nota-3,5

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Obs: Cuidado com os spoilers!

Apesar da apresentação competente do Motorista Fantasma, o episódio inicial desta temporada deixou dúvidas a respeito de como seria a relação entre os campos místicos e científicos, o divertido e o sério ao decorrer desta temporada. O trabalho com esses opostos certamente foi muito bem avaliado pelos roteiristas, sendo que já neste segundo episódio eles apresentam sua resposta.

O que era para ser mais uma noite simples de sono, um jovem garoto acorda com a queda de algum objeto em sua casa. Observa o quarto ao seu redor e também debaixo de sua cama para confirmar sua segurança. No entanto, não satisfeito, vai até a porta e segue o corredor em direção a sala de estar. Lá, uma mulher pálida encontrava-se em frente a lareira com suas fortes olheiras sobre o porta retratos da família. No mesmo instante, a criança logo chama por seu pai que logo atende o filho. Achando tratar-se de mais uma fantasia infantil, o pai pede para que seu filho retorne para cama, porém o porta retratos caído e quebrado no chão chamara-lhe de volta. Analisando o objeto com cuidado, é assustado com a presença assustadora em sua frente. A figura perturbada avança sobre o seu corpo atravessando-lhe. Ao virar-se para seu filho, que em reação diz estar assustado, vê apenas escuridão onde deveria estar os olhos da criança.

Apesar dessa pequena narrativa fazer parecer que temos um momento assustador à la James Wan e seu Invocação do Mal, devo dizer que a cena é simples. Um pequeno prólogo que nos prende criando expectativa para o desenrolar do texto. Além do mais, creio que a Marvel responde ao receio que tanto me incomodou na semana passada. Não apenas esta introdução, mas todo o episódio o episódio fica claro que a Marvel vai trabalhar seu misticismo nesta série com diversão.

Após o confronto direto com Motorista Fantasma anteriormente, Quake ainda insiste e vai descaradamente ao trabalho de seu alter ego. O provocando com insinuações, comete o erro de citar o irmão de Robbie. Sentindo-se ameaçado, o mecânico parte para cima, imobilizando Quake. É uma situação nova para ele, ser perseguido assim de maneira tão descarada. Querendo pôr um “fim” na situação, o rapaz procura um motivo que leve a isso nos pertences de Quake. No entanto, acaba descobrindo uma relação entre os capangas e os chineses do episódio anterior.

Enquanto isso, Fitz-Simmons estão analisando a caixa comprada pelos chineses em busca de uma resposta sobre o objeto que deixou tantos homens malucos. Questionam todas as possibilidades possíveis até Mack aparecer com uma nova peça na história: as imagens do circuito interno que gravou o momento que a caixa fora aberta revelou uma figura fantasmagórica. Além disso, na noite anterior foi reportado que uma família estaria no hospital, tendo o pai com os mesmos sintomas de demência dos chineses. De acordo com a descrição das vítimas, a aparição era a mesma das filmagens.

A conexão com Pasadena e o laboratório de energia logo é feita, levando Mack e Fitz até lá. E aqui já temos a primeira interação do Motorista Fantasma com agentes da S.H.I.E.L.D. Sabendo que uma das caixas fora aberta, o Espírito de Vingança corre também ao local.Mais uma vez a versão flamejante de Reyes aparece rapidamente, e desaparece como se nunca estivesse ali. Pode-se resumir a cena em três frases: Fitz e Mack estão perdidos sem saber o que fazer contra os fantasmas, Motorista chega e mata um dos espíritos – sem pudor, e, então, vai embora livremente graças a Quake que impede Mack. A cena de simples e tão rápida, faz parecer desnecessário essa breve apresentação.

A grata surpresa deste Meet The New Boss é justamente a apresentação de Jeffrey Mace como novo Diretor da S.H.I.E.L.D., interpretado carismaticamente por Jason O’Mara. O personagem que nos quadrinhos também é conhecido como Patriota, aparece a princípio como um homem comum assim como os outros. Um líder dinâmico e de pulso firme, com planos de restauração da S.H.I.E.L.D. (sinais claros de que a agência voltará a ter sua importância de outrora neste universo). Contudo, apesar da aparência modesta, quando May se descontrola totalmente devido a mesma infecção dos chineses, Mace demonstra sua capacidade sobre-humana imobilizando-a sem nenhum esforço. Nos quadrinhos, Jeffrey Mace não tem superpoderes, limita-se apenas as suas habilidades como um combatente de guerra, mas aqui ele é revelado como um inumano super-força e invulnerabilidade. Não há detalhes se o personagem tem outros dons, ao que tudo indica é apenas isso.

A relação entre Coulson e Mace promete bons momentos a série. Phil que antes se sentira responsável apenas por Johnson, agora é obrigado a ver sua melhor parceira infectada por uma força desconhecida. Mace que foi a primeira opção para assumir o cargo depois de Steve Rogers, o qual agora é um desertor, propõe a Coulson que ele seja seu conselheiro mais próximo, porém o ordena para não se envolver com May e Quake, tornando ambas responsabilidade do diretor. Vamos lembrar, no episódio anterior ele já desobedecera essas ordens. Agora tratando-se de Melinda, mesmo sendo o melhor agente da instituição, é meio óbvio que Coulson quebrará regras mais uma vez.

Há um ponto em questão no qual deixei de comentar no texto sobre o episódio anterior, o qual não posso deixar passar aqui. A edição da série é ruim. É lamentável a maneira como a montagem quebra uma cena de diálogo e também uma de ação. Em The Ghost, por exemplo, as cenas em que Robbie Reyes aparece torturando seu sequestrado são varias vezes interrompidas, partindo para uma trama oposta desconexa. Aqui eu posso até abrir uma exceção, pois o objetivo do primeiro primeiro episódio foi revelar o personagem aos poucos.

No entanto, a série bate na mesma tecla sem corrigir o erro. E não é de agora que isso ocorre. São poucos os momentos entre as temporadas onde há um trabalho estilizado de câmera, uma boa cena com um diálogo bem construído… A direção é automática e sem criatividade. É raro, também, momentos de trilha sonora marcantes colaborando para uma imersão maior do espectador. Em minha opinião, capricho e cuidado nunca são demais. Não se pode guardar talentos apenas para final de temporada.

Neste capítulo a Marvel deixa claro como trabalhará o seu miticismo na série: diversão, porém com toques sérios. Pelo menos, por esse episódio, a proposta funciona muito bem relacionando os agentes com os fantasmas. O estabelecido com o novo. A apresentação de Jeffrey Mace e a situação de Melinda May piorando, ambos com um ótimo destaque, também deixam evidentes essas características. 

No mais, o meu maior lamento para essa semana é ainda não termos uma cena decente de Motorista Fantasma além da inicial desta temporada. 

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