Sony demite a maior parte da equipe de Destiny 2 na Bungie e diretor de estúdio renuncia
Sony confirma demissão da maior parte da equipe de Destiny 2 na Bungie e alguns membros de Marathon; diretor de estúdio Justin Truman renuncia.
O fim que todo mundo sabia que estava chegando
Em 9 de junho de 2026, Destiny 2 recebeu sua última atualização de conteúdo. O jogo que começou em 2017, passou por uma reformulação gratuita em 2019 e sobreviveu a expansões, controvérsias e cortes de equipe ao longo de quase uma década encerrou sua jornada com a atualização Monumento do Triunfo. O servidor permanece ativo, os itens continuam acessíveis, mas nenhum conteúdo novo vai chegar. O que veio a seguir era esperado pela indústria há meses, confirmado pelo Bloomberg em maio e oficializado hoje: a Sony anunciou demissões em massa na Bungie, afetando a maior parte da equipe de Destiny 2 e parte dos desenvolvedores de Marathon.
Justin Truman, diretor de estúdio da Bungie que havia assumido o cargo no lugar de Pete Parsons no ano passado, também anunciou sua saída hoje.
O que a Sony disse oficialmente
O CEO do grupo de negócios de estúdios da Sony Interactive Entertainment, Hermen Hulst, enviou um email aos funcionários que foi publicado no site da empresa. Hulst confirmou que as demissões afetam “um número significativo de funcionários, incluindo a maior parte da equipe de Destiny e alguns membros da equipe de Marathon“. O texto não menciona números absolutos. Estimativas da Forbes de abril situavam o total de funcionários da Bungie em torno de 800, já depois de dois ciclos anteriores de demissões que haviam reduzido o estúdio de um pico pandêmico de 1.300 pessoas.
Hulst afirmou que a decisão foi tomada após meses de revisão interna da direção de longo prazo do estúdio, de suas necessidades de recursos e de seu papel dentro da estratégia da Sony. Múltiplas alternativas teriam sido exploradas antes de se concluir que a redução era necessária.
A própria Bungie admitiu o que deu errado
Em comunicado publicado no Bluesky, a liderança do estúdio foi direta: “Destiny 2 ficou aquém das expectativas nos últimos anos.” É uma admissão rara num setor que costuma usar linguagem corporativa para evitar declarações desse tipo. O texto reconhece que, com os projetos futuros “ainda em incubação inicial” e sem um novo título greenlit para absorver a equipe de Destiny 2, era inviável manter o estúdio no tamanho anterior.
A trajetória dos últimos anos confirma o diagnóstico. Em outubro de 2023, a Bloomberg revelou que a receita da Bungie rodava 45% abaixo das projeções, levando ao corte de 100 funcionários. Em julho de 2024, mais 220 pessoas foram demitidas, cerca de 17% do estúdio, com outros 155 cargos transferidos para a Sony Interactive Entertainment. Cada ciclo reduziu o tamanho do estúdio e estreitou o espaço de manobra para novos projetos.
O custo da aquisição que nunca pagou o investimento
A Sony adquiriu a Bungie por US$ 3,6 bilhões em 2022, prometendo que o estúdio manteria independência operacional e capacidade de publicar seus próprios jogos. Documentos do processo judicial entre a FTC e a Microsoft, divulgados na época, indicavam que a estrutura de governança da Bungie estava vinculada ao cumprimento de metas financeiras, e que a Sony poderia assumir controle total se elas não fossem atingidas.
A aquisição nunca foi tratada como uma jogada de ofensiva. Relatos posteriores descreveram a compra como uma “aquisição de emergência”, feita para evitar que o estúdio fechasse as portas. Com Marathon recebendo recepção morna desde o lançamento em março e Destiny 2 encerrando o ciclo de vida sem um sucessor anunciado, a Sony registrou uma perda por impairment de US$ 765 milhões relacionada aos ativos da Bungie em seu último balanço.
O que resta na Bungie
A Sony garantiu que Marathon permanece uma prioridade. O extractor shooter entrou na segunda temporada com novos modos e conteúdo planejado até o fim de 2026. Hulst sinalizou que projetos em incubação estão avançando, mas não deu nenhum detalhe sobre o que são ou quando serão anunciados. Dentro da comunidade de fãs, uma petição pelo desenvolvimento de Destiny 3 ganhou tração nas últimas semanas, mas não há nenhuma indicação de que a Sony ou a Bungie estejam considerando a franquia como prioridade imediata.
O que ficou claro hoje é que a Bungie que construiu Halo e Destiny ao longo de três décadas é agora um estúdio menor, focado num único produto ao vivo que ainda não provou que pode sustentar uma nova geração de fãs pelo tempo necessário para justificar o investimento original.