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Ex-executivo da PlayStation não entende por que a Sony está abandonando o PC

Ex-chairman da PlayStation Shawn Layden questionou a decisão da Sony de encerrar ports de PC, dizendo que lançamentos tardios nunca tiraram vendas de console.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
5 min de leitura

O arquiteto da estratégia discorda de quem a está desmontando

Shawn Layden foi chairman da Sony Interactive Entertainment Worldwide Studios até o final de 2019 e é a figura por trás da decisão que trouxe Horizon Zero Dawn ao PC em 2020, o primeiro grande lançamento exclusivo da PlayStation a chegar à plataforma de Valve.

Desde então, a Sony levou praticamente todos os seus grandes títulos ao PC, geralmente entre um e dois anos após o lançamento original no console. Em maio deste ano, a empresa confirmou internamente o fim dessa estratégia: jogos single-player narrativos da PlayStation Studios, incluindo God of War: Laufey, Saros e Marvel’s Wolverine, vão permanecer exclusivos de console daqui para frente.

Em participação no podcast PSI, Layden foi direto ao dizer que não entende a decisão, porque não acredita que os ports tardios estivessem custando vendas de hardware à Sony.

O argumento central de Layden

“Primeiro de tudo, os jogos não vão para o PC em cerca de um ano, ou o que for. Não é dia e data”, disse Layden. “E se eles acham que um jogo saindo 18 meses depois do lançamento em outra plataforma de alguma forma impediu uma venda de acontecer 18 meses antes no negócio de hardware, eu gostaria de ver como eles podem provar essa tese.”

Ele foi enfático em relação à percepção interna que pode ter motivado a mudança: “Você pode sentir que isso é verdade, mas eu não sinto que seja verdade. Se alguém está esperando 18 meses por algo chegar ao PC, nós não perdemos uma venda para essa pessoa. Ela não ia comprar o hardware de qualquer forma.”

O verdadeiro objetivo por trás da estratégia original

Layden aproveitou a entrevista para esclarecer o que, segundo ele, sempre foi mal compreendido sobre sua decisão original. Para ele, exclusividade continua sendo fundamental para diferenciar uma plataforma. “Se você quer Zelda, você vai para a Nintendo. Se precisa de Mario, é lá que você encontra.” Segundo Layden, a era de PS1, PS2 e PS3 foi construída sobre exclusividade, com estúdios japoneses vinculados à PlayStation através de relações comerciais diretas.

O objetivo de levar jogos ao PC nunca foi, segundo ele, gerar receita direta significativa. “Não era para ganhar dinheiro, honestamente. Era sobre como eu coloco minha propriedade intelectual na frente de pessoas que normalmente não a veriam. Como eu faço o mundo de Horizon ser visto por pessoas que não estão no universo PlayStation? Não necessariamente porque elas vão comprar um PlayStation, eu não era tão louco assim. Eu não achava que isso ia acontecer.” Para Layden, o valor estava em expandir o alcance da propriedade intelectual para outras mídias, filmes, séries, quadrinhos e produtos licenciados, que dependem de reconhecimento amplo do público.

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O que a Sony diz internamente sobre a mudança

Segundo reportagem do jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, o CEO da PlayStation Studios, Hermen Hulst, comunicou a mudança aos funcionários num town hall em maio, explicando que os lançamentos no PC “não geravam dinheiro suficiente” e que a empresa quer “manter sua propriedade intelectual alinhada à própria plataforma”. Schreier foi enfático ao dizer que não há avaliação caso a caso: a decisão é estrutural.

Os números por trás dessa decisão ajudam a explicar o raciocínio interno. Segundo dados do Steam, o port de maior sucesso da Insomniac Games no PC, Marvel’s Spider-Man Remasterizado, atingiu pico de 66.436 jogadores simultâneos. Ghost of Tsushima, desenvolvido pela Nixxes, chegou a 77.154. São números respeitáveis, mas que representam uma fração pequena da receita total da PlayStation, e a tendência de queda de desempenho a cada novo port sugeria que o modelo estava perdendo força comercial.

O que continua indo para o PC

A mudança não é um afastamento total da plataforma. Jogos live service e multiplayer, como Marathon da Bungie e Marvel Tōkon: Fighting Souls, seguem com lançamento simultâneo em PS5 e PC, já que esse tipo de jogo depende de uma base ampla de jogadores para funcionar. Títulos desenvolvidos por estúdios externos mas publicados pela PlayStation, como Death Stranding 2 e Kena: Scars of Kosmora, também mantêm planos de chegar ao PC. O que muda de forma definitiva é o fluxo de grandes exclusivos narrativos de estúdios internos, que agora vão permanecer confinados ao ecossistema PlayStation indefinidamente.

A teoria de Layden para o que motivou a virada

Sem confirmar exatamente por que a Sony tomou essa decisão, Layden especulou que o custo de distração de desenvolver e manter versões para PC pode ter se tornado grande demais para justificar o benefício. É uma hipótese que se conecta diretamente ao contexto mais amplo que a PlayStation está enfrentando: pressão de custos de componentes, questões sobre o futuro do PS6 e uma reavaliação geral de onde a empresa deve concentrar recursos limitados. Ainda assim, para o executivo que abriu essa porta há seis anos, a lógica de fechá-la agora simplesmente não fecha as contas.

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