O Conceito

Dia vs Noite, TWD vs GOT, DC vs Marvel, BvS vs Guerra Civil, Xbox vs Playstation, Flamengo vs Fluminense, Android vs iOS, McDonalds vs Burger King, Nerd vs Nerd, Fanboy vs Fanboy.

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O multiverso nerd é pautado por discussões intermináveis e, geralmente, extremamente redundantes. Mas com toda a certeza a gente adora aquela treta cósmica para provar que um lado é melhor que o outro – mesmo que o único convencido na discussão seja você mesmo. Analisando essa treta tão peculiar, decidimos trazer um pouco desse espírito “saudável” de discussão para o nosso site.

Sejam bem-vindos ao Cine Vinil! Calma, antes de soltar os cães nos comentários, entenda nossa proposta. Os discos de vinil foram um dos itens mais amados para reprodução de arquivos sonoros. Sua grande peculiaridade eram os lados A e B. O lado A era utilizado para gravar os hits comerciais das bandas, músicas mais populares. Enquanto o Lado B era mais voltado para canções experimentais ou mais autorais.

No caso, nos inspiramos pelos lados opostos do mesmo “disco” – de uma mesma obra. Serão dois artigos: o Lado A, que contém a opinião positiva, e o Lado B, com a versão negativa. Os autores, obviamente, serão distintos, e escolherão 5 pontos específicos da obra para justificar seus argumentos.

Explicado o conceito, nós lhes desejamos aquela ótima discussão para defender o seu lado favorito! Quem ganhou? Lado A ou Lado B? Que a treta perfeita comece!

Atenção aos spoilers.

LADO B

Por Leandro T. Konjedic

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

Diferentemente da trilogia original – que não se tratava de uma continuação e ainda contava com um lore em construção – Os Últimos Jedi possuía a obrigação de responder determinadas perguntas deixadas em aberto no filme passado, para que pudéssemos não somente mergulhar no mundo criado, como na sua própria lógica interna. Perguntas como “Quem era Snoke? Em que momento ele abordou Kylo? Onde foram parar os Cavaleiros de Ren? Como a Primeira Ordem ficou tão poderosa e os rebeldes tão impotentes após o final de O Retorno de Jedi? Quais as consequências da perda da Starkiller e da explosão de cinco planetas?” – ficaram sem respostas.

Crítica com spoilers star wars os ultimos jedi


Credit: David James/ILM/© 2017 Lucasfilm Ltd.

MUDANÇA DE PERSONAGENS, DESPERDÍCIO DE OUTROS E EXCESSO DE SUBTRAMAS

Por falar em ignorar eventos de filmes passados, o que dizer de alguns dos personagens aqui reapresentados? Hux, antes um ditador linha dura, agora é um capanga que serve de alívio cômico. Finn se tornou maçante e participa de uma subtrama absolutamente inútil para o contexto geral da obra, com uma coadjuvante que pode entrar para a lista das piores personagens da saga. Rey e Kylo foram diminuídos, Leia fica ausente a maior parte do tempo, Phasma foi novamente desperdiçada, Poe virou um rebelde repetitivo – em outra subtrama desnecessária – e a morte de Han Solo raramente é reverenciada. E o que dizer de Luke, que não somente tem sua personalidade alterada sem motivo aparente, assim como seus métodos, que vão contra tudo o que o Jedi representava e acreditava? Um completo desvio. Se fosse para desconstruir um personagem icônico, ao menos que o fosse feito com motivações mais plausíveis.

RIAN JOHNSON, MONTAGEM E RITMO

Por apresentar um número considerável de personagens, era de se esperar que Rian Johnson os dividisse em núcleos bem definidos e relevantes, para que todos possam convergir no final de forma satisfatória. Ledo engano. Não somente Johnson investiu sua escrita nas subtramas mais entediantes possíveis como sua escolha equivocada em sua linguagem cinematográfica de optar por ordenamento de vários planos fechados e closes, acaba gerando uma autosabotagem, desvalorizando não somente o visual de suas paisagens e planetas, como a própria condução da ação. Não ajuda a edição dos dois primeiros atos contarem com problemas sérios de continuidade e transição, prejudicando o fluxo narrativo. Isso vindo de uma franquia que já faturou o Oscar de Melhor Montagem em 1978.

 

HUMOR E DIÁLOGOS

Lembram-se daquele encontro épico visto no final de O Despertar da Força? Pois é. Aqui, infelizmente, o que se segue é uma sucessão de piadas envolvendo sabres sendo jogados, leite de tromba lambuzando barbas, porgs sendo devorados… E não para por aí somente nesse núcleo. Além do já comentado General Hux, sobrou até para Rey se impressionar com um musculoso Adam Driver sem camisa e a presença da slapstick comedy em um momento tenso com Snoke, onde um sabre rodopia e atinge a cabeça de um dos personagens. O problema não é o humor. É seu timing e pertinência. Os diálogos fracos e didáticos também não ajudam a tornar o tom da obra geral em um exemplo de concisão.

Crítica com spoilers star wars os ultimos jedi

O FILME TODO É UM FILLER

Então, o que mudou depois de Os Último Jedi? Nada, na verdade. Rey continua lutando pela Resistência e abraçando a Força – algo que já tinha feito no filme passado, com a diferença de que aqui levanta pedras. Finn permanece como um rebelde que se dedicou à sua função – assim como no filme anterior. Leia ainda é a General. Poe ainda é o impulsivo. Kylo Ren continua mau. Hux e Phasma não fazem diferença. Luke não caminha mais entre os vivos – assim como estava ausente no episódio anterior. E, por fim, a Primeira Ordem continua atacando seus oponentes. Para que serviu o filme? Para matar Snoke e Kylo Ren subir um degrau na hierarquia? Ou para revelar a identidade patética dos pais de Rey? Tanta expectativa criada para isso? Porque não já ter contado no Episódio VII, já que não se tratava de uma grande revelação? Até a Primeira Ordem parou de procurar Luke, sendo que esse era o objetivo principal do grupo no Despertar da Força. Claro que não ajuda o fato do filme se tratar de um amálgama de O Império Contra-Ataca, O Retorno de Jedi e das prequels, faltando originalidade e identidade para ideias já desgastadas.

Clique, aqui, para ler o Lado A.

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