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Depois de uma semana sem termos episódio, Better Call Saul volta em um episódio em que, se a narrativa não tem grandes avanços ou reviravoltas, por outro lado nos fornece uma solidez aos problemas de Saul (Bob Odenkirk) e a forma de lidarmos, assim como o ato sem volta de Nacho (Michal Mando) com seu tio. Temos aqui uma direção competente, que consegue em certos momentos dar a dose de tensão que uma cena permite ou em outros momentos, enquadramentos certos que nos permite entender o desconforto de um personagem.

Primeiro, temos Jimmy (mais confortável agora como Saul) enfrentando diariamente os problemas postos no episódio anterior. Mas diferente do episódio anterior, aqui ele os enfrenta ao estilo Saul Goodman. E nada mais pontual, observância ao título do episódio. Assim como os problemas surgem devido às escorregadas (tradução ao pé da letra do título do episódio) de Jimmy, parece ser a vida dizendo a ele que é com escorregadas que ele ganhará muito. A primeira escorregada, em um senso de vingança, em relação aos donos da loja de músicas que não acataram o acordo firmado anteriormente. A segunda, em um vínculo mais próxima com as drogas, Saul utiliza de suas dores na costa e ameaça de processo, para fazer o chefe do serviço comunitário liberar um dos detentos, em troca de dinheiro. Dois momentos no episódio que consolidam a opção de Saul pelas escolhas que tomará no futuro.

Kim (Rhea Seehorn) tem sua sequência também. É nela que vemos o desconforto que Jimmy poderia sentir ainda com os resultados da audiência na Ordem. Tal incomodo mais preciso quando, na cena que Kim está com seu cliente Mesa Verde conversando sobre o processo, um corte para vermos a chegada de Howard (Patrick Fabian) com seus clientes, ao fundo do plano. E Howard continua ao fundo do plano, o que favorece o desconforto da personagem dentro de sua narrativa.

Em outro momento do episódio, temos a narrativa de Chuck (Michael McKean). Um personagem estabelecido como um grande egoísta arrogante, aqui fica a mercê de seus próprios erros. Constrói em cima dele uma autocrítica e, auxiliada pela fotografia que permeia um pouco de luz ao cenário ainda escuro, observamos um otimismo em seu estado de espírito, o que é comprovado pela sua fala de querer logo superar este problema e voltar ao cotidiano do tribunal.

Em outro segmento do episódio, o que confere tensão a este, coube ao Nacho enfrentando seu tio (Mark Margolis). Assim como sempre foi feito na série, foi apresentado a estruturação do plano, com cortes rítmicos, onde vemos a montagem das pílulas com o químico até as tentativas de arremessar a cápsula no casaco do tio. E, na reta final do episódio vemos toda a sequência do plano em desenvolvimento, a troca entre as cápsulas de remédio pelo químico danoso.

De forma geral, o episódio tem seus méritos nos inteligentes enquadramentos, mas também na montagem que mescla cada narrativa enfocando o começo, intercalando com outras, para apresentar o final delas. O episódio é bastante equilibrado em tom e ritmo e, talvez, seu único problema esteja apenas em manter tempo de tela em alguns personagens que talvez não valha tanto.

O que posso dizer? A série está longe de dar uma escorregada.

Better Call Saul – 03×08: Slip (Idem, EUA – 2017)

Criado por: Vince Gilligan, Peter Gould
Direção: Adam Bernstein
Roteiro: Heather Marion
Elenco: Bob Odenkirk, Rhea Seehorn, Michael Mandon, Jonathan Banks, Michael McKean, MarkMargolis
Emissora: AMC
Gênero: Drama
Duração: 50 min

Confira AQUI nosso guia de episódios da temporada

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