Existem diferentes tipos de filmes ruins. Existem os filmes ruins que adoramos, os ditos “guilty pleasure”, que apesar de suas atrocidades no roteiro, são divertidos de se assistir. E por fim, existem os filmes ruins que são impossíveis de se assistir, seja aquela comédia apelativa de puro “besteirol”, dramas forçados, terror feito apenas de “jump scare”, e a ação simplesmente por…ação. Transformers: A Vingança dos Derrotados, se encontra nesta última categoria. Aqui Michael Bay abusa de sua fórmula a esmos, chegando ao ponto de ser transcendental no conceito que diz respeito a um filme ser puramente ruim.

Depois do sucesso do primeiro filme, considerado um dos melhores blockbusters de 2007, Michael Bay retorna em uma produção conturbada devido a greve de roteiristas. Adicionando à dupla de roteiristas do primeiro filme, Alex Kurtzman e Robert Orci, vem a chegada de Ehren Krueger. E o resultado é nada menos que catastrófico. É difícil…

Seguindo os eventos de seu antecessor, Autobots e humanos trabalham juntos para combater remanescentes Decepticons que estão escondidos no planeta, criando assim a N.E.S.T. Tudo isso introduzido numa ótima sequência de ação em Xangai, envolvendo o Decepticon Demolishor, enquanto apresenta de forma preguiçosa novos Autobots em cenas de puro “ show off”. Michael Bay Magic. Ao desenrolar da trama somos apresentados a Fallen, um dos 13 Primes originais que vem à Terra em busca da Matrix of Leadership, para ativar uma arma dentro de uma pirâmide que destrói sois. Sim.

A partir da introdução de um personagem como Fallen, Bay tenta aprofundar na mitologia dos Transformers, estabelecendo uma ligação com a história da humanidade, e mesmo nisso, o filme fracassa(!!). Transformers é um universo extenso e possui uma grande riqueza, arrisco dizer que é um universo que se bem feito no cinema, seria tão grande quanto obras como Star Wars e Star Trek, porém, aqui se trata de Michael Bay. A mitologia dos Transformers é tratada de maneira insuportavelmente rasa, não apenas no que se diz a respeito de roteiro, mas também em sua identidade visual. Os outros 12 Primes possuem praticamente o mesmo design de Fallen, e quando não, copiam uns aos outros. A idéia de fazê-los semelhantes a Maias e Astecas é totalmente falha. A imersão na mitologia dos personagens não tem impacto nenhum nos outros Transformers do filme, que não seja Optimus Prime, nesse caso, servindo apenas como backstory para os personagens humanos avançarem (este em específico deixo para o final).

Tal como seu antecessor, as cenas de ação são um espetáculo que salvam boa parte do filme, o que não ocorre por muito tempo. O primeiro filme apresenta um ritmo muito bem equilibrado, com cenas de ação pontuais e um ótimo clímax, enquanto na sequência, Bay procura dobrar tudo que foi feito, e assim, acaba por se tornar cansativo. Tem seus bons momentos, como a cena em que Optimus Prime enfrenta três Decepticons em uma floresta, momento este que é de deixar qualquer fã da série animada com lágrimas. Neste momento em específico, Bay se lembra do que realmente é Transformers, além de dar extensão a Optimus Prime nas cenas de ação, coisa que estava em falta no primeiro filme. Após isso, o filme acaba por se perder em cenas de ação que a todo momento tem a necessidade de ser um clímax, e quando o clímax realmente acontece, a vontade é de dormir já passou, e resta apenas o ódio.

Como já foi dito, esse é um filme que Bay procura duplicar tudo que foi feito em seu antecessor, e isso não ocorre apenas com as cenas de ação ou “show off” dos robôs, Bay eleva seus personagens medíocres ao quadrado, super lotando o filme com momentos que ninguém nunca pediu num filme como Transformers. Vamos então agora, à trama do núcleo humano desta obra de arte!

Do outro lado da história acompanhamos novamente Sam Witwicky (nosso querido Shia Labeouf), que se encontra numa fase de transição, indo para a faculdade, se despedindo de seus amigos Autobots e de Megan Fox. O garoto é jogado novamente para a guerra entre os Transformers quando encontra um fragmento do Allspark em seu casaco, que o faz ter visões com Fallen, símbolos Cybertronianos, e ataques nervosos (talvez Ehren Krueger teve acesso a este fragmento durante a escrita do roteiro). Mais uma vez, este é um filme que duplica tudo de seu antecessor, e Shia Labeouf não foge disso. Bay joga Shia em campos de batalha apenas para correr e gritar os nomes dos robôs aleatoriamente.

Quanto aos outros personagens, temos Megan Fox sendo…Megan Fox. Bay abusa de sua sensualidade, com tomadas ainda mais provocantes que no primeiro filme, e só está na trama pra dar um mínimo de drama e conflito humano na vida de Shia Labeouf. E então chegamos aos pais do Sam. Por algum motivo, Bay e seus roteiristas decidiram que o que todo fã de Transformers quer ver é a mãe de Sam Witwicky sobre efeito de maconha, se jogando em alunos de faculdade. No primeiro filme há um alívio cômico razoavelmente interessante, enquanto aqui, Bay se utiliza do humor pastelão em sua forma final, seja através de uma mãe chapada de maconha, ou de relações sexuais entre cachorros, testículos de robôs, John Turturro de cueca…incrível.

Novamente, o núcleo de personagens militares com Josh Duhamel e Tyresse Gibson são os, mas aceitáveis, e que realmente tentam levar o filme a sério e são de fato impactados pelo que está acontecendo, trazendo também bons momentos de ação.

Transformers: A Vingança dos Derrotados é um dos filmes que ficam na memória. É o clássico filme de besteirol que vem tomando cada vez mais espaço no cinema (que época, amigos!). Para muitos seja o famoso “guilty pleasure”, e para outros, apenas mais um daqueles filmes que é uma experiência traumatizante. Porém, aqui fica clara a mensagem: isto não é uma adaptação de uma série animada dos anos 80, isto é puramente, Michael Bay.

Transformers: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen, EUA – 2009)

Direção: Michael Bay
Roteiro: Ehren Kruger, Roberto Orci, Alex Kurtzman
Elenco: Shia LaBeoufMegan Fox, Ramón Rodríguez, John Turturro, Josh Duhamel
Gênero: Ação, Ficção Cientifica
Duração: 150 min

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