedência absurda, transformando lutas simples contra dragões ou bandidos em exercícios de frustração. Atualizações subsequentes mitigaram o problema, reduzindo o atraso de décimos de segundo para milissegundos, mas a sensação de “nadar em melaço” persiste.

Em um RPG de ação onde o combate já não é conhecido por sua precisão ou fluidez (o “jank” característico da Bethesda), adicionar uma camada extra de latência torna a experiência de brandir uma espada ou mirar um arco desnecessariamente frustrante. Isso é exacerbado quando se tenta utilizar os menus do jogo, onde o cursor parece ter um peso próprio, deslizando com uma lentidão que irrita quem está acostumado à navegação rápida das versões de PC ou outros consoles. 

Falando em Joy-Cons, a Bethesda tentou inovar integrando funcionalidades exclusivas do hardware da Nintendo, mas os resultados são mistos e prejudicados pela performance. A compatibilidade com Amiibo retorna, permitindo que os jogadores desbloqueiem equipamentos temáticos da franquia The Legend of Zelda, como a Tunic of the Champion e a Master Sword.

É um toque simpático, embora cosmético. Mais ambiciosa é a inclusão do “Modo Mouse” (Motion Controls), que permite usar o giroscópio dos Joy-Cons para mirar ou navegar nos menus como se fosse um mouse de PC. No papel, a ideia é excelente e poderia oferecer uma precisão inigualável para arqueiros e magos. Na prática, o input lag intrínseco do jogo sabota a funcionalidade. Mirar com movimento exige uma resposta instantânea 1:1, e quando o jogo demora uma fração de segundo para registrar seu movimento, a mira passa do alvo, forçando correções constantes que cansam o pulso e a paciência.

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O peso do conteúdo: gigabytes e a edição de Aniversário

Outro ponto que levanta sobrancelhas e exige planejamento do usuário é o gerenciamento de armazenamento e instalação. Skyrim no Switch 2 ocupa colossais 53 GB de espaço. Para colocar isso em perspectiva, a versão original do Switch ocupava cerca de 13 GB, e a versão de PC com texturas em alta definição gira em torno de 20 a 30 GB dependendo dos pacotes instalados. O fato de esta versão portátil ser significativamente maior que as versões de console de mesa e PC sugere uma falta de otimização na compressão de arquivos ou a inclusão de texturas não otimizadas que incham o pacote sem entregar a fidelidade visual correspondente.

Isso obriga praticamente qualquer dono de Switch 2 a ter um cartão de memória de alta capacidade dedicado quase exclusivamente a este jogo, uma exigência pesada para um título tão antigo.

No entanto, seria injusto ignorar o valor do conteúdo oferecido, que é o ponto mais forte deste pacote. Esta é, sem dúvidas, a versão mais completa de Skyrim já lançada em um portátil. Sob a bandeira da Anniversary Edition, o pacote inclui não apenas o jogo base e as três expansões clássicas (Dawnguard, Hearthfire e Dragonborn), mas também todo o conteúdo do Creation Club. Isso significa centenas de novas armas, armaduras, feitiços, casas de jogador, masmorras e missões que foram criadas pela comunidade e sancionadas pela Bethesda.

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A adição do “Modo Sobrevivência” transforma fundamentalmente a maneira como o jogo é jogado, obrigando o Dragonborn a se preocupar com fome, fadiga e, crucialmente, o frio congelante de Skyrim. 

O clima deixa de ser apenas um cenário bonito para se tornar um inimigo mortal, tornando o uso de fogueiras e roupas quentes uma necessidade estratégica e não apenas estética. A mecânica de pesca, embora simples, oferece momentos de contemplação nas novas paisagens visualmente aprimoradas. 

Para o jogador que busca longevidade, a quantidade de conteúdo aqui é vertiginosa, garantindo facilmente centenas de horas de jogo sem repetir uma única missão.

Uma joia bruta que exige polimento

Um dos maiores acertos da Bethesda com este lançamento é a política de upgrade. Se você já possui a Anniversary Edition digital no Nintendo Switch original, a atualização para a versão nativa do Switch 2 é totalmente gratuita.

Isso suaviza consideravelmente o golpe das falhas técnicas. Receber melhorias visuais, tempos de carregamento drasticamente reduzidos (até três vezes mais rápidos) e a portabilidade do seu save antigo sem custo adicional é um gesto de respeito ao consumidor que é raro na indústria atual. 

A capacidade de transferir seu progresso é vital; muitos jogadores investiram centenas de horas em seus personagens no Switch original, e a ideia de começar do zero poderia ser desanimadora. 

Poder pegar seu Dragonborn nível 80 e continuar a aventura com gráficos renovados e loadings rápidos é uma experiência gratificante que valida o investimento no novo console. Por outro lado, para quem nunca comprou o jogo, o preço cheio de lançamento é difícil de engolir, especialmente quando comparado ao preço de versões muito superiores tecnicamente em outras plataformas.

Em última análise, The Elder Scrolls V: Skyrim – Anniversary Edition no Switch 2 é um produto de contradições profundas. Ele é, simultaneamente, a melhor e a mais frustrante maneira de jogar Skyrim em um portátil. 

Os tempos de carregamento, que foram reduzidos drasticamente, mudam o ritmo do jogo, encorajando a exploração de interiores e viagens rápidas que antes eram evitadas para não encarar telas de loading intermináveis. A beleza visual, impulsionada pelo DLSS e pela nova iluminação, cria momentos de puro deslumbramento artístico. Mas a decisão teimosa de não priorizar a fluidez de 60 fps, combinada com o input lag persistente e os bugs visuais na água, impede que esta versão alcance a grandeza. 

Parece um produto lançado às pressas para coincidir com a janela de lançamento do novo console, focado mais em preencher um catálogo e aproveitar o hype do hardware do que em entregar uma experiência polida.

Para o veterano que já tem o jogo no Switch, o download é obrigatório; as melhorias visuais e de carregamento superam os problemas de performance, e o preço zero é imbatível. Para o novato que nunca pisou em Tamriel, a recomendação é mais cautelosa. 

Skyrim continua sendo uma obra-prima de mundo aberto, um jogo onde a liberdade é absoluta e a aventura espera em cada direção da bússola. Mas jogar essa obra-prima com controles que parecem pesados e uma taxa de quadros que pertence à década passada exige um nível de tolerância que nem todos os jogadores modernos possuem. O Switch 2 provou, com outros títulos, que é capaz de muito mais. 

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É uma pena que, desta vez, o Dragonborn tenha chegado ao novo mundo com uma flecha no joelho da otimização.

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