nota-4

A nova temporada de How to Get Away with Murder está definitivamente me deixando nos nervos.

A princípio, fiquei receoso e sem muitas expectativas para este ano, visto que a segunda metade da última temporada caiu de forma drástica no quesito identidade narrativa e ganchos interessantes. Mas estou muito feliz por estar errado e ver que Shonda Rhimes e sua incrível equipe de diretores e roteiristas conseguiu recuperar o fator que nos mantiveram presos desde o episódio piloto: a dúvida.

Retomando de onde parou, o segundo episódio se inicia com Annalise sentada inexpressiva numa ambulância, observando os bombeiros apagarem o fogo que consome sua casa e alguns detetives virem conversar com ela. Ao que tudo indica, a advogada é uma das principais suspeitas do assassinato e do incêndio. Confesso que fiquei assustado com sua explosão, mas é completamente compreensível – afinal, é meio desconexo ela queimar sua própria residência.

Mas isso é obra de Rhimes. As aparências enganam e nem tudo é o que parece ser.

Voltando dois meses no tempo e utilizando a cronologia a qual estamos acostumados, as coisas começam a esquentar para o lado de Annalise. Afinal, caso não nos lembremos, cartazes difamando seu caráter e acusando-a de assassina foram espalhados pelo campus da Universidade Middleton, chamando a atenção da nova cúpula da reitoria. Ela é avisada sobre um possível remanejamento, mas crê que tudo acabará bem.

Nesse meio tempo, os alunos são apresentados a Irene Crowley, sua mais nova cliente pro-bono. Assim como no último caso, os alunos tiveram um minuto para apresentar uma defesa digna para atuarem como reais advogados, com o intuito de conseguir sua liberdade condicional. Crowley foi indiciada a cinquenta anos de cadeia por matar seu ex-marido com um martelo, e já entrou com a ação seis vezes – todas negadas.

Diferentemente do último episódio, todos os alunos trabalharão juntos. Irene acaba por escolher Connor como seu representante, o qual tem dificuldades para impor-se como o líder da equipe, principalmente depois de ver que Oliver, seu ex-namorado, trabalhará no final do corredor da sala como assistente de T.I. de Annalise.

Conforme a trama segue, descobrimos que Irene não sente remorsos por ter cometido o crime, ao passo em que sofria abusos durante seus dez anos de casamento e, em dado momento, conseguiu se libertar do encarceramento. Apesar desse arco não ser tão envolvente, aqui vemos uma grande sacada do roteiro no qual duas mulheres e um homossexual tentam convencer o júri – formado por três homens brancos, heterossexuais e velhos – a olhar além da superfície e analisar a delicadeza e a tomada de atos de tal caso.

Outra subtramas são retomadas aqui também: além de Connor e Oliver, Michaela e Ash continuam seu “romance secreto”, apesar de diferenças de valores abalarem a relação; Bonnie e Lauren travam diálogos vorazes sobre Frank, à medida que aquela tenta convencer esta a esquecê-lo e perceber que o homem que clamava conhecer só agora revelou sua verdadeira personalidade; Wes é convidado por Annalise para morar em sua casa – não porque precisa de proteção contra seu ex-funcionário, mas sim porque se sente sozinha.

O ápice do episódio, novamente, vem com o final: como nos foi prometido, durante os últimos três minutos de cada arco, descobriremos quem não é o corpo debaixo dos lençóis. O primeiro a “sobreviver” é Oliver – mas é óbvio que a surpresa não acabaria. Annalise é levada para a cadeia, e segundos antes pede para que ele apague tudo o que há no celular, abrindo ainda mais questões e nos levando a duvidar novamente sobre a honestidade da advogada e o que ela está escondendo dessa vez.

Dentre atuações ótimas e uma composição nostálgica, é bem possível que a nova temporada de How to Get Away with Murder segurará o público em todo este mistério, e como cada uma das partes está conectada. Apesar dos casos serem interessantes, não se mostram atraentes o suficiente para nos deixar boquiabertos. Tais tramas são bem construídas, mas ainda deixa a desejar e pede por um “toque mágico”, por assim dizer, para nos fazer repetir a cena várias vezes em nossa mente.

Um dos pontos altos do episódio também foi a situacionalidade de elementos sutis: por exemplo, durante uma das sequências na sala de aula, um dos alunos levanta a suposição de que talvez Annalise esteja divulgando os cartazes acusatórios para afastar suspeitas de si mesma e chamar a atenção. A protagonista mostrou-se durante a série inteira como esperta e capaz de manipular todos ao seu redor para determinado fim: não sei se tal constatação é verdade, mas se for, garanto que há um propósito – e que tudo se amarrará antes da midseason finale.

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