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A batalha entre o Império Klingon e a Frota Estelar acabou de começar!

O midseason finale de Star Trek: Discovery finalmente chegou depois de dois meses. E bom, já posso dizer de antemão que o episódio em si não desaponta, apesar de não aproveitar seu potencial completo – e, eventualmente, deixa um cliffhanger interessantíssimo e passível de dar base para uma das maiores viradas da série, ainda que estejamos apenas na primeira temporada.

Continuando a partir dos eventos do capítulo anterior, o Capitão Gabriel Lorca (Jason Isaacs) agora se reúne com o alto escalão da Frota para retornar para a base e afastar-se de um possível confronto entre os Klingons. Entretanto, tal saída estratégica para proteger a única nave da esquadra que tem a capacidade de viajar em dobra através da rede de micélios significaria abandonar um povo pacífico – os pahvianos -, cujo aumento da frequência planetária resultou em um chamamento não premeditado dos inimigos; bom, conhecendo a natureza nem um pouco misericordiosa dessas criaturas, já pode se imaginar que a raça simbiótica e inofensiva estaria prestes a encontrar seu fim.

Entretanto, contrariando mais uma vez as ordens de seus superiores, Lorca, já deixando de forma bem clara sua índole rebelde em detrimento de um acordo-comum entre duas partes destoantes, traça um plano para mandar seus dois melhores combatentes, Ash (Shazad Latif) e Michael (Sonequa Martin-Green, para dentro de umas das espaçonaves do Império antagônico, primeiro para conseguir hackear o sistema de segurança que os permite entrar em um campo de invisibilidade indetectável – e segundo, numa perspectiva mais pessoal e intimista, para vingar o assassinato da Capitã Philippa Georgiou (Michelle Yeoh), morta por um dos Klingons que, eventualmente, emergiu como o principal defensor do caos no universo.

A partir daí, todos os personagens são colocados em seus testes mais difíceis, ainda que de forma não tão bem explorada para uma iteração de quarenta e cinco minutos. Burnham é uma das últimas a enfrentar seus demônios anteriores ao enfrentar Kol (Kenneth Mitchell), líder da esquadra inimiga que despreza qualquer oferta de paz oferecida pela Federação e pelos seus aliados, e busca unificar o Império Klingon como forma de resgatar a superioridade racial que outrora possuíam. Ambos travam uma breve batalha, mas que no geral se mostra bem coreografada e sem um fim propriamente dito, visto que a cena na verdade foi uma distração para que a U.S.S. Discovery conseguisse os dados do campo de invisibilidade para enviá-los para seus aliados. De qualquer forma, é possível ver que ela se sente incomodada pelo fato de não poder fazer justiça, principalmente porque, caso partisse para a violência, negaria seus princípios vulcanos de lógica e racionalidade, estando à mercê das falhas humanas.

Ash também é colocado em um arco traumático que nos mostra seu outro lado – um lado frágil e que estava escondido por trás de uma aparente porém fragmentada couraça guerreira: ao encontrar sua antiga nêmeses, cuja história não foi tão bem explorada quanto deveria, o personagem se recorda dos meses de tortura que sofreu nas mãos do Klingon, e que variaram desde punições físicas até psicológicas. L’Rell (Mary Chieffo), a principal responsável por tentar extrair informações sobre a Frota de seu prisioneiro, elevou esses momentos para outro nível, apaixonando-se por Ash e forçando-o a ter relações sexuais. Como sofredor de um estresse pós-traumático, a forte personalidade do guerreiro logo dá margem para uma brecha que, em episódio futuros, pode significar sua maior ruína caso não ultrapasse esse obstáculo.

Sem sombra de dúvida, a maior surpresa e definitivamente um dos melhores e mais emocionantes momentos da conexão entre público e narrativa foi a semiconclusão do arco de Paul Stamets (Anthony Rapp). Logo depois de descobrirem que a rede de esporos de micélio não poderia ser acessada sem destruir o tardigrado, criatura espacial que tem a habilidade de se comunicar com a espécie em questão, o chefe da engenharia se voluntariou para realizar as dobras da U.S.S. Discovery e desenvolveu um apetrecho para melhor guiá-lo através das rotas em que viajariam. Durante o combate entre a Frota e os Klingons, Lorca opta por uma série de saltos espaciais para confundir os inimigos, e o corpo e a mente de Stamets são levados à exaustão, quase matando-o.

Além dessa sequência de pura tortura, a série ainda brinca conosco nos fornecendo uma ilusória sensação de término, culminando com o retorno de todos os personagens. Entretanto, Lorca ainda pede para que Stamets realize um último salto para o quadrante principal da Frota e a nave poder voltar a explorar a imensidão desconhecida do universo. Mais uma vez, a narrativa nos surpreende ao colocar uma camada inesperada para os personagens, incluindo um aparente e grande sacrifício, e levando cada um dos tripulantes a navegar num “triângulo das Bermudas” espacial.

O midseason finale foi uma ótima adição ao panteão intergaláctico da Netflix, deixando um crescente e fiel público sedento por mais aventuras, mais personagens e mais viradas emocionantes.

Star Trek: Discovery – 01×09: Into the Forest I Go (Idem, 2017 – EUA)

Criado por: Bryan Fuller, Alex Kurtzman
Direção: Chris Byrne
Roteiro: Gene Roddenberry (baseado em Star Trek), Bo Yeon Kim, Erika Lippoldt
Elenco: Doug Jones, Sonequa Martin-Green, Jason Isaacs, Michelle Yeoh, Rainn Wilson, James Frain, Terry Serpico, Anthony Rapp, Shazad Latif
Emissora: Netflix
Gênero: Ficção científica, Ação
Duração: 45 minutos

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