» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

A primeira coisa que se vem a cabeça ao ir ao cinema assistir a uma animação com foco na comédia é se divertir e se descontrair. O Poderoso Chefinho, nova produção da Dreamworks e que estreia nessa quinta tenta fazer tudo isso, mas a única coisa que faz é tirar alguns sorrisos da plateia em situações que são forçadas para chegar a esse objetivo. É um filme claramente focado para o público infantil, adultos podem achar o fofinho e, em alguns momentos, bobo.

Não que seja um filme ruim, ele até consegue te inserir na história na primeira meia-hora, mas depois disso a trama vai ficando arrastada e cenas escatológicas são colocadas para forçar a risada. Claro que são coisas que bebês fazem, isso sem dúvida, mas acrescentou o quê para a história todas aquelas cenas? Pura forçação de barra. Pensaram mais em tentar fazer as pessoas rirem e esqueceram de manter o foco na narrativa. 

Na história, logo no início é apresentado um “sistema” de fabricação de bebê ao estilo que os carros no sistema fordista eram feitos. Depois de toda a produção de concepção do bebê ele é levado até uma esteira que leva a dois lados escolhidos pela máquina. Um leva para o lado da família o outro para o lado dos poderosos chefinhos. Óbvio que o bebê em questão vai para o lado dos chefinhos. Já com consciência e vestido com terno vai trabalhar em um setor que tenta fazer com que famílias deixem de trocar bebês por cachorros. 

Esse bebê é enviado para uma residência onde sem muitos questionamentos dos pais de como o bebê foi parar ali acabam por adotá-lo. Logo se torna o centro das atenções dos pais e Tim, até então o filho preferido, acaba por se achar abandonado. Então que se desenrola toda a história, brigas entre o bebê e o garoto, por sinal, as cenas entre os dois brigado levou muito tempo do filme até eles entrarem na verdadeira história.  

Outro fato que foi apresentado no início foi a mente imaginária do jovem Tim. Em todos os momentos que brincava ele criva um mundo próprio onde tudo acontecia e ele era o rei. Bem que o diretor poderia ter continuar com esse foco de tudo não passar de ser imaginação da criança e que o bebê não seria nada mais que uma criação da sua mente, mas isso foi colocado para tentar criar o personagem e acabaram por enganar o público. Logo eles abandonam essa ideia e não voltam mais nela.

Outra boa ideia abandonada foi a dos cães ganharem a preferência das crianças nos lares. Essa é uma crítica que poderia muito bem ter sido inserida desde o início, mas decidiram focar mais na briga dos dois irmãos. A questão dos animais domésticos é interessante, mas demora demais para ser discutida e seu debate que poderia ser aprofundado, acaba ficando superficial no meio de tanta coisa acontecendo.

Baseado em um livro infantil de Marla Frazee é o típico filme de Tom McGrath, que já havia dirigido produções como os três Madagascar e Megamente. Suas histórias são sempre muito parecidas em termos narrativos. Um personagem importante aparece em lugar comum, em megamente era uma escola, em Madagascar um zoológico e aqui uma casa de família. E todos sempre tem que superar alguma situação para conseguir chegar ao seu objetivo final em uma trajetória de autoconhecimento. Está na hora de tentar fazer algo novo, original. Não precisa mudar o estilo da animação, mas pode mudar o jeito que conta a história.

Tirando as deficiências narrativas o que pode se elogiar é o CGI muito bem empregado. Tão bom que pode até concorrer a prêmios futuros. As feições do bebê trazem a ele a fofura necessária para o personagem e as cores vivas farão as crianças se sentirem suaves ao vê-lo. E para aqueles que gostam de assistir filmes legendados poderão ouvir Alec Baldwin na voz do bebê chefinho, Lisa Kudrow (Friends) na voz da mãe e de Tobey Maguire dando o tom da narração.

Bebês são fofos, isso não há dúvida e crianças adoram filmes que dialogam com elas ainda mais com um personagem bebê. Por isso esse filme fará sucesso, mas não é as mil maravilhas que estão pintando por aí. Em uma futura continuação terão que mudar muita coisa.

O Poderoso Chefinho (Baby Boss, EUA – 2017)

Direção: Tom McGrath
Roteiro: Michael McCullers
Elenco (Voz) :  Alec Baldwin (Bebê), Lisa Kudrow (Mãe), Tobey Maguire (Velho Tim, Narrador), Jimmy Kimmel (Pai), Miles Christopher (Tim)
Gênero: Animação, Comédia, Família
Duração: 97 min

Comente!