Cinema

Super Mario Galaxy: O Filme traz nostalgia visual que atropela o roteiro

Super Mario Galaxy: O Filme traz uma experiência diferente do seu antecessor, abandonando a estrutura de roteiro tradicional para se tornar uma salada de momentos

Átila Graef
Átila Graef Redação
4 min de leitura
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Três anos após o sucesso estrondoso do primeiro Super Mario Bros o filme, a parceria entre a Nintendo e a Illumination decidiu que era hora de tirar os pés do Reino Cogumelo e mirar nas estrelas. Super Mario Galaxy: O Filme chega aos cinemas logo na sequência do primeiro, trazendo uma explosão sensorial que, embora sacrifique a narrativa em prol do espetáculo, entrega exatamente o que o fã veterano quer ver: uma porrada de referências e o DNA da Big N.

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O ritmo frenético das estrelas

Se o primeiro filme se preocupava em estabelecer a origem dos irmãos Mario, Galaxy já começa jogando as ideias direto na tela sem muita cerimônia. A narrativa é propositalmente acelerada, embora em alguns momentos seja até demais. Diferente da construção progressiva do primeiro, aqui as coisas acontecem de forma súbita. Um exemplo é o encontro com o Yoshi: assim como nos jogos, o dinossauro aparece logo de cara, sem grandes explicações ou arco para o personagem. Para o espectador casual, pode parecer um atropelo, mas quem cresceu segurando um controle de Super Nintendo, vê um reencontro imediato.

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Fanservice nos mínimos detalhes

Se você achou que o primeiro filme tinha muitos easter eggs, prepare-se. Galaxy eleva o fanservice a um patamar absurdo. O filme é uma carta de amor à história da franquia, com referências que vão muito além do óbvio e com certeza impossível de pegar todas assistindo uma vez só.

Um dos destaques vai para uma sequência inteira dedicada ao Super Mario Bros. 2 com inimigos e até um chefão da subestimada versão americana ganhando vida na telona. Além disso, o filme presta uma homenagem logo nos primeiros minutos: a participação de Charles Martinet. Simples e tardia, porém uma necessária menção honrosa à voz original que deu vida ao Mario por décadas.

Uma adição legal mas nem tão surpresa assim já que os trailers deram spoilers, foi a inclusão de Fox McCloud, surgindo com uma aura de mercenário ao melhor estilo Han Solo. A sequência de apresentação da sua equipe em estilo anime apesar de curta, é sensacional e mostra como um possível anime de Star Fox funcionaria bem nessa estética. O problema é que como várias coisas do filme o personagem também é meio jogado e a interação com o Mario é bastante limitada, deixando um gostinho de “quero mais” para quem esperava um crossover mais aprofundado.

Graficão jamais visto nos games

Tecnicamente, o filme é impecável. A transição para o ambiente espacial permitiu que os animadores brincassem com a gravidade e cores vibrantes que remetem diretamente à estética do game do Wii. As galáxias visitadas trazem uma identidade visual própria, e a trilha sonora, inspirada diretamente das composições orquestrais de Koji Kondo e Mahito Yokota, dita o tom da aventura com medleys que vão trazer memórias aos fãs da série.

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Super Mario Galaxy: O Filme traz uma experiência diferente do seu antecessor, abandonando a estrutura de roteiro tradicional para se tornar uma salada de momentos. Alguns muito bons, outros que poderiam ser mais bem explorados. Não espere uma aula de cinema, já que apesar de tudo ainda é um filme bastante infantil, talvez ainda mais que o primeiro. Sim, a narrativa é apressada e muitas vezes joga elementos na sua cara sem explicação, mas deve agradar ao gamer que cresceu com a Nintendo com reverências aos inúmeros jogos da série e alguns alívios cômicos que compensam os furos.

Prós:

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Fanservice de alto nível com referências profundas e que vão garantir assistir novamente.

Homenagem a Charles Martinet logo no início.

Visual e trilha sonora que elevam o padrão da franquia no cinema.

Sequência 2D inesperada e muito nostálgica.

Contras:

Ritmo acelerado; narrativa sem pé nem cabeça.

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Roteiro simplório que aposta demais no conhecimento prévio do espectador.

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