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Chegamos a reta final da terceira temporada de Better Call Saul. Esse nono episódio vem como um belo de balde de água fria para seus personagens. De fato, como o próprio nome diz, vemos os personagens enfrentarem suas quedas, seja metafóricas ou literais. E, como queda, não necessariamente abalo, mas entende-se também como a entrega, sem volta, para escolhas que prejudicarão muitas pessoas. E a queda aqui não é individual, já que cada um está puxando outro.

Primeiro, Jimmy McGill (Bob Odenkirk), já que aqui não há a aparição do seu alter ego Saul Goodman. Jimmy precisa que uma antiga cliente, Irene (Jean Effron, numa ótima atuação), assine um contrato que permita a Sandpiper aceitar o acordo. O que faz Jimmy querer tanto isso é que ele ganhará parte financeira desse acordo. Vemos então a característica principal que fez de Jimmy o Saul Goodman, o moço simpático que se aproxima das pessoas armando um plano para conseguir o que quer. O episódio consegue equilibrar o viés cômico que o protagonista possui com a sensibilidade e inocência que Irene tem, com uma conclusão bem sentimental e, ao mesmo tempo, fria por parte da astúcia do protagonista. Vamos, ao longo do episódio, intercalando com as demais histórias (uma forma inteligente e simples que Better Call Saul faz, desenvolvendo cada história), entendendo o plano de Jimmy até a sua finalização. Aqui, o sentido de queda está mais ligado às escolhas de Jimmy, pensando em si e não se importando com os sentimentos de Irene. Aqui não há volta para ele, já que a pressão psicológica feita para Irene, acaba refletindo no humor e sensibilidade da personagem.

A outra história aqui é de Mike (Jonhatan Banks). A escolha sem volta dele foi a assinatura de contrato de trabalho para Gus (Giancarlo Esposito). Parece engraçado que o começo do trabalho de Mike para Gus seja marcado exatamente por uma assinatura em um contrato de trabalho. A cena demonstra bem a astúcia de Mike. Calado, mas com perguntas incisivas. Por exemplo, questiona ser consulto de logística, sendo que poderia ser consultor de segurança, pela sua experiência. Assim como questiona quem é aquela mulher que está colocando o nome dele junto a Gus. Tudo isso para conseguir lavar os duzentos mil que possui guardado. Na hora da assinatura, o enquadramento é um plano que foca o rosto de Mike junto à mão com a caneta de baixo para cima. É um significado de que Mike está assinando o contrato com o “diabo” e vendendo sua alma para o inferno.

Quem sofreu da queda literal (e também metafórica, mas nesse caso, o fundo do poço) foi a Kim Wexler (Rhea Seehorn). Já faz alguns episódios que a personagem se demonstra perdida após a humilhação que provocou em Chuck (Michael McKean), junto com Jimmy no tribunal. A boa atuação de Rhea, que consegue estampar em sua face uma inquietação e angústia, ao mesmo tempo uma força que a personagem precisa mostrar às pessoas e fazer jus ao apelido “milagreira”, como dito por um personagem secundário nesse episódio. Kim cai, literalmente na cena quando tenta empurrar o carro e cai também em não consegui mais se sentir no comando de sua vida. A cena final, que a envolvem uma batida de carro, a câmera está fixada focando seu rosto de perfil, quando que, de repente, sentimos a batida, assim como Kim também sente.

Mas o núcleo mais interessante envolve um duelo nada convencional. Hamlin (Patrick Fabian) versus McGill. Numa consequência direta de Jimmy, seu irmão, Chuck, vai tentar resolver um problema na companhia de seguros. O arquétipo arrogante e pretensioso de Chuck se mantém, quando resolve processar a companhia. Hamlin, então, ao fim da reunião, pede para que Chuck se aposente e pense em se ocupar nas áreas acadêmicas. O embate entre os dois personagens, não apenas se pauta nos diálogos, mas também nas ótimas atuações que tanto Patrick, como um diretor robótico, recatado e direto, quanto McKean em entender que seu personagem é um prato cheio da arrogância e pretensão. A consequência disso é McKean enviando um processo à empresa que possui o próprio nome e dilatando ameaças a Hamlin. É um embate curioso e que sai do mesmo, já passado, embate entre irmãos. É uma forma, inteligente, de ajustar um personagem que estava preso a uma trama já concluída e mantê-lo na história de forma ativa.

Fall é um excelente episódio, desde a montagem intercalando as histórias e desenvolvendo-as dentro de espaço e tempo adequado, até a já pragmática fotografia que sempre narra a história, mesmo sem diálogo. Dessa vez, como no caso da Kim, não apenas narra mas estabelece um vínculo emocional com o público e a própria personagem.

Better Call Saul chega nos momentos finais da temporada. É esperar agora, que essa queda sem volta, impulsione a uma conclusão de temporada que faça jus a toda terceira temporada, uma maravilha.

Better Call Saul – 03×09: Fall (Idem, EUA – 2017)

Criado por: Vince Gilligan, Peter Gould
Direção: Minkie Spiro
Roteiro: Gordon Smith
Elenco: Bob Odenkirk, Rhea Seehorn, Michael Mandon, Jonathan Banks, Michael McKean, Giancarlo Esposito, Jean Effron
Emissora: AMC
Gênero: Drama
Duração: 50 min

Confira AQUI nosso guia de episódios da temporada

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