» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

Já no sétimo capítulo de Deus Salve o Rei, enfim, a crise hídrica em Montemor passa a ser tratada como questão de urgência pelos roteiristas, que passam a demonstrar como o reino está sendo afetado e que é preciso buscar uma solução para tal problema o mais rápido possível. Até então, o que vimos fora uma abordagem bastante ingênua até a essa questão, enquanto a maior preocupação era mostrar os dramas e casos amorosos entre os diversos personagens da novela, ao invés de lidar com pontos que, de fato, podem alterar completamente o cenário estabelecido até aqui. Naturalmente que ainda existe a ênfase nos relacionamentos desses indivíduos, mas, ao menos, não às custas de outros importantes assuntos a serem trabalhados.

Iniciando de onde fomos deixados no Capítulo 06, o episódio do dia 16 de janeiro, desde cedo, os minutos iniciais, busca trabalhar a aproximação de Catarina com o Duque, tudo enquanto o Marquês, a quem a mão da princesa está prometida, se aproxima. Mantém-se, portanto, o nítido foco nas relações entre a personagem de Bruna Marquezine e seu amante, seguindo os mesmos moldes da relação entre Amália e Afonso, no que diz respeito a construção narrativa – no fim de um episódio se beijaram e no outro continuam com constantes demonstrações de afeto (ou similar), para que, no fim, o homem revelar que precisará partir. Evidente que, se tratando de Catarina, o amor não está em jogo e sim o poder, o que ela pode adquirir através dessa aproximação com o Duque, algo que seria tão melhor construído caso a atriz se sentisse mais à vontade no papel, se livrando dos diálogos robóticos.

Ainda em Artena, mas fora do castelo, Amália começa a temer que Afonso não irá retornar, questão agravada pelas desconfianças da mãe e especialmente do pai em relação a esse suposto ferreiro. Como personagem sonhadora e apaixonada que é, ela ainda nutre esperanças, mas podemos sentir seus receios, ainda mais com o afastamento de sua amiga, que fora seduzida por Virgílio, claramente com segundas intenções. Esse arco, claro, dialoga diretamente com o de Afonso, ambos fazendo uso constante do efeito Kuleshov para aproximar os dois personagens, evidenciando que um não consegue tirar o outro da cabeça, ponto que, em medidas similares (porém com consequências variadas) acaba colocando as duas vidas em pausa, até que o assunto seja, enfim, resolvido.

Mas é o lado de Afonso e todo o drama de Montemor que acaba sofrendo maior com esse amor interrompido. Logo cedo, com o desmoronamento da mina, a situação do reino demonstra-se preocupante, ao passo que tudo parece caminhar para o fim do acordo entre Montemor e Artena – sem minérios, não há como adquirir água do outro reinado e Catarina não parece muito disposta a manter esse acordo. Caso os roteiristas sigam por essa via, o que provavelmente será estabelecido é algo similar a Romeu e Julieta, com Afonso e Amália presos em dois reinos (no lugar de famílias) em conflito – algo já para lá de clichê, mas que pode contar com a necessária profundidade caso seja demonstrada mais ousadia por parte do texto.

O que surpreende nesse lado da história é que, em certos pontos, Rodolfo parece demonstrar mais sensatez que Afonso – claro que isso se dá em virtude da mente distraída do irmão mais velho, mas isso pode acabar sendo utilizado pelos conselheiros/ ajudantes de Rodolfo para colocarem o caçula no trono e, por conseguinte, governarem no lugar dele. Isso, no entanto, não quer dizer que tenhamos nos livrado dos desnecessários e intrusivos momentos de humor, de alívio cômico, protagonizados por Rodolfo, mas, ao menos, eles diminuíram consideravelmente se compararmos ao início da novela.

Outro aspecto que soa um tanto quanto desconexo, ao menos nesse primeiro momento, são os focos no filho do treinador da academia e na jovem cozinheira. Com tanto a ser mostrado nos três núcleos já existentes, soa estranho que os roteiristas se preocupem em desenvolver tais personagens, que, ao menos por enquanto, não são de muita importância para a trama geral dos dois reinos. A impressão passada é de que tentam dilatar a narrativa da novela, a fim de possibilitar que ela dure os planejados cento e cinquenta capítulos. Seria preferível, no entanto, que mais das histórias de Catarina, Amália ou Afonso fossem desenvolvidas no lugar.

Esse sétimo capítulo da novela, portanto, apresentou seus altos e baixos, mas se mantém com saldo positivo, enquanto podemos, de fato, enxergar a progressão fluida dos principais arcos. Os costumeiros problemas de Deus Salve o Rei ainda não foram resolvidos, mas, alguns deles, ao menos, foram minimizados, a tal ponto que quase conseguimos ignorá-los. Resta torcer para que, assim como Afonso, os roteiristas da novela consigam recobrar o foco naquilo que realmente importa.

Deus Salve o Rei – Capítulo 07 (idem – Brasil, 16 de janeiro de 2018)

Direção: Fabrício Mamberti
Roteiro: Sérgio Marques, Angélica Lopes, Dino Cantelli, Cláudia Gomes, Péricles Barros
Elenco: Marina Ruy Barbosa, Rômulo Estrela, Bruna Marquezine, Johnny Massaro, Ricardo Pereira, José Fidalgo, Tatá Werneck, Vinicius Calderoni, Marco Nanini, Caio Blat, Vinícius Redd, Fernanda Nobre, Débora Olivieri, Giulio Lopes, Marina Moschen, João Vithor Oliveira
Emissora: Globo
Duração: 43 min.

Comente!